O que é o fenômeno “Suicide by Cop”?

Lucas Parrini

Parrini é diretor estadual do Instituto DEFESA no RJ, estudante de criminologia e segurança pública e admirador de assuntos relacionados a combate.

Muitos já devem ter visto situações onde um indivíduo parte pra cima de um policial onde nitidamente será abatido, parecendo “um maluco”, como se fosse um suicídio.

Como se fosse não, é. O fenômeno “Suicide by Cop” que em tradução livre é algo como “Suicídio pela polícia” é o acontecimento onde um indivíduo sabe que suas ações obrigarão a polícia a abrir fogo, e mesmo assim ele age. Por isso é chamado de suicídio, ao provocar a reação do agente, mesmo sabendo que acabará morto, o indivíduo elimina do policial todas as alternativas não-letais e deixa apenas uma que é o uso da força letal: terá que matá-lo. Os motivos são muitos para determinado ato, mas geralmente o indivíduo em questão deseja se matar mas não consegue fazer isso por conta própria, então provoca o agente e o obriga a fazer o trabalho sujo, o que muitas vezes causa problemas no policial – que neste fenômeno também é vítima – que não queria matar mas foi obrigado. (1)

Mas como esse indivíduo faz isso? Bom, de várias formas, uma bem comum é apontar uma arma de brinquedo de aparência real (simulacro) ou então sem munição para a viatura, onde os ocupantes reagirão instintivamente em legítima defesa. (2) Outra maneira comum é atacar um agente usando objetos como facas, como o recente e viral vídeo (3). Outro fato interessante é que como grande parte dos suicidas, as vezes o indivíduo deixa em seus pertences um bilhete pedindo desculpas ao policial. (4)

De acordo com a “Police Firearms Officers Association” e o estudo publicado em seu site existem 15 sinais que indicam este fenômeno, sendo alguns deles: (5)

  1. a)O indivíduo se recusa a negociar;
  2. b)O indivíduo perdeu (divorcio, óbito, etc.) ou matou alguém querido, como mãe, esposa ou filho, preenchendo-se do sentimento de culpa e anseio para que o mesmo pare.
  3. c)Caso haja negociação com a polícia, o indivíduo não menciona a opção de sua própria liberdade ou dá sinais de fuga
  4. d)Demonstra comportamento de uma morte corajosa, repudiando covardia/fuga
  5. e)Expressamente diz que deseja morrer, demonstra sentimento de desesperança
  6. f)Exige ser morto

Caso o histórico psico-social do indivíduo seja conhecido, facilita bastante ao negociador/policial identificar o tipo de perfil que está lidando, como abuso de substâncias, registro de problemas mentais, ruptura em sua estabilidade emocional (divórcio, óbito, etc.) e antecendentes criminais. (6)

O assunto é interessantíssimo e muito mais complexo do que este simples artigo, que serve apenas para nos alertar de uma realidade que muitas vezes passa despercebida e para apresentar o assunto.

É importante que políticas de segurança pública comecem a se atentar para este fenômeno, pois com os devidos estudos e protocolos adequados, nossos órgãos públicos perceberão que isso é mais comum do que percebemos e poderemos ter maior qualidade na preservação de vidas inocentes, da saúde emocional do próprio agente policial e no combate a esta situação: identificar quem está cometendo mesmo um crime doloso ou quem está em tamanho sofrimento e desespero que perdeu completamente o controle e surtou.

1 – https://www.admboard.org/Data/Sites/25/Assets/pdfs/cit/6-Suicide-Prevention/6-9-SuicidebycopfactsheetAAS2013.pdf

2 – http://www.suicide.org/suicide-by-cop.html

3 – https://www.youtube.com/watch?v=9NwWado4SVY

4 – https://www.psychologytoday.com/us/blog/shadow-boxing/201210/suicide-notes

5 – https://www.pfoa.co.uk/articles/suicide-by-cop

6 – https://www.admboard.org/Data/Sites/25/Assets/pdfs/cit/6-Suicide-Prevention/6-9-SuicidebycopfactsheetAAS2013.pdf

Colaborador do Instituto DEFESA e curioso em criminologia e assuntos relacionados a combate e segurança.


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