O crime nunca vai acabar.

Lucas Parrini

Parrini é diretor estadual do Instituto DEFESA no RJ, estudante de criminologia e segurança pública e admirador de assuntos relacionados a combate.

Toda pessoa, principalmente político, que diz “Para acabar com o crime, devemos…” está mentindo.

Duvide de toda fórmula mágica e soluções milaborantes que apresentam em palestras, discursos, artigos, respostas e comentários em redes sociais, postagens com teorias e mais teorias copiadas e coladas. Duvide especialmente em épocas de eleição. Duvide de todos, inclusive de mim mesmo ao reler o título deste artigo. Talvez acabe com a extinção da raça humana, reconheço.

Apesar de chacoalhar algumas falas que eram na verdade apenas força de expressão, única exceção honesta ao que afirmo aqui, a frase inicial é ácida porém verdadeira. O crime é uma ação humana antes de qualquer coisa: antes de algum ordenamento jurídico de um país, costumes de um povo, dogmas religiosos, enfim, qualquer conjunto de regras que diga o que um indivíduo pode ou não fazer, não existe crime sem ação.

Sendo assim, o crime é algo que uma pessoa faz e tem como pré-requisito a atitude da pessoa, ou seja, só existe crime se alguém agir, atuar, fizer alguma coisa, querendo ou não, sabendo ou não que aquilo é reprovado no meio em que vive (culpa e dolo). Enquanto nós humanos existirmos como seres pensantes, existirá o crime. De alguém urinando no muro de uma casa que o dono não permite esta atitude até um tirar a vida de uma pessoa que não permitiu isso.

Obviamente que isso não excluiu o esforço de melhorarmos e evoluirmos mais rápido que a criminalidade todo o conjunto de prevenções e repressões, visando sempre a redução ao máximo possível de cada crime, tanto aqueles com menor potencial lesivo como o furto de um chinelo de R$ 15,00, que pode ser facilmente ressarcido, até os que possuem maiores potenciais lesivos que costumam causar danos irreparáveis, ou seja, por mais que se penalize o autor, “as coisas jamais voltarão a ser como antes”, que é o caso de um homicídio.

Não vou analisar todas as cabeças desta Hidra chamada crime, que cospe seu fogo e carboniza os camponeses (cidadãos) repetidas vezes, mas pegarei como exemplo nosso nicho que é a segurança pública para fazer mais uma afirmação: tudo o que foi feito até agora para reduzir a criminalidade deu errado, conforme mostram os indicadores como o de +60.000 homicídios violentos ao ano (registrados, sem contar Cifra Negra).

É muito preocupante que no cenário que este artigo é escrito, políticos que se elegeram prometendo fazer diferente, prometendo “combater” e “acabar” com o crime, estejam cometendo os mesmos erros de seus opositores, tão criticados anteriormente.

Acorde, brasileiro. O poder emana do povo.

Colaborador do Instituto DEFESA e curioso em criminologia e assuntos relacionados a combate e segurança.


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