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Tutorial : Como afiar facas e canivetes – Parte 1

A importância do “Faça você mesmo” no sobrevivencialismo.

Márcio Batata é sobrevivencialista editor do Guia do sobrevivente e colunista de sobrevivencialismo no Instituto DEFESA.

Márcio Batata é sobrevivencialista editor do Guia do sobrevivente e colunista de sobrevivencialismo no Instituto DEFESA.

A importância do “Faça você mesmo” no sobrevivencialismo.

Essa postagem vem trazer um pouco de luz para aqueles que não entenderam muito bem os princípios do sobrevivencialismo que é baseado 70 % em habilidades pessoais. Você acha que basta ter uma faca ou equipamentos caríssimos? Pra muitas pessoas não! Você precisa ler isso!

Ao chegar no universo do sobrevivencialismo você vai encontrar diversos tipos de pessoas e uma infinidade de discussões aplicadas a estratégias de sobrevivência em cenários variados.

Terminologias como Preppers urbanos, sobrevivencialistas, primitivistas, ruralistas, milicos, religiosos vão permear suas pesquisas por se tratarem de segmentos de pessoas mais ou menos documentados. Mas isso realmente não importa para o sobrevivencialista “generalista” (outra categoria) que é o cara cuja estratégia e modelo não se enquadra em grupo nenhum, ele estuda sobrevivência urbana e técnicas outdoor, faz um bunker e uma mochila BOB, enfim segue a regra do PATO.

Independente da segmentação a polêmica relação homem x habilidade x equipamento aparece de forma gritante, ora pelos estudantes e suas características humanas de vaidade, ora pelo marketing que ilustra seus produtos como milagres, ora pelo grupo e sua influencia. Em todos os segmentos a relação entre homem, equipamento e habilidade parecem ser o único equalizador no aspecto de sobreviver ou não a um evento.

Obvio, ninguém quer imaginar, mesmo entre os sobrevivencialistas, os fatores aleatórios do evento, homens super treinados e bem equipados já morreram porque uma pedra estúpida desabou do nada, ou o chão se abriu sobre seus pés.

Para muitos ter um equipamento caríssimo soa como um milagre, a arma que atira sozinha ou a faca que concede poderes mágicos, isso é culpa do efeito Excalibur, a famosa espada mágica que fazia seu portador Rei da coisa toda. Sabemos que só o item, sem treino não presta pra nada.

Acontece que muita gente resolveu ir além, passar o estágio de só ter e saber usar determinadas coisas e resolveram esmiuçar o DNA de sua construção, ou seja, fazer, ter, usar.

Considere isso um minuto e não pense só em facas e armas. O “faça você mesmo” ou o artesanal engloba tantas coisas ou habilidades quanto o conhecido pelo homem e algumas são trabalhos de uma vida.

Os aspectos clássicos do artesanal  mais próximo aos processos sobrevivencialistas estão ligados a autossuficiência de aspectos básicos da vida, como plantar alimentos, fazer ferramentas, transformar coisas, e sobretudo fugir um pouco do sistema.

Quanto maior a gama de conhecimentos de produção dos itens essenciais a vida, mais garantias de suprimento em um cenário de privação, e isso extrapola a relação do homem com seus itens e implode na base o Efeito Excalibur da mente, mais liberdade do sistema e geralmente mais qualidade.

A família que colhe tomates orgânicos no quintal está muito mais garantida que aquela que compra tomates nos mercados. Quem faz a própria faca sabe exatamente onde ela pode ir, o quanto resiste e suporta e além disso, sofre automaticamente o efeito do arqueiro. Um arqueiro sempre será um arqueiro, não importa se ele tem um arco e flechas ou não, algo como andar de bicicleta, dê um arco a ele e ele saberá o que fazer, entenderá o funcionamento e o comportamento do equipamento.

Quando você treina e domina o faça você mesmo, você de certa forma sempre terá consigo aquilo que produziu, o hortelão sempre terá tomates, o cuteleiro a faca, o armeiro fará armas do nada e o arqueiro vai se virar no improviso, e não importa o tanto de gambiarras necessárias para conseguir, se alguém as conhece é quem já dominou o processo de criação. O homem que faz cestos de vime, saberá como fazer de palha, cipó, casca de árvore…

Estudar mecanismos de “faça você mesmo”, e ter os insumos básicos para as atividades necessárias para a sobrevivência é como mergulhar no estudo do DNA do sobrevivencialismo, está muito além do ter, do saber usar, é o principio máximo da autossuficiência, envolve estudo, tempo, dedicação e coragem pra começar, o resultado da artesania, além de gratificante e útil para a vida, é a retomada do ser humano a suas origens e uma ampliação exponencial de suas capacidades de sobreviver.

O que é que você está esperando pra iniciar aquele projeto de fim de semana? Envolva sua família, os vizinhos, crie algo útil do zero, você só tem a ganhar com isso!

Deixo a todos o convite para conhecer nossas mídias no YouTube e no Face que estão repletas de informações para ajudar você a dar os primeiros passos rumo a autossuficiência, acessem o Guia do sobrevivente e vamos nos encontrar por lá.

Abraços

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Tratamento térmico rudimentar para aço – Básico e sem frescura.

Márcio Batata é sobrevivencialista editor do Guia do sobrevivente e colunista de sobrevivencialismo no Instituto DEFESA.

Márcio Batata é sobrevivencialista editor do Guia do sobrevivente e colunista de sobrevivencialismo no Instituto DEFESA.

Tratamento térmico rudimentar para aço – Básico e sem frescura.

 

Se o camponês fazia em 1500, você faz hoje com muito mais facilidade.

Poder fazer as próprias lâminas é um sonho de muitos, e além disso é uma das principais habilidades de um sobrevivencialista, ora, com ferramentas você constrói coisas, construindo as suas ferramentas você dá um passo enorme rumo ao processo de autossuficiência., nesta postagem vamos tratar da tempera básica para ferramentas para pessoas comuns, ou seja sem frescuras.

 

Meu amigo pense um pouco,  que diabos você acha que um camponês em 1500 fazia com o aço que você não pode fazer hoje em sua casa? Pois é, todo mundo pode e hoje eu vou dizer como, afinal somos sobrevivencialistas, já adianto que vou usar o máximo de palavras comuns possíveis, fugindo de termos e jargões técnicos.

Decidi fazer uma postagem totalmente fora dos padrões, algo quase medieval, e vou me dar a este luxo porque sei que os comentários vão ser entupidos de centenas de explicações técnicas.

Na idade média, espadas, lanças , armaduras, peças de forjaria e etc eram feitas na unha, sem o infinito acervo de técnicas e modernidades disponíveis hoje em dia, para tanto até 80 anos atrás, todas as peças de aço feitas em pequenas localidades se serviam única e exclusivamente da sensibilidade do ferreiro.

Neste cenário antigo, espadas eram realmente submetidas a impactos aço x aço, facas tinham de durar uma vida, ou duas já que era comum ficarem de herança ao filho mais velho, outros aços temperados como o de arados, enxadas, machados tinham o mesmo destino.

Você precisa pegar um aço com uma boa quantidade de carbono em sua composição,  molda-lo na forma que quiser. Depois você coloca a peça em um fogo até avermelhar, vc encosta o aço em um imã se não grudar enfia o treco fumegante na água. Pronto você acaba de fazer a têmpera do aço e deixa-lo duro pra cacete, mas acredite, não é só isso.

Quando você aquece muito um aço, suas moléculas de carbono se expandem, ao esfria-lo abruptamente elas se contraem, só que não voltam a ser o que eram antes, elas se juntam mais, se ligam e o aço se torna mais duro, muito mais duro, a ponto de quebrar com impactos.

AQUECIMENTO

Na idade média não havia fornos a gás e forjas industriais, muitos ferreiros trabalhavam com a queima de lenha simples e ordinária, os mais “favorecidos” usavam carvão, literalmente o mesmo carvão que você usa pro churrasco e muito provavelmente o lugar que vc os queima hoje, a churrasqueira, é uma peça 800% mais tecnológica do que a antiga forja camponesa por conta de proteções térmicas como tijolos e materiais refratários. As antigas eram de pedras comuns e ordinárias ligadas com barro.

O carvão bate fácil 900ºC de queima em seu núcleo, isso é o suficiente para avermelhar o aço, mas demora, então para anabolizar a coisa antigos e atuais ferreiros injetam oxigênio e elevam a temperatura para 1200ºC ou mais, quase o ponto de fusão da maioria dos aços. Os antigos usavam um fole, profissionais usam sopradores, e qualquer um pode abanar muito ou sobrar as brasas com um secador de cabelos ou mesmo estes sopradores de churrasqueira baratinhos.

AÇO

Vou descomplicar tudo para você, se não entende nada deste assunto e mesmo assim quer fazer suas próprias ferramentas personalizadas, temperadas,  entenda de cara que ferramentas similares são feitas do aço que vc precisa. Se quer uma faca uma foice vai te dar o material, para um machado um martelo serve, para uma espada molas de caminhão ou de carro, pontas de flecha qualquer resto de aço ou de ferramentas.

RECOZIMENTO

É o que vc faz assim que escolhe o aço que quer trabalhar, vc acende sua forja, deixa muito quente e coloca a peça para avermelhar, quando o aço chegou no ponto vermelho cereja, você coloca novamente no meio do carvão e deixa lá até tudo esfriar. Vai demorar sim, mas este processo de esfriamento lento faz exatamente o oposto da têmpera, ele abre as moléculas de carbono e lenta mente deixa nesta posição, desta forma o aço fica mais “mole” facilitando o trabalho de usinagem.

Muitos ferreiros usam bigorna e porrada durante o processo de recozimento para dar forma que precisam como curvas, dobras e irregularidades, após assumir a cor cereja o aço ainda quente fica mole e moldável a marteladas, depois de esfriar lentamente a peça vai para usinagem.

USINAGEM

Com ferramentas comuns, como serras, limas, lixas esmeril, martelos e afins você dá forma ao que quer,é neste ponto que vc define o perfil de corte, detalhes, desenho detalhado etc.

Trabalho braçal ? Sim cara, os antigos poupavam o braço usando a bigorna para modelar as peças e ganhar tempo.

TEMPERA

Para temperar um aço você precisa aquece-lo a altas temperaturas e resfria-lo rapidamente. Não há segredos demais nisso, mas há macetes, se você não tem um termômetro, e de fato ele não ajuda muito em forjas a carvão por conta da dispersão de calor irregular, a melhor forma de saber o ponto de tempera é com um ímã,  o aço no ponto certo perde suas propriedades magnéticas. Tudo certo coloque o aço na água e segure-o lá até esfriar.

Pode trincar? sim pode, o macete é não deixar a água fria, mas morna, com um bom punhado de sal dissolvido, isso vai ajudar no choque térmico.

Muitos mestres das forjas usam tecnicas de tempera seletiva em facas, isso é, só mergulhar uma parte da faca no liquido que vai resfria-la, geralmente a parte do fio, deixando o dorso da peça mais mole.

Eu concordo que é uma boa estratégia para facas com espessura de torção, até 3 mm, mas facas feitas em chapas mais grossas, não vão ser “torcidas” então é uma pratica totalmente irrelevante.

Ferramentas de usinagem com talhadeiras, também recebem tempera seletiva.

REVENIMENTO

Depois de temperado o aço fica tão duro que uma queda pode quebrá-lo como vidro. Lá nos tempos antigos, o ferreiro, no fim do trabalho esperava a temperatura do carvão cair e recolocava a peça SOBRE as brasas, e não dentro delas. A peça recebia um calor menor, não suficiente para fazer as moléculas se agitarem, mas o suficiente para que se desgrudem um pouquinho.

Este pouquinho faz o aço adquirir o elemento que faltava, que é a resistência a quebra.

Se você acender o forno da sua casa, bem baixo, lá pelos 150 – 180ºC e deixar a peça por uma hora, já consegue este benefício.

Mas é só isso batata? É cara, só isso.

Desta forma você já está trabalhando com mais meios que um ferreiro medieval trabalhava e vai poder fazer uma montanha de ferramentas específicas, ou reforçar peças que dispõe, como travas, engates e etc.

Vai poder também fazer facas muito funcionais.

Agora é o seguinte, o cara vai ter que ter MUITA experiência nos meios rudimentares e simples de tratamento térmico para fazer peças comparáveis a outras com meios modernos. Mesmo entre os amadores com estruturas bem simples, muitos usam óleo ao invés de agua, tabelas de temperaturas, aços e até as colorações de revenimento, fazendo a coisa certa pro aço certo, e sim você deve consultar estas tabelas que estão na web e vc acha com muita facilidade.

Agora você deve estar pensando: “Se ele me orienta a ver as tabelas e estudar mais, porque fez esta postagem simplória?” Porque somos sobrevivencialistas amigo! Nós temos que operar nossas habilidades no cenário mais desfavorável possível e com o mínimo de recursos, e se você aprender a fazer uma faca usando lenha, agua e uma lima, meu chapa, você vai conseguir se virar em qualquer lugar, captou??!!!

Bom, é isso, eu volto em breve trazendo uma lista de materiais básicos para uma forja doméstica para peças pequenas como faca, talhadeira e etc, espero que tenham gostado e entendido o conceito da postagem, óbvio que eu adoraria ver links e comentários dando mais dicas sobre o tema e saber a opinião de vocês sobre isso.

E se você não conhece o canal do Guia, não perca tempo!

Abraços.

Sobrevivencialismo em grupo: Quem é o líder?

Márcio Batata é sobrevivencialista editor do Guia do sobrevivente e colunista de sobrevivencialismo no Instituto DEFESA.

Márcio Batata é sobrevivencialista editor do Guia do sobrevivente e colunista de sobrevivencialismo no Instituto DEFESA.

Sobrevivencialismo em grupo : Quem é o líder?

Depois de muita conversa e esforço você conseguiu montar um bom grupo de sobrevivência.  Você procurou entre amigos e familiares e agora tem muita gente engajada na prática, chegou a hora de decidir como será o gerenciamento deste grupo, que afinal, como qualquer grupo que se preste precisa de algum controle, ainda mais em situações de crise, a pergunta é : Quem será o Líder?

A resposta é obvia, o mais capacitado! O mais carismático! O mais forte e poderoso! Todos e ninguém!

Pois é, nesta postagem vamos analisar o porque esta resposta é tão difícil e propor medidas para pessoas que estão formando grupos de sobrevivencialistas, se não agir com cuidado ao invés de um aliado você pode conseguir um terrível inimigo bem perto de você.

Formando grupos

O primeiro passo para qualquer um que quer formar um grupo é definir o perfil das pessoas que vão compor esta célula de sobrevivência, regras internas básicas e como será a gestão deste sistema.

Ora, se pensa em montar um grupo nômade precisará de um foco em treinamentos de campo, para um grupo que opere em base fixa as metas pessoais são diferentes. Resumindo, não adianta buscar pessoas com visões estratégicas totalmente diferentes para formar um grupo no inicio, embora, estas especialidades possam ser muito úteis em cenários específicos. Um exemplo de convivência organizacional onde cada um mantém seu foco é um condomínio.

Após formadas as regras de conivência um gestor é eleito ou contratado para manter tudo em ordem.

Outro exemplo de gestão é o de associação civil, um grupo inicial cria as regras de convívio e metas e abre para os demais interessados.

Um estudo mais amplo de crises em diversos países mostrou grupos que tiveram uma sólida experiência adotando outros sistemas, não tratamos óbvio de milícias organizadas fora da lei, mas grupos que operaram como unidades militares para sobrevivência comum. Nestes grupos há uma hierarquia fixa, ao contrário de votações democráticas ou eleiçoes.

Parâmetros Franceses

Um dos melhores sistemas que vi até hoje para gestão de grupos de preparadores veio da França e foi documentado por um grupo de mais de 40 famílias.

Neste sistema cada “casa” conta como uma unidade totalmente independente que se associa ao grupo para fins de ajuda mútua.

Trocando em miúdos, o grupo forma uma cooperativa de preppers.

Para entrar no grupo há uma taxa fixa de manutenção e alguns requisitos mínimos, como possuir suprimentos para 5 meses, e pelo menos uma pessoa da família ser capacitada em combate armado.

Embora cada casa seja autônoma há um acordo de proteção mútuo, de comercio e de trocas. No Dia a dia os preppers franceses trocam entre si equipamentos, produção excedente de hortas domésticas e fazem compras coletivas, também formam uma rede de proteção contra violência urbana, que nada mais é que um cuidar do outro.

Todas as famílias envolvidas aceitaram regras gerais por níveis de ameaça, e uma comissão eleita assume as decisões cotidianas ou indica quem coordenará ações específicas. No grupo que é multiprofissional equipes podem assumir a tomada de decisão de acordo com suas especialidades, médicos durante uma epidemia ou policiais e “combatentes” se a crise envolver violência.

Em 4 anos o grupo enfrentou alguns sustos e situações graves de forma sólida. dentre alguns relatos estão mobilizações para segurança mútua, mutirões para melhorias contra fatores climáticos e até a ajuda a um dos membros em dificuldades financeiras.

Além disso, com o dinheiro das mensalidades o grupo montou 6 hortas coletivas, um pequeno centro médico e custeia profissionais para os mais variados tipos de treinamento.

A regra mais forte da coalizão é que cada casa se mantenha integra em princípios de liberdade e igualdade e respeito das leis francesas.

De fato esta metodologia me impressionou muito e parte dela foi aplicada em meu próprio grupo, e embora não estejamos tão avançados, ou dedicados como os franceses a experiência tem sido muito gratificante.

A preparação mínima de cada unidade participante garante ao grupo segurança e tempo para tomada de decisões, o respeito a propriedade alheia garante que o estilo de vida de cada lar seja respeitado.

 

Por curiosidade o grupo francês de preparadores só aceita famílias com residência fixa onde nenhuma das pessoas tenha ficha criminal, prepers solitários não são aceitos. É cobrada uma mensalidade de 30 Euros, o grupo é sediado em Paris e conta com mais de 40 famílias divididas em 6 “distritos” ou núcleos.

Cada núcleo faz uma reunião mensal e todo grupo se reúne trimestralmente ou em convocações especiais. A administração é composta por um presidente, um vice, um tesoureiro e 7 “conciergerie”, concierges que atuam como secretários para assuntos específicos como segurança, medicina, treinamentos, compras, etc, todos são eleitos por 2 anos e assumem a liderança do grupo quando a crise é correlata a sua especialidade.

 Sim, eu sei o que está pensando neste exato momento, a dificuldade que temos em encontrar um único parceiro local, quanto mais 40! Vale lembrar o quanto é forte o conceito de preparação fora do Brasil e que os Franceses assim como os americanos tem motivação governamental para suas preparações. O grupo Francês existe a 16 anos e fora alguns grupos similares a milícias civis que encontrei em minhas pesquisas é o mais bem documentado e adaptado para nosso país.

Que fique claro desde já, se vai formar um grupo em algum momento deve-se pensar em sua estrutura, esta postagem e seus exemplos são só um ponto inicial de discussão para talvez trazer alguma luz para quem está pensando em se misturar com outros preparadores e sobrevivencialistas de forma mais engajada, e está longe de ser uma regra ou condição pétrea.

É possível sim manter a integridade e a pessoalidade familiar em grupos de sobrevivência, afinal, aqui neste bunker quem manda é a patroa e nem eu nem meus filhos estamos dispostos a obedecer também a esposa do meu vizinho… embora muitas vezes quando ela dá uns gritos com ele, todos levantamos e vamos lavar a louça aqui em casa….

Abraços e deixem seus comentários valiosos!

101 Modelos de Hortas Urbanas

Facas de cabo oco vs Facas full tang

Cabo oco: uns amam, outros odeiam.

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A idéia de um compartimento na faca é fantástica, isso poupa muito a memória do vivente para aqueles pequenos itens de sobrevivência, porém o preço a se pagar pelo benefício é caro demais para alguns.

Nesta postagem vamos falar sobre os aspectos que pesam pra cada lado da balança.

De cara comunico, eu adoro as cabo oco.

“Mas que bastardo idiota gosta disso?” Eu, eu gosto. E gosto porque gosto e mais nada.

Gosto porque sou um cara de 40 e vi o Rambo usar a faca, eu era escoteiro na época e tinha uma Tramontina sport de 10 cm.

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Se você assistir o filme com outros olhos, verá que John Rambo não faz nada demais com a faca dele, nada que uma porcaria de faca qualquer não faria fácil. Logo posso dizer que, o uso de “faca de sobrevivência” no filme não foi nada forçado. Eu mesmo já usei vários recursos de minha faca cabo oco em muitas situações de treino e acampamentos sem nenhum problema.

Uma faca monobloco full tang, é de longe mais forte e acumula algumas funções, como alavanca por exemplo e uma maior tolerância ao batoning. Se nada disso tivesse sido inventado, ainda assim seriam mais resistentes.

Muitos estudantes de sobrevivência sequer toleram soldas no cabo de suas facas, pra estes as facas de cabo oco são quase criminosas.

Mãozinha leve

Isso é coisa de Old School total, da época que o chefe escoteiro ensinava o moleque no uso da faca lá pelos 80´s. O garoto já usava a ferramenta preocupado, com medo de quebrar e tomar um ralo do pai, pois as Tramontinas eram caras mesmo. Quem acampou por anos com uma sport, leva a vida feliz com uma Commander. O fiapo de aço que faz a tang destas facas e tão ou mais frágil que o conjunto de qualquer faca de cabo oco.

Mas a regra é clara, se uma faca de cabo oco dura muito na sua mão, uma full tang monobloco vai ser eterna!

Sem querer incorrer em crime, vou dizer com certeza que, se você acha dificil escolher uma faca fulltang de sobrevivência, experimenta tentar descobrir uma boa faca de cabo oco. hahaha É uma luta épica.

Além de decidir pelo aço, perfil de corte e modelo, você tem de encarar a aventura desconhecida e misteriosa dos engates e apetrechos muitas vezes inúteis como a serra que não funciona.

Acho que inquestionável é somente a estratégia de poder manter itens na faca, o que muitos fazem usando a bainha das full tang.

Mas existem facas de cabo oco úteis?

Cara existem. E são caras. Você não vai ver usuários das Aitor choramingando pelos cantos ou colocando suas Jungle King ou Commando na lixeira, o mesmo vale para a bushmam da cold steel, Scherade, Kabar e facas cabo oco feitas por encomenda.

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Nestas facas tudo funciona, a serra é animal, o aço é impecável, a bainha é altamente tecnológica e com recursos funcionais e o engate foi pensado para partir a lâmina antes de romper ou pegar jogo.

Agora brutalidade sem fim é quando o projetista apela e simplesmente forja a peça em uma única barra de aço, sim, existem pessoas sem dó de apelar.

Na boa, eu ví uma destas facas, de um amigo, foi feita em um cano de garfo dianteiro de moto e usa uma rolha pra tapar o furo. é tão brutal, mas tão brutal que faz a maioria das minhas clássicas facas parecerem palitos de dente ou peixeiras de feira.

Um parâmetro curioso.

Cada vez mais eu acredito que facas são as coisas mais pessoais que foram inventadas. Você vai achar usuário de tudo que é forma.

Eu particularmente não bato em faca. Vez ou outra faço para demonstrar técnicas de corte em vídeos ou para alunos, mas no mundo real nunca fiz isso. Quando saio da porta com minha faca ela faz parte de mim e eu a preservo com todas as forças, peças indestrutíveis como a NYX ou a Militar King cumprem sua função que é talhar as coisas com peso e massa bruta, outras facas menos poderosas que eu uso nunca tiveram pouca presença em minha prática, é o caso da Imbel, famosa ou não, aço bom ou não ela tem um rabinho de rato de 8 mm de tang e é quase que a minha peça exclusiva de uso fora dos treinamentos.

A Defender Xtreme é um caso do tipo, eu que tenho “mão leve” me esbaldo com esta facona de cabo oco que tem uma capacidade de corte absurdo.

Bom, para continuar e fechar meu ponto de vista, considere que, este autor que vos escreve NUNCA quebrou um facão Tramontina em todos estes anos de uso, e não é porque a tralha é indestrutível.

É o detalhe que pesa.

Na sobrevivência qualquer traço de vantagem vale ouro. Um anzol, fósforo, um pedacinho de paracord ou um preservativo pra água. Ferrado você se agarra a qualquer fio de recursos e a mais ínfima besteira vale ouro.

apelo

Nesta perspectiva as cabo oco se criaram até hoje. Aqueles 2 ou 3 fósforos e os anzóis, um band aid e outras quinquilharias úteis, o reflexo foi a implantação de bainhas cada vez mais elaboradas para facas full tang, kits específicos para facas são comuns (e opções inteligentes) já que a faca é a primeira coisa que o operador pega pra sair.

Se eu concordo com os objetos que vem na faca de cabo oco? Não, não mesmo. Troco os 3 fósforos por 1 pederneira, o band aid por um preservativo, os botões por clorin, os anzóis por anzóis menores e as cordinhas vagabundas por paracord. Mas o que eu não troco mesmo são as bainhas. Me desculpem os artistas do couro, mas o polímero e o kylex abrem um leque totalmente imbatível em resistência,  peso e funcionalidade.

Uma vez eu tomei um tombo memorável em um barranco, óbvio caí por cima da faca que estava na cintura. Eu não me machuquei seriamente por intervenção divina, porque a lâmina abriu o couro igual papel com a força da batida, desde então me tornei um ser chato neste sentido, e ao ver uma faca pela primeira vez me lembro da ponta da bowiezinha se projetando de lado fora da bainha cortada.

A Defender que nada mais é que uma ótima cópia xingling da Aitor Commando, fora seu questionamento quanto faca, possui uma bainha absurdamente forte, rígida a ponto de manter um sistema de afiação no dorso e o melhor, possui um compartimento estanque extremamente funcional para o trato de iscas e outros itens que der na telha.

É uma bainha absurdamente funcional, com espaço para encordamento, sistema de travas seguro, espaço para faca reserva… ou seja, pouca coisa que outras facas deste modelo cabo oco não disponham.

Mas “E SE”, por alguma sorte do destino, uma faca forte, full tang tivesse todos estes benefícios e unisse os dois pontos de vista?

Pois é, colocar uma faca monobloco na bainha de uma cabo oco é algo como juntar os benefícios de 2 mundos.

Porém, para o sobrevivente há uma regra de ouro: É preciso pensar fora da caixa! Por séculos o ser humano fez uso de simples lascas de pedra para sobreviver, a recente evolução trouxe boas e más interpretações desta importante ferramenta, e é possível encontrar peças ótimas e absurdas porcarias tanto em facas de cabo oco quanto nas monobloco. Cabe ao operador a missão de adaptar, avaliar com cuidado a ferramenta e seguir um uso coerente do que tem nas mãos.

A regra do preparo prévio dita que escolha bem uma faca, porém, no auge do envolvimento centenas de milhares de eventos podem ocorrer e sua poderosa ferramenta pode não estar com você, restando uma peça diferente e geralmente de menor qualidade ou de utilização distinta.

Da mesma forma que você opera um treino de sobrevivência extrema com uma ferramenta brutal, deveria adestrar-se no mesmo cenário adaptando-se a uma peça mais frágil, isso é estar preparado, com uma peça simples, com corte ruim, aço vagabundo ou delicada demais você aprende a pensar fora da caixa e percebe que qualquer faca é faca e tem muita serventia.

Polêmico? Sim, claro que é, porque gosto é gosto e facas são como peitos, cada um curte de um jeito, mas é legal ver as opiniões de vocês sobre o tema nos comentários.

Abraços!

Dica: Como dormir feito um nenem na barraca por R$7