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Limitar calibres de armas de porte e portáteis é um papelão

Lucas Silveira é fundador e presidente do Instituto DEFESA

INTRODUÇÃO

Já foi publicado no defesa.org o artigo intitulado “Limitar o número de armas por pessoa não faz sentido“, que expõe as limitações quantitativas impostas pelo Exército Brasileiro aos cidadãos, contrariando a democracia e o respeito elementar a liberdade humana. Falta esclarecer agora as limitações qualitativas impostas pelo legislativo e pelos mesmos militares.

As restrições qualitativas às armas podem ser didaticamente divididas em:

  1. Quanto ao sistema de funcionamento
  2. Quanto às dimensões
  3. Quanto aos dispositivos de pontaria e demais acessórios
  4. Quanto à dissimulação
  5. Quanto aos calibres

Este texto objetiva tratar exclusivamente da limitação de acesso às armas quanto aos calibres.

 

1. O que prevê a legislação

 

1.1. Decreto 3.665/2000 (cidadão em geral)

 

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Art. 16. São de uso restrito:

(…)

III – armas de fogo curtas, cuja munição comum tenha, na saída do cano, energia superior a (trezentas libras-pé ou quatrocentos e sete Joules e suas munições, como por exemplo, os calibres .357 Magnum, 9 Luger, .38 Super Auto, .40 S&W, .44 SPL, .44 Magnum, .45 Colt e .45 Auto;

IV – armas de fogo longas raiadas, cuja munição comum tenha, na saída do cano, energia superior a mil libras-pé ou mil trezentos e cinqüenta e cinco Joules e suas munições, como por exemplo, .22-250, .223 Remington, .243 Winchester, .270 Winchester, 7 Mauser, .30-06, .308 Winchester, 7,62 x 39, .357 Magnum, .375 Winchester e .44 Magnum;

(…)

VII – armas de fogo de alma lisa de calibre superior ao doze e suas munições;

Conforme observa-se no texto do Decreto 3.665/2000, existiu pelo legislador uma “preocupação” em, além das incontáveis exigências já feitas aos proprietários de armas, limitar também a energia máxima do armamento que algumas pessoas podem adquirir.

Já seria suficientemente patético, mas o Exército Brasileiro conseguiu achincalhar ainda mais o cidadão, com a emissão de uma série de portarias, conforme segue:

1.2. PORTARIA No 004 – D Log, DE 08 DE MARÇO DE 2001. (Atiradores)

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Art. 8o  Não podem ser adquiridas para a prática esportiva, as armas de calibre 9×19 e 5,56 (.223), aquelas cuja munição comum tenha energia igual ou superior a 4.073 Joules ou 3.000 libras-pé, as automáticas de qualquer tipo e os fuzis e carabinas semi-automáticos de calibre de uso restrito.

Parágrafo único. Os oficiais de carreira das Forças Armadas e os Policiais Federais, que possuirem armas no calibre 9×19, devidamente registradas , poderão utilizá-las na prática esportiva de Tiro Prático.

Resumindo:

  • Atiradores brasileiros não podem usar os dois calibres mais usados no mundo (9x19mm e 5,56)
  • Atiradores brasileiros não podem adquirir armas com energia superior a 4.073 Joules
  • Mas se você for amigo do Rei, aí tudo bem.

 

1.3. PORTARIA No 005 – D Log, DE 08 DE MARÇO DE 2001 (caçadores)

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Art. 8o Não podem ser adquiridas para a prática esportiva, as armas cuja munição comum tenha energia igual ou superior a 16.290 Joules ou 12.000 libras-pé, as automáticas de qualquer tipo e os fuzis e carabinas semi-automáticos de calibres de uso restrito.

Opa, será que as coisas melhoraram um pouco? Pelo menos no quesito “energia”, os caçadores têm um pouco mais de “liberdade” se comparados aos demais.

Chega de legiferância despropositada? Não para o Exército Brasileiro, ele não resiste a baixar uma normazinha…

 

1.4. PORTARIA No 024 – DMB, DE 25 DE OUTUBRO DE 2000 (colecionadores)

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Art. 9º Não é permitido colecionar os seguintes tipos de armas:

I              – automáticas de qualquer calibre e longas semi-automáticas de calibre de uso restrito, cujo primeiro lote foi fabricado há menos de 50 anos;

II             – as de mesmo tipo, marca, modelo e calibre em uso nas Forças Armadas nacionais.

Calma, têm mais restrições ainda por vir…

 

1.5. Of No 50 – Vch DLog/DFPC 

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CALIBRES AUTORIZADOS PARA O TIRO ESPORTIVO

(Art. 44 da Portaria 004-DLog, de 08 Mar 01)

 

1. TIRO COM ARMAS LONGAS RAIADAS (fuzil, carabina e mosquetão):

– .22 – 250 Remington;

– .243 Winchester;

– .270 Winchester;

– 7 x 57mm Mauser;

– .308 Winchester;

– .30 – 06 Springfield.

  1. TIRO PRÁTICO – IPSC (Internacional Practical Shooting Confederation):

– .45 ACP;

– .40 S & W;

– .357 Magnum;

– .38 Super Auto;

– .44 Magnum.

3. TIRO PRÁTICO – IHMSA (Internacional Handgun Metallic Silhouette Association):

– .30 M1 (uso permitido);                  – .22 Hornet;

– .22 Magnum;                                  – .30 Herret;

– .300 Whisper;                                 – .300-221;

– .30-30 Winchester;                         – .32-20 Winchester (uso permitido);

– .357 Magnum;                                – .41 Magnum;

– .357 Maximum;                              – .44  Magnum;

– 6,5 mm TCU;                                 – 6 mm TCU;

– 7 mm TCU;                                    – 7 mm BR Remington;

– 7 mm IHMSA;                                – 7 mm Internacional;

– 7 mm United States;                      – 7 mm-08 Remington;

– 7 mm-30 Waters;                           – 7 x 57 mm Mauser.

 

E então, quando você já não sabe mais onde enfiar a cara de tanta vergonha de ler esse desserviço prestado pelo Exército Brasileiro,  você ainda é obrigado a assistir este fechamento com chave de ouro, que vem com duas portarias:

1.6. PORTARIA No 002 – D Log, DE 05 DE FEVEREIRO DE 2001

.50

Art. 1o Classificar o calibre .50 (SIC) como privativo das Forças Armadas, incluindo-o no Grau de Restrição A, a que se refere o art. 11 do R-105.

Faltou para o legislador ler o texto “Calibres têm nome e sobrenome“.

 

 

 

 

 

 

1.7. PORTARIA Nº  21 – D Log DE  11 DE DEZEMBRO DE 2001.

.30

Art. 1º Classificar as seguintes armas, e suas munições como de uso restrito, por possuírem características que  as contra-indicam para emprego diferente do militar ou do policial:

I – carabinas calibres .30M1 e .40 S&W;

 

II – metralhadora de Mão P90 calibre 5,7x28mm; e

 

III – Pistola Five-Seven calibre 5,7x28mm.

Vamos comentar no item “2”, abaixo.

 

2. Considerações

Se você conseguir chegar até aqui sem vomitar, sem morrer de vergonha pelo Exército Brasileiro ou sem pesquisar no Google como mudar de país, parabéns. Você é uma minoria.

Analisemos passo a passo os dados acima.

A legislação em vigor estratifica a população em diversas partes, cada estrato, com um direito diferente. “Cidadãos comuns” são diferentes de atiradores, que são diferentes de caçadores, que são diferentes de colecionadores. E todo mundo é diferente dos amigos do Rei, que podem tudo, desde que seja para agradar ao “dono da festa”.

Veja a que ponto chegaram: “João” não pode ter uma pistola .40SW para sua defesa. Mas o mesmo João pode ter esta mesma pistola se for atirador. Se João, atirador, quiser apostilar esta pistola no seu acervo de coleção, e não tiver o tempo necessário de atividade, aí não pode. Mas se João for Auditor Fiscal da Receita Federal (quem faz as cobranças para o Rei), aí pode ter a .40SW para defesa. Complicou?

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Vamos a mais um exemplo esdrúxulo patrocinado pelas portarias do Exército Brasileiro: Pedro quer comprar uma carabina para seu entretenimento. Ele descobre que pode ter ganhos de escala se utilizar a mesma munição que usa em sua pistola, na tentativa de reduzir os custos. Pedro vai ter que achar uma pistola “.38 SPL”, pois de acordo com o Exército Brasileiro, carabina .40SW é contra-indicada para Pedro,

Poderíamos fazer dezenas de exemplos diferentes, mas vamos apenas expor o quão patéticas são estas limitações, uma a uma.

a) As restrições às armas de defesa do “cidadão comum” não fazem sentido. Se essas armas são utilizadas para a defesa, é de se esperar que as armas curtas – especialmente – tenham o maior calibre possível. Ainda assim, a literatura internacional aceita que os melhores calibres de armas curtas ainda não são os mais adequados para este fim.

b) Limitar os calibres dos atiradores é ainda mais ridículo. Os atiradores são de longe as pessoas melhor treinadas no país quando o assunto é arma de fogo. Ninguém, mais do que eles, têm competência e responsabilidade para utilizar quaisquer armamentos, independentemente das características elencadas na introdução deste texto. Um atirador que pode utilizar um rifle .308win, pode, perfeitamente, manusear um .30-06 ou um 5,56.

c) Quanto aos caçadores, poucos são os calibres que ultrapassam os tais 16.290 Joules, (12,7x108mm, .50BMG, p.ex.) portanto, além de risível, a restrição é, também, praticamente inócua.

d) No que se refere aos colecionadores, vale lembrar que, pela legislação em vigor, o colecionador não pode adquirir munição para as armas apostiladas em sua coleção. O que torna a restrição um enorme exercício de futilidade.

Agora vamos para a parte cruel:

e) Por que autorizar, em uma lista exaustiva os calibres específicos permitidos ao tiro esportivo, se já existe a contraditória limitação quanto à energia? E se amanhã lançarem um cartucho novo? Vamos ter que esperar a boa vontade de uma nova norma? Sim, vamos.

f) Por que o Exército Brasileiro tem tanto medo que os atiradores e os demais cidadãos comprem armas no calibre .50 (sem sobrenome)? Será que ser acertado por um .50BMG no dedão do pé é mais grave que ser acertado por m .22LR no olho? E será que custava para o legislador colocar nome e sobrenome do calibre? Como ficam os calibres .50AE, .500SW, .50 Beowulf, etc?

g) Por que o Exército Brasileiro tem tanto medo das carabinas .40SW? Se elas são seguras para a Polícia, por que não são seguras para o povo? Idem para as .30M1.

h) Fazer um dispositivo para restringir exclusivamente UM MODELO de pistola é, provavelmente, a coisa mais incrível já vista na história do Direito. Ter a preocupação em proibir exclusivamente a FN 5.7 é a mesma coisa que proibir exclusivamente a importação de “Lamborghinis Veneno”. Vai que alguém ultrapassa o limite de velocidade, não é?

3. Para finalizar

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É evidente que tem muita coisa errada na legislação, e que a necessidade de mudanças urge. Resta saber quando é que os legisladores e o Exército Brasileiro vão se dar conta da gravidade disso.

O Instituto DEFESA tem o papel estatutário de informar e organizar a sociedade na busca pelos seus direitos referentes ao acesso às armas e à legítima defesa.  Seria ótimo que os responsáveis recuperassem o mínimo de bom senso inerente a todo ser humano e poupassem o brasileiro, já tão carente de meios de defesa, de mais estas preocupações.

Todavia, caso haja a contínua omissão ou, mais grave, qualquer ação no sentido de recrudescer ainda mais os inaceitáveis termos do acesso às armas no Brasil, estaremos prontos para fazer valer a democracia e verdadeira liberdade do povo brasileiro.

Unidos somos invencíveis.

 

 

Limitar o número de armas por pessoa não faz sentido

Lucas Silveira – Presidente do Instituto DEFESA

A legislação em vigor no Brasil é consubstanciada por incontáveis erros teóricos, premissas infundadas, ideologias ultrapassadas e, principalmente, muitos interesses escusos. Isso gera aberrações jurídicas como distorções de proporcionalidades, proibições inócuas e tentativas risíveis de regulação.

 

1. Como funcionam as limitações quantitativas

Um dos muitos absurdos previstos na legislação de armas no país é a limitação quantitativa de armas por pessoas.  Trata-se de limitação imposta pelo Exército Brasileiro, e levada a efeito por ele próprio e também pelo Departamento de Polícia Federal.

As limitações são diferentes para o cidadão comum, para atiradores, caçadores e colecionadores. Por incrível que pareça,  mesmo para os colecionadores, ainda existem restrições quantitativas, conforme veremos a seguir.

Comecemos pelas limitações às armas do cidadão comum, a serem registradas no SINARM (Polícia Federal).

 

1.1. Aquisição de armas por cidadãos comuns

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O art. 5º da portaria No  36-DMB, DE 09 DE DEZEMBRO DE 1999 (sim, é uma portaria, não é uma lei, nem um decreto) prevê o seguinte:

                        Art. 5º  Cada cidadão somente pode possuir, como proprietário, no máximo, 6 (seis) armas de fogo, de uso permitido, sendo:

I      – duas armas de porte;

II     – duas armas de caça de alma raiada; e

III    – duas armas de caça de alma lisa.

Como se não bastasse, o Exército Brasileiro limitou ainda a velocidade de aquisição destas armas. Limitando a apenas uma arma, por tipo, por ano, conforme segue o art 6º da mesma portaria:

                        Art. 6º  Qualquer cidadão idôneo e capaz poderá adquirir, no período de um ano, observado todavia o disposto no art. 5º, até três armas, de uso permitido, diferentes, sendo cada uma delas de um dos seguintes tipos:

I        – uma arma de porte (arma curta ou de defesa pessoal): revólver ou pistola;

II       – uma arma de caça de alma raiada (para caça ou esporte): carabina ou fuzil; e

III      – uma arma de caça de alma lisa (para caça ou esporte): espingarda ou toda arma congênere de alma lisa de qualquer modelo, calibre e sistema.

1.2. Aquisição de armas por atiradores

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Já o Art. 6º, da PORTARIA No 004 – D Log, DE 08 DE MARÇO DE 2001 (mais uma vez uma norma infralegal), determina os limites quantitativos para os atiradores esportivos, conforme segue:

Art. 6o Cada atirador pode possuir até 12 (doze) armas, sendo até 4 (quatro) de uso restrito, nos calibres devidamente autorizados pelo Departamento Logístico – D Log.

§ 1o Em casos excepcionais, devidamente justificados, esses limites poderão ser ultrapassados, com autorização do D Log.

A primeira vista, alguém menos familiarizado com o tiro esportivo pode pensar que se trata de número razoável, afinal 12 armas não é pouca coisa. Ocorre que as armas tradicionalmente utilizadas no tiro esportivo são as armas de uso restrito, limitando a capacidade dos atletas, portanto, a ridículas 4 armas.

1.3. Aquisição de armas por caçadores

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As atividades dos caçadores são “reguladas” pela PORTARIA No 005 – D Log, DE 08 DE MARÇO DE 2001, também do Exército Brasileiro.

De modo semelhante à prática dos atiradores, existe restrição quantitativa as armas dos caçadores, especialmente quanto às armas de uso restrito (queria ver alguém caçar um javali com um .380ACP – uso permitido):

Art. 6o Cada caçador pode possuir até 12 (doze) armas, sendo até 4 (quatro) de uso restrito, nos calibres devidamente autorizados pelo Departamento Logístico – D Log.

 

1.4. Aquisição de armas por colecionadores

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Imagine que você seja um colecionador de carros. Então o DIRETRAN cria uma norma dizendo que você apenas pode colecionar carros de até 100cv, ou que você não pode ter dois fuscas ou dois Ford 1939. É mais ou menos isso que o Exército Brasileiro faz com os colecionadores de armas.

Vamos tratar melhor dos absurdos exigidos pelo Exército dos colecionadores em um texto específico. Por hora, tratemos exclusivamente das limitações quantitativas.

De acordo com a PORTARIA No 024 – DMB, DE 25 DE OUTUBRO DE 2000: 

Art. 7º O Colecionador poderá ter coleção de munição, onde não pode ter mais de um cartucho com exatamente as mesmas características e inscrições; poderá ter uma caixa original com a respectiva munição de arma de porte ou portátil, desde que considerada obsoleta ou impossível de execução de tiro.

(…)

Art. 10. Ao colecionador é permitida a posse e a propriedade de armas não enquadradas no artigo anterior, uma de cada tipo, marca, modelo, variante, calibre e procedência.

(…)

Art. 12. Só é permitido manter até três exemplares de cada tipo, modelo e procedência de viatura militar não blindada e até um exemplar de cada tipo e modelo de viatura blindada e de qualquer armamento pesado.

 

2.  Por que limitar o número de armas por pessoa?

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Como de praxe, restrições às armas nada têm a ver com segurança pública. Os limites quantitativos não são exceção. Não existe nenhuma evidência científica, estatística ou histórica que corrobore a necessidade deste tipo de restrição.

A limitação do número de armas por cidadão não tem fundamento. Os dispositivos supracitados são exemplos típicos de legislação que ultrapassa todos os limites do razoável pelo seu excesso.

É evidente que um cidadão não está mais propenso a cometer crimes se tiver 1, 2 ou 100 armas.

Há quem pense que o grande número de armas com uma só pessoa poderia facilitar o acesso às armas pelos marginais, em caso de furto ou roubo. Nesse caso convêm três questionamentos:

a) É impossível que o acesso às armas seja ainda mais fácil para os bandidos. Eles já têm as armas que querem, e quando querem, ao contrário dos cidadãos, que são coagidos pelo legislativo, pelas polícias e pelo Exército.

b) Se o problema é o grande número de armas, por que então tratamos de pífias duas unidades por tipo? Bem longe do que se pode chamar de “grandes quantidades”.

c) E quanto às munições? Se elas estão desativadas e não servem para o uso, por que a limitação?

 

3. Alguns – dos infinitos – efeitos deletérios das restrições quantitativas

Em uma nação razoavelmente livre, cidadãos não precisam justificar suas liberdades, seus desejos, sua livre iniciativa. São as proibições que devem ser exaustivamente comprovadas, justificadas, dosadas.

O tema em pauta poderia ser esgotado no item anterior, sem a menor necessidade de se demonstrar como o cidadão é prejudicado pela legislação elaborada e mantida, principalmente, pelo Exército Brasileiro.

Todavia, com o intuito de colocar uma pedra sobre tudo isso e esmagar qualquer tentativa de justificar o injustificável, tracemos alguns exemplos – dentre os infinitos – de como apenas o cidadão idôneo, e nunca o bandido, o ladrão, o assassino ou o estuprador, é prejudicado pelos limites expostos.

 

Exemplo I: Armas em diferentes lugares

O Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) proibiu o porte de armas no Brasil, exceto para os chamados amigos do Rei elencados em seu Art. 6º.

Assim, o cidadão, vítima dos criminosos, não pode trazer consigo arma pronta para o uso e, graças as negativas da Polícia Federal em relação às Guias de Tráfego, também não pode transportá-la de outra forma.

Dessa forma, se o cidadão quer se defender em sua residência e no seu ambiente de trabalho, deve ter uma arma registrada em cada um desses locais. Mas e o cidadão que alternadamente vive em dois ou mais lugares?

Imagine que um estudante dedicado faz seu Doutorado em São Paulo, onde aluga um apartamento. Todavia, ele exerce sua profissão no seu escritório em Salvador, onde tem sua casa.

Caso o sujeito prezasse pela sua vida, pelos seus bens e pela sua família, deveria ter uma arma para cada um desses três (ou quatro) lugares, todavia a legislação permite apenas duas armas de cada tipo.

 

Exemplo II: Atiradores sem reserva

Quantos pares de chuteiras têm um jogador de futebol profissional? Quantos carros têm um piloto de corrida? Quantos kimonos têm um judoca? Quantos tênis têm um maratonista?

Nenhum atleta quer que seu desempenho esportivo seja limitado ao acaso, às adversidades. Independentemente da modalidade, todos querem ter uma reserva de seu implemento esportivo, de seu equipamento.

Os atiradores, contudo, têm uma limitação de quatro armas de uso restrito.

Imagine que este atirador pretenda competir em duas divisões ou modalidades distintas. A reserva cai pela metade.

Tudo fica ainda mais complicado quando existem restrições ao apostilamento no acervo de colecionador. Vamos ao caso hipotético?

João foi campeão mundial de tiro com fuzil e compete tiro com pistola no âmbito nacional, tendo apenas uma arma reserva para cada modalidade. Na próxima temporada pretende trocar de categoria, mas obviamente não quer se desfazer da arma que fez dele o melhor na modalidade que praticava. E agora?

 

Exemplo III: Nada de novos atiradores

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Com as incontáveis restrições ao acesso às armas, é comum que os atiradores participem das competições com armas de terceiros. Especialmente aqueles menores de 25 anos, a quem é vedada a aquisição de armamento.

Ora, se eu empresto uma das minhas armas ao meu filho, o problema do Exemplo II, fica ainda mais grave.

O mesmo raciocínio vale para os iniciantes mais velhos. Com a crescente demora na emissão dos Certificados de Registro e nas autorizações de compra, quem não consegue uma arma emprestada simplesmente desiste de praticar o esporte. Será que algum corredor esperaria um ano e meio para treinar pela primeira vez?

 

Exemplo IV: Colecionadores de mentirinha

Coloque-se no lugar de um colecionador que ganha de um amigo  uma pistola de uso restrito rara, mas semelhante a uma que ele já tem.

Nenhum colecionador de nada no mundo recusaria um item raro. Se ter um item raro é bom, quem dirá ter dois deles.

No Brasil, contudo, os colecionadores são obrigados a “recusar” raridades para não ofender as dogmáticas normas expedidas pelo Exército Brasileiro.

 

Exemplo V: Caçadores que não caçam

A caça é uma prática muito pouco comum no Brasil. Nos países onde a caça é difundida, as taxas cobradas dos caçadores são a maior fonte de recursos para a preservação do meio ambiente, de maneira que em muitos casos, a legalização da caça implica em crescimento populacional da fauna (veja um exemplo).

O IBAMA permite apenas a caça do Javali em território nacional. Aqueles que desejam caçar outros animais devem fazê-lo ilegalmente ou dirigirem-se a outros locais, como é comum.

Animais devem ser caçados com um calibre condizente ao seu porte. Ou seja, não é possível caçar Javali com .22LR, nem é muito interessante caçar Veados com 12 Gauge. Eu não me arriscaria a ir num big game com um 5,56.

Apenas na África do Sul, a legislação aprova a caça de 53 (cinquenta e três) espécies diferentes.

De quantas armas um caçador precisa? Não sei. Mas eu garanto que não são apenas quatro.

 

Exemplo VI: E se você quiser ter mais de 2 armas e não ser atirador, colecionador ou caçador?

Imagine agora um cidadão que apenas quer comprar três pistolas. Não interessa o motivo, ele apenas quer ter as três armas, para usar como defesa, para mostrar para os amigos ou usar como peso de papel, não importa.

Ele não quer ser atirador, colecionador nem caçador. Apenas quer ter essas três pistolas legalmente.

Não pode. Por quê? Porque o Exército não deixa.

Razoável? Bem longe disso.

 

 4. Conte-nos sua história

E você? Já foi prejudicado pelas limitações numéricas de armas? Conte-nos sua história, comente este post.

Por que armas não devem ser registradas

Lucas Silveira – Presidente do Instituto DEFESA

Um texto que sempre causou polêmica no defesa.org foi o intitulado “A obrigação de registrar armas não tem fundamento“, no qual fica comprovado como os registros de armas não servem àquela função que muitos acreditam que devesse servir.

Se você ainda não leu este artigo, é interessante que você o leia antes de continuar.

Se você já leu o texto, então já deve saber, entre outras coisas, que:

  •  O registro de armas não previne crimes;
  • O registro de armas não ajuda a desvendar crimes;
  • O registro de armas não protege o cidadão;
  • O registro de armas não foi criado por razões de segurança;
  • O registro de armas não é usado em diversos países desenvolvidos.

Agora que já ficou claro como a obrigação de registrar armas não tem fundamento, podemos desenvolver o assunto um pouco mais e comprovar também como não apenas o registro não traz nenhum benefício, como também é extremamente prejudicial à sociedade. Leia o artigo completo »

.380 x .38, Qual a melhor escolha?

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Claudio Cisne Cid, Agente Penitenciário Federal, 43 anos, atirador desportivo há 23 anos.

Muitos, ao pensarem em adquirir sua primeira arma de defesa fazem essa pergunta, e na maioria das vezes não conseguem uma resposta 100% satisfatória, gerando uma “confusão” maior ainda, em vista das diversas lendas urbanas e inverdades sobre esses dois calibres, ditos pelos pseudo-experts de plantão.

Este artigo, tem por fim tentar elucidar algumas dúvidas, e auxiliá-lo na escolha de sua arma de defesa, assim como o calibre que você escolher.

Primeiramente, é necessário que o operador do armamento tenha em mente que não existe calibre/armamento perfeito, cada um tem seus pontos fortes e fracos, e, dentro destas características, cabe a você fazer a escolha que se adapte a melhor a suas necessidades.

Por questão de ordem cronológica, começaremos pelo famoso Três Oitão, conhecido por .38 SPL ou .38 S&W Special.

.38 Special

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Lançado em 1898, com fins militares, foi originalmente foi desenvolvido para uso em revólveres, havendo porém, algumas pistolas desenvolvidas para o calibre.

Foi também disponibilizado no mercado civil/policial sendo que a maioria dos departamentos de polícia dos EUA o adotou como arma padrão a partir de 1920.

Foi largamente usado até a década de 80, quando houve significante crescimento no consumo de entorpecentes e, consequentemente na agressividade dos criminosos, perdendo espaço para calibres como o 9mm, .45 ACP e o .40S&W. Alguns dos modelos mais famosos e preferidos pelas forcas policiais foram foram o  o Smith & Wesson Model 15, Ruger Security Six,Colt Police Positive , dentre outros.

No Brasil, há tempos vem perdendo espaço para o .40 S&W, calibre de dotação da maioria das forcas policiais brasileiras, porém ainda comumente visto no coldre e em mãos dos profissionais de segurança pública por todo país.

Sua simplicidade de funcionamento e operação, rusticidade e preço, fazem dele uma boa escolha como arma de defesa.

Seu maior “defeito” reside na baixa capacidade de munição em face da grande maioria das pistolas modernas, que possuem em média um mínimo de 13 cartuchos em um único carregador.

O calibre possui um poder de parada razoável, e recuo completamente tolerável, que, aliado a munições tipo +p ou +p+  fazem do calibre uma excelente escolha para defesa pessoal, sendo ainda usado largamente nos EUA para esse propósito.

.380 ACP (Automatic Colt pistol)

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Criado pelo famoso designer de armas John Moses Browning (criador da famosa Colt 1911 no calibre .45) e introduzido no mercado pela Colt Firearms em 1908, possui diversas designações como .380 Auto, 9mm Browning, 9mm Corto, 9mm Kurz, 9mm Short, e 9x17mm.

Devido ao baixo recuo e bom poder de fogo (capacidade), é um calibre comumente usado para autodefesa nos EUA, sendo que todos os grande experts americanos o consideram como o calibre mínimo aceitável para autodefesa em termos de poder de parada e energia, sendo também muito usado como arma de reserva, ou back-up gun.

Liberado para uso civil pelo DFPC apenas em meados da década de 80, foi introduzida a primeira pistola no calibre pela Taurus, em seu modelo 58 que comportava 12+1 cartuchos, a época uma capacidade tida como “incrível” para o civil,  já acostumado com os 6 tiros do .38 Spl.

Devido as restrições legais em nosso país, é um calibre largamente usado por civis, possuindo uma número muito satisfatório de modelos para escolha, com várias opções de tamanho, peso e capacidade.

Com a criação da categoria .380 Light no IPSC, difundiu-se mais ainda, sendo comumente visto nas competições de tiro prático e clubes de tiro ao redor do Brasil.

Seu baixo recuo permite uma excelente cadência de tiro e agrupamentos consistentes, que, aliados a uma capacidade média de 15 cartuchos fazem do calibre uma boa escolha para autodefesa. Se considerarmos que caso o operador leve 2 carregadores extras, sua capacidade vai além de 45 tiros, veremos que o poder de fogo de uma pistola .380 é mais que suficiente para a defesa. Pistolas como a Taurus PT 638, com frame de polímero passam que completamente despercebidas no porte dissimulado, além de serem extremamente leves e confortáveis na cintura, devido a seu baixo peso.

A essa altura, talvez alguns estejam se perguntando “E minhas dúvidas?!?!?”

Passemos para elas então! Dividi os quesitos que achei mais significantes no que toca a uma arma de defesa e os listei a seguir:

1-PORTABILIDADE:

Em uma arma de defesa, a portabilidade é essencial, pois diferentemente da arma de serviço/combate esta precisa estar sempre de forma completamente dissimulada.

Ambos os calibres possuem vasta gama de modelos, de diversos comprimentos de cano e acabamento, por haverem modelos em polímero para o .380 poderia achar-se que a vitória é do mesmo, mas há também modelos como o Ultra-Lite da Taurus que possuem chassi de duralumínio e reforço de Titânio em pontos críticos, sendo uma arma extremamente leve no calibre .38. Neste ponto, em minha humilde opinião creio não haver vantagem significativa para nenhum dos dois.

2-PODER DE FOGO:

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Indiscutivelmente, a pistola .380 é ganhadora FOLGADA deste item, pois mesmo um revólver de 8 tiros com jet-loader (carregadores) extras não é páreo para a capacidade de uma PT 58HC (19+1).

3-CONFIABILIDADE E MANUTENÇÃO:

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Por sua extrema simplicidade de operação e funcionamento, o revólver leva vantagem nesse quesito, pois caso haja falha da munição, é necessário apenas premir o gatilho novamente. Armas semiautomáticas podem apresentar panes diversas (chaminé, dupla alimentação, nega, mal funcionamento de carregadores etc), que demandam maior treinamento/tempo para solução e um efetivo retorno ao combate.

Infelizmente já vi munições recém-saídas da  caixa ou do blister apresentarem falha em seu funcionamento ou mesmo diferenças de medidas, fato inaceitável sob qualquer prisma.

Lembro-me de um colega de tiro que ao abrir um blister de 10 munições novas teve 3 cartuchos com falhas de funcionamento (nega).  Nem precisamos imaginar o que aconteceria caso fosse em uma situação de defesa…

Infelizmente, parece que a indústria brasileira ainda “escorrega” em seu controle de qualidade nos produtos destinados ao mercado brasileiro, já que lá fora muitos dos MESMOS produtos que se encontram aqui para venda, recebem prêmios diversos, (o que é no mínimo “estranho” concordam?).

Paralelamente a isso, o revólver é uma arma de fácil manuseio e funcionamento, o que o torna extremamente simples de usar, até mesmo por  pessoas que nunca tiveram contato com uma arma de fogo em sua vida. Simples de limpar e extremamente mais tolerante a sujeira que a pistola, é o famoso “pau para toda obra”.

Revólver Wins!!!

4-PODER DE PARADA:

Conhecido também como Stopping Power, ou choque hidrostático, é a capacidade que determinada munição/calibre possui de imediatamente, com um único disparo, cessar a agressão, incapacitando o agressor e consequentemente impedindo-o de continuar seu ato criminoso.

Notem que usei o termo incapacitar propositalmente, pois como profissionais de segurança pública que somos, ou mesmo cidadãos de bem, nosso objetivo maior é o bem da vida, e, caso ocorra o óbito do elemento atingido, tal fato deveu-se única e apenas por  sua conduta criminosa,  devendo o criminoso assumir os riscos que dela podem advir.

Neste ponto, é necessário fazer um parêntese, pois entraremos em uma área mais técnica, e procurarei manter a linguagem o mais simples possível.

Tão importante quanto a energia gerada por um projétil/munição, é a capacidade que o mesmo possui de transferi-la ao corpo, transferindo sua energia e criando o trauma necessário para  neutralizar o agressor. Necessário aqui um alerta, MUNICOES OGIVAIS NÃO SE PRESTAM A ESSE FIM COM BOA EFICIÊNCIA, pois a menos que acertem algum órgão vital, possuem baixíssima deformação e consequentemente transferência de energia para o alvo. Sendo assim tratarei apenas de munições ponta oca ou hollow points.

Abaixo, elaborei uma pequena tabela com as características balísticas de ambos os calibres.

 

Munição

Projétil

Balística

Peso (grains)

V m/s

E (Joules)

ifhifhgidfhgi.380.380 Auto

1

.380 EXPO +P Gold

85

330

300

8.38 SPL

2

.38 EXPO +P+ Gold .

125

310

389

.40 S&W

3

.380 ETOG +P Silver Point

95

308

293

.45 Auto

4

.38 CHOG (chumbo ogival)

158

229

268

9mm Luger

5

EXPO +P+ Silver Point

125

305

377

V (Velocidade) e E (Energia) medidas na boca.

A tabela abaixo é mais completa que a fornecida pela CBC, possuindo a capacidade de penetração em gelatina balística, assim como a expansão do projétil.

Fabricante Tipo Peso (grains) Velocidade (ft/s) Energia (Joules) Expansão (Pol.) Penetracão (Pol.)
Cor-Bon JHP +P

90

1050

298

0.58

9.0

Federal HydraShok JHP

90

1000

271

0.58

10.5

Futuramente, faremos um artigo apenas sobre poder de parada (Stopping Power), pois o tema é extenso e polêmico, e fugiria do tema do nosso artigo.

(Confira tabela de stopping power no defesa.org clicando aqui)

Em um teste puramente ilustrativo, feito em barra de sabão, Fica claro que as cavidades causadas com o .38+p ou +p+ são superiores as que foram obtidas com o .380+p

Também no quesito penetração há uma vantagem para o .38 que em média penetrou no mínimo 4/5 cm a mais que o melhor índice obtido com a .380.

Os testes foram efetuados com um revólver  Taurus, modelo 82  (Cano de 102 mm) e uma Glock modelo 25 (Cano de102 mm)

Neste Round é inconteste a vantagem do .38 nas suas configurações +p ou +p+ diante do .380.

EMPUNHADURA:

Aqui não há discussão, (a não ser que você esteja disposto a gastar aqui no Brasil  umas belas 100 DOLETAS numa Pachmayr ou Hoghe) a empunhadura e ergonomia proporcionada por uma pistola média SEMPRE será superior a de um revólver… E quanto melhor a empunhadura… (preciso continuar???)

CONCLUSÕES

Sem polemizar o eterno debate, acho que acima das vantagens/desvantagens dos dois calibres/tipos de armas,  esta a SEGURANÇA  a DESTREZA e EFICIÊNCIA que o atirador possui com sua arma.

De que vale o “assovio” causado por um 357 Magnum no marginal se um .22 lhe atingiu em cheio em uma região vital?

Dois disparos bem agrupados em sequência (double tap) na região superior do torso criarão certamente o trauma necessário para cessar a agressão contra você (ou, no mínimo desencorajar o elemento)… Lembre-se seu objetivo não é o COMBATE, mas a sua DEFESA.

Sinto-me completamente seguro tanto com meu “resólver” (.38 de 3 polegadas), ou minha Glck G25 para minha defesa pessoal, pois o treinamento e a intimidade que possuo com ambos, além do treino periódico me permitem isso .

A pistola é e SEMPRE SERÁ uma arma superior de combate/defesa, porém a principal vantagem/superioridade está no OPERADOR da arma.

Treine com munição regularmente (2-3 vezes ao ano) treinamento é INVESTIMENTO não despesa… Comprar uma arma, independente qual seja e guardá-la no armário é,  no mínimo temerário.

O treino a seco deve ser feito SEMANALMENTE (saque, troca de carregador, visada, etc) leva apenas 10 minutos do seu dia, (e um dia poderá salvar sua vida)…

Lembre-se, um bom atirador/operacional não se antecipa NEM DESEJA o confronto, porém está sempre preparado para ele.

A Tríade do Combate de Jeff Cooper

Nunca é demais frisar a importância do Coronel Jeff Cooper para o combate armado moderno. Suas contribuições para as técnicas, táticas e estratégias pertinentes a esta realidade são divulgadas hoje e, certamente, persistirão por décadas e até séculos.

cooper Um grande legado deste excepcional profissional foi o conceito da chamada Tríade do Combate (Combat Triad), uma reunião dos três pontos fundamentais  para a sobrevivência em combate.

A cada um desses pontos deve ser dada proporcional atenção, evitando treinar um especial e negligenciar outros.

Vejamos:

1. Habilidades de tiro

2. Manuseio da arma

3. Preparo psicológico

 

 

Tríade do Combate

 

1. Habilidades de Tiro (Marksmanship)

É a competência em controlar o armamento a fim de efetivamente acertar com precisão o alvo desejado.  Envolve os fundamentos do tiro como postura, empunhadura, alinhamento do dispositivo de pontaria e controle do gatilho.

2. Manuseio da Arma (Gunhandling)

Compreende o emprego da arma desde o saque até a sua apresentação ao combate, seu manuseio com segurança, a solução de falhas, recarga e etc.

3. Preparo Psicológico (Mindset)

Talvez o mais negligenciado nos treinamentos, envolve a preparação emocional para situações de estresse extremamente elevado. Você pode conseguir acertar um alvo de 10cm com a sua pistola, a 20 metros, e inserir um carregador novo antes que o usado toque o solo, mas será que você consegue fazer isso ouvindo disparos sendo feitos em sua direção?

Este ponto tem relação direta com o Código de Cores de Cooper, apresentado em outro artigo.

Para cada arma comprada, paga-se duas para o Estado

Imagine-se caminhando entre as prateleiras de um mercado, fazendo suas compras habituais e procurando por boas promoções para encher o carrinho. No meio do trajeto, encontra um anúncio: “Não perca! Pague três e leve uma”.

“Absurdo.”, você pensa, e rapidamente conclui: “erraram ao escrever o anúncio”. De fato é absurdo, e de fato estaria errado, a não ser que o anúncio tratasse de armas de fogo no Brasil. Leia o artigo completo »

Esporte IPSC. Ensinamentos que preparam para a vida

Por Alessandra Salazar
Assessora de Comunicação- CBTP
Conheça a Confederação Brasileira de Tiro Prático: http://www.cbtp.org.br/

Esporte é definido pelo dicionário Aurélio como o “conjunto de exercícios físicos que se apresentam sob a forma de jogos individuais ou coletivos, cuja prática obedece a certas regras precisas. Aperfeiçoa as qualidades físicas do homem”. Essa concepção se encaixa perfeitamente dentro das diretrizes do que é o Tiro Prático, regularizado pela Confederação Brasileira de Tiro Prático-CBTP, maior autoridade do esporte no país. A modalidade proporciona equilíbrio perfeito entre o físico e o mental, associa concentração, precisão e rapidez, raciocínio rápido, destreza, força, disciplina, sempre visando principalmente, a segurança dos atletas participantes das competições. Todas essas características são imprescindíveis para a vida, e quanto mais cedo aplicadas, mais se formam cidadãos preparados para a vida.

Para essa I Etapa Sudeste do XXVII Campeonato Brasileiro de IPSC que acontece nesse próximo final de semana, 28 a 30 de março de 2014, oito esportistas menores de idade estão inscritos. Um desses atletas, o estudante amazonense de 13 anos,

Mário Ramos Batista Neto, começou a praticar o esporte por influencia do pai, Mário Ramos Batista Junior, de 41 anos. “O Tiro Prático é um esporte que proporciona ficar junto com a minha família, principalmente meu pai, praticante de IPSC”. Mário foi Campeão Brasileiro Junior em 2013, 5º lugar no Overall pela categoria Light, Campeão Amazonense. Hoje pratica a divisão Standard, com treinos duas vezes por semana. Foi considerado no ano passado o atleta mais novo do desporto. Vê o IPSC como uma janela para o mundo, oportunidade de representar o país em campeonatos de destaque mundial. Crescimento profissional e pessoal. “Por causa do convívio que tenho com outras pessoas, o Tiro me ajudou a amadurecer. Veio complementar algo que eu já havia aprendido no Judô, a maior vitória nem sempre é o primeiro lugar. Há outros valores. Concentração e foco fazem parte do meu objetivo. Além disso, minha responsabilidade com os meus estudos aumentou. Estou em um colégio muito exigente e não decepciono, minhas notas aumentaram”, afirma o jovem. Ainda segundo Mario, o IPSC é um esporte em que ele consegue se divertir muito e ao mesmo tempo, aprender.

Outro jovem que vê o Tiro Pratico como ensinamento para a vida é o Luís Otávio Camargo Leal Barreiros. O estudante paulista de 16 anos, assim como Mário, começou a praticar o esporte no final de 2012 por influência do pai. O adolescente afirma que o esporte tem sido um dos pilares no seu crescimento pessoal. “Requer muita dedicação, seriedade, responsabilidade, enfim muita disciplina. Todos estes fatores fizeram com que eu tivesse um amadurecimento pessoal muito grande. O IPSC me fez mais responsável, mais focado, mais determinado nos meus afazeres do dia a dia. Tive uma sensível mudança na minha vida e posso afirmar, foi para melhor!”, destaca o jovem, um apaixonado pelo Tiro Prático.

Nunca houve nenhum acidente envolvendo o esporte. As exigências para a prática do esporte são muitas e severas. Luis Otavio explicita que essa preocupação que os órgãos responsáveis têm com a segurança no esporte é um adicional que o motiva a praticar sempre o Tiro Pratico. “Para que uma pessoa se torne um atleta da modalidade é necessário ser aprovado em uma série de avaliações, expedidas por um avaliador devidamente registrado na Polícia Federal e no Exército Brasileiro. Sem qualquer tipo de dúvida posso afirmar com propriedade que o Tiro Prático é um esporte extremamente seguro. É maravilhoso. Difícil falar de algo que tanto amo”, conclui o jovem atleta.

MRB
Mário Ramos Batista Neto, estudante, 13 anos.
Filiado à Federação Amazonense de Tiro Prático

Este texto foi extraído do Informativo CBTP enviado em 28 de Março de 2014, com a autorização expressa da presidência da Confederação.

Atirando no céu – Um pouco sobre a física do tiro para o alto

Nós frequentemente recebemos perguntas sobre atirar verticalmente para o ar. A pergunta mais frequente é: “Os projeteis disparados para o alto vão retornar para a terra na mesma velocidade em que eles saíram da arma?”. Outras perguntas são: “Quão longe um projétil pode viajar quando disparado verticalmente e quanto tempo leva para que ele volte?” ou “O projétil caindo tem energia suficiente para ser letal se acertar alguém no chão?”
Leia o artigo completo »

Como tratar um desarmamentista

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.
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Para quem ainda não viu, assista o vídeo acima. Do lado que defende o direito à posse e ao porte de armas, temos Ben Shapiro, advogado, consultor de mídia e editor dos excelentes sites Breitbart News e TruthRevolt. Do outro lado, representando o desarmamento, Piers Morgan. Para quem não conhece, Morgan substituiu Larry King no programas de entrevistas noturno da CNN. Antes disso, ele foi diretor de diversos tabloides na sua Inglaterra natal. Ainda esteve envolvido no esquema de escutas ilegais, que jornalistas ingleses utilizavam, como fonte de matérias, segundo apontou o relatório Levenson. Perdeu os cargos que ocupava, e foi para os Estados Unidos. Defender o desarmamento.

Piers Morgan já teve outros debates com defensores de armas, como Larry Pratt e Alex Jones, mas nesse com Shapiro podemos ver (e desmontar) boa parte dos argumentos do outro lado.

Ele começa mencionando um acidente lamentável, no qual um garoto matou a irmã. A culpa, segundo ele, seria da empresa, que anuncia produtos que “não são apropriados para crianças”. Só se esquece da responsabilidade dos pais, de deixar uma arma ao alcance de uma criança. E não ensinar que crianças JAMAIS devem mexer em armas (ou remédios, ou produtos de limpeza, ou fogo, ou até mesmo a internet) sem a estrita supervisão de um adulto responsável. Acidentes por acidentes, janelas e piscinas são responsáveis proporcionalmente por mais mortes de crianças do que armas de fogo. E até hoje não vi um movimento anti piscina.

Para Piers Morgan, a uma saída para isso é uma nova lei, regulamentando ou banindo as propagandas de armas. Como jornalista, sou obrigado a dar um conselho a todos que me leem: sempre desconfie quando alguém da imprensa diz “deveria ter uma lei para…”. A sanha legalista e regulamentadora da mídia em geral costuma superar, e muito, a da maioria da população. Como se leis cheias de “lindas” intenções muitas vezes não criassem consequências desastrosas. Vide nosso Estatuto do Desarmamento. Na intenção de nos salvar de nós mesmos, nosso governo nos desarma, não faz absolutamente nada sobre a criminalidade e ainda nos pune quando tentamos nos defender. Com apoio quase que total dos Piers Morgans daqui.

Ben Shapiro logo toca num ponto crucial do discurso dos desarmamentistas: eles se esquecem (ou evitam) sempre que podem, falar sobre experiências desastradas de desarmamento. Ao mencionar Chicago, uma das cidades americanas com leis mais restritivas para a compra e posse de armas, em comparação com outras cidades de lá, Shapiro demonstra que restrição de armas na população civil serve apenas para aumentar a violência. Para ficar apenas na realidade americana, basta comparar os números de Michigan (rígidas leis anti armas), com o Texas (poucas regulamentações). Se compararmos com o Brasil então, ficaria vexatória a situação. Mas, como é de hábito, as três primeiras coisas a desaparecer quando um desarmamentista começa a falar são os fatos, as estatísticas e a lógica.

Piers Morgan ainda questiona o fato de que, segundo uma pesquisa, parte da população americana se atém as suas armas por medo de um governo autoritário. Para uma pessoa vinda de um país com longa tradição democrática, como na sua Inglaterra, essa “paranoia” pode fazer pouco sentido. Os americanos pensam diferente, já que tiveram que pegar em armas para ser independentes. Talvez Piers pensasse de outra maneira, caso fosse brasileiro. Dos 100 anos do século XX, ficamos quase 40 sem poder eleger nosso presidente. Acreditar piamente nas boas intenções dos governantes (qualquer um) é o mesmo que acreditar que se pode evangelizar uma casa de tolerância.

No final, Piers Morgan ainda se diz a favor apenas da proibição de armas de assalto. Ou seja, um desarmamentista light. Mas, infelizmente, as coisas começam assim. Nada melhor para cozinhar uma rã sem ela perceber do que jogar numa panela fria e ir esquentando aos pouco. Essa é basicamente a tática de quem defende o desarmamento. Um dia, pedem a proibição de determinado tipo de arma, dizendo que vão parar ali. Como são bem sucedidos na empreitada, logo seguem, aos poucos, retirando o resto. Exatamente como fizeram conosco, aqui no Brasil.

Cabe a nós, defensores da defesa do indivíduo, demonstrar as falácias, erros, ausência de lógica e falsidades do discurso de quem defende o desarmamento, como Ben Shapiro fez na entrevista. Para isso, temos que conhecer os inimigos que nos cercam. E não são poucos.

Catraca Livre de armas

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

O Catraca Livre não gosta de armas. Até aí, nada demais. Ninguém é obrigado a gostar (ou desgostar) de alguma coisa. Eu, por exemplo, não gosto de um monte de coisas. Não gosto de pessoas que não gostam de armas, e querem desarmar os outros por causa disso, por exemplo. Pessoas com hoplofobia (medo irracional de armas de fogo) me irritam. Quando esse medo se mistura à ignorância então, sai de baixo. Felizmente, ainda somos livres para ter nossos gostos e desgostos. Nessa semana, o Catraca Livre sintomaticamente mostrou as suas preferências. Leia o artigo completo »