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A Tríade do Combate de Jeff Cooper

Nunca é demais frisar a importância do Coronel Jeff Cooper para o combate armado moderno. Suas contribuições para as técnicas, táticas e estratégias pertinentes a esta realidade são divulgadas hoje e, certamente, persistirão por décadas e até séculos.

cooper Um grande legado deste excepcional profissional foi o conceito da chamada Tríade do Combate (Combat Triad), uma reunião dos três pontos fundamentais  para a sobrevivência em combate.

A cada um desses pontos deve ser dada proporcional atenção, evitando treinar um especial e negligenciar outros.

Vejamos:

1. Habilidades de tiro

2. Manuseio da arma

3. Preparo psicológico

 

 

Tríade do Combate

 

1. Habilidades de Tiro (Marksmanship)

É a competência em controlar o armamento a fim de efetivamente acertar com precisão o alvo desejado.  Envolve os fundamentos do tiro como postura, empunhadura, alinhamento do dispositivo de pontaria e controle do gatilho.

2. Manuseio da Arma (Gunhandling)

Compreende o emprego da arma desde o saque até a sua apresentação ao combate, seu manuseio com segurança, a solução de falhas, recarga e etc.

3. Preparo Psicológico (Mindset)

Talvez o mais negligenciado nos treinamentos, envolve a preparação emocional para situações de estresse extremamente elevado. Você pode conseguir acertar um alvo de 10cm com a sua pistola, a 20 metros, e inserir um carregador novo antes que o usado toque o solo, mas será que você consegue fazer isso ouvindo disparos sendo feitos em sua direção?

Este ponto tem relação direta com o Código de Cores de Cooper, apresentado em outro artigo.

Para cada arma comprada, paga-se duas para o Estado

Imagine-se caminhando entre as prateleiras de um mercado, fazendo suas compras habituais e procurando por boas promoções para encher o carrinho. No meio do trajeto, encontra um anúncio: “Não perca! Pague três e leve uma”.

“Absurdo.”, você pensa, e rapidamente conclui: “erraram ao escrever o anúncio”. De fato é absurdo, e de fato estaria errado, a não ser que o anúncio tratasse de armas de fogo no Brasil. Leia o artigo completo »

Esporte IPSC. Ensinamentos que preparam para a vida

Por Alessandra Salazar
Assessora de Comunicação- CBTP
Conheça a Confederação Brasileira de Tiro Prático: http://www.cbtp.org.br/

Esporte é definido pelo dicionário Aurélio como o “conjunto de exercícios físicos que se apresentam sob a forma de jogos individuais ou coletivos, cuja prática obedece a certas regras precisas. Aperfeiçoa as qualidades físicas do homem”. Essa concepção se encaixa perfeitamente dentro das diretrizes do que é o Tiro Prático, regularizado pela Confederação Brasileira de Tiro Prático-CBTP, maior autoridade do esporte no país. A modalidade proporciona equilíbrio perfeito entre o físico e o mental, associa concentração, precisão e rapidez, raciocínio rápido, destreza, força, disciplina, sempre visando principalmente, a segurança dos atletas participantes das competições. Todas essas características são imprescindíveis para a vida, e quanto mais cedo aplicadas, mais se formam cidadãos preparados para a vida.

Para essa I Etapa Sudeste do XXVII Campeonato Brasileiro de IPSC que acontece nesse próximo final de semana, 28 a 30 de março de 2014, oito esportistas menores de idade estão inscritos. Um desses atletas, o estudante amazonense de 13 anos,

Mário Ramos Batista Neto, começou a praticar o esporte por influencia do pai, Mário Ramos Batista Junior, de 41 anos. “O Tiro Prático é um esporte que proporciona ficar junto com a minha família, principalmente meu pai, praticante de IPSC”. Mário foi Campeão Brasileiro Junior em 2013, 5º lugar no Overall pela categoria Light, Campeão Amazonense. Hoje pratica a divisão Standard, com treinos duas vezes por semana. Foi considerado no ano passado o atleta mais novo do desporto. Vê o IPSC como uma janela para o mundo, oportunidade de representar o país em campeonatos de destaque mundial. Crescimento profissional e pessoal. “Por causa do convívio que tenho com outras pessoas, o Tiro me ajudou a amadurecer. Veio complementar algo que eu já havia aprendido no Judô, a maior vitória nem sempre é o primeiro lugar. Há outros valores. Concentração e foco fazem parte do meu objetivo. Além disso, minha responsabilidade com os meus estudos aumentou. Estou em um colégio muito exigente e não decepciono, minhas notas aumentaram”, afirma o jovem. Ainda segundo Mario, o IPSC é um esporte em que ele consegue se divertir muito e ao mesmo tempo, aprender.

Outro jovem que vê o Tiro Pratico como ensinamento para a vida é o Luís Otávio Camargo Leal Barreiros. O estudante paulista de 16 anos, assim como Mário, começou a praticar o esporte no final de 2012 por influência do pai. O adolescente afirma que o esporte tem sido um dos pilares no seu crescimento pessoal. “Requer muita dedicação, seriedade, responsabilidade, enfim muita disciplina. Todos estes fatores fizeram com que eu tivesse um amadurecimento pessoal muito grande. O IPSC me fez mais responsável, mais focado, mais determinado nos meus afazeres do dia a dia. Tive uma sensível mudança na minha vida e posso afirmar, foi para melhor!”, destaca o jovem, um apaixonado pelo Tiro Prático.

Nunca houve nenhum acidente envolvendo o esporte. As exigências para a prática do esporte são muitas e severas. Luis Otavio explicita que essa preocupação que os órgãos responsáveis têm com a segurança no esporte é um adicional que o motiva a praticar sempre o Tiro Pratico. “Para que uma pessoa se torne um atleta da modalidade é necessário ser aprovado em uma série de avaliações, expedidas por um avaliador devidamente registrado na Polícia Federal e no Exército Brasileiro. Sem qualquer tipo de dúvida posso afirmar com propriedade que o Tiro Prático é um esporte extremamente seguro. É maravilhoso. Difícil falar de algo que tanto amo”, conclui o jovem atleta.

MRB
Mário Ramos Batista Neto, estudante, 13 anos.
Filiado à Federação Amazonense de Tiro Prático

Este texto foi extraído do Informativo CBTP enviado em 28 de Março de 2014, com a autorização expressa da presidência da Confederação.

Atirando no céu – Um pouco sobre a física do tiro para o alto

Nós frequentemente recebemos perguntas sobre atirar verticalmente para o ar. A pergunta mais frequente é: “Os projeteis disparados para o alto vão retornar para a terra na mesma velocidade em que eles saíram da arma?”. Outras perguntas são: “Quão longe um projétil pode viajar quando disparado verticalmente e quanto tempo leva para que ele volte?” ou “O projétil caindo tem energia suficiente para ser letal se acertar alguém no chão?”
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Como tratar um desarmamentista

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.
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Para quem ainda não viu, assista o vídeo acima. Do lado que defende o direito à posse e ao porte de armas, temos Ben Shapiro, advogado, consultor de mídia e editor dos excelentes sites Breitbart News e TruthRevolt. Do outro lado, representando o desarmamento, Piers Morgan. Para quem não conhece, Morgan substituiu Larry King no programas de entrevistas noturno da CNN. Antes disso, ele foi diretor de diversos tabloides na sua Inglaterra natal. Ainda esteve envolvido no esquema de escutas ilegais, que jornalistas ingleses utilizavam, como fonte de matérias, segundo apontou o relatório Levenson. Perdeu os cargos que ocupava, e foi para os Estados Unidos. Defender o desarmamento.

Piers Morgan já teve outros debates com defensores de armas, como Larry Pratt e Alex Jones, mas nesse com Shapiro podemos ver (e desmontar) boa parte dos argumentos do outro lado.

Ele começa mencionando um acidente lamentável, no qual um garoto matou a irmã. A culpa, segundo ele, seria da empresa, que anuncia produtos que “não são apropriados para crianças”. Só se esquece da responsabilidade dos pais, de deixar uma arma ao alcance de uma criança. E não ensinar que crianças JAMAIS devem mexer em armas (ou remédios, ou produtos de limpeza, ou fogo, ou até mesmo a internet) sem a estrita supervisão de um adulto responsável. Acidentes por acidentes, janelas e piscinas são responsáveis proporcionalmente por mais mortes de crianças do que armas de fogo. E até hoje não vi um movimento anti piscina.

Para Piers Morgan, a uma saída para isso é uma nova lei, regulamentando ou banindo as propagandas de armas. Como jornalista, sou obrigado a dar um conselho a todos que me leem: sempre desconfie quando alguém da imprensa diz “deveria ter uma lei para…”. A sanha legalista e regulamentadora da mídia em geral costuma superar, e muito, a da maioria da população. Como se leis cheias de “lindas” intenções muitas vezes não criassem consequências desastrosas. Vide nosso Estatuto do Desarmamento. Na intenção de nos salvar de nós mesmos, nosso governo nos desarma, não faz absolutamente nada sobre a criminalidade e ainda nos pune quando tentamos nos defender. Com apoio quase que total dos Piers Morgans daqui.

Ben Shapiro logo toca num ponto crucial do discurso dos desarmamentistas: eles se esquecem (ou evitam) sempre que podem, falar sobre experiências desastradas de desarmamento. Ao mencionar Chicago, uma das cidades americanas com leis mais restritivas para a compra e posse de armas, em comparação com outras cidades de lá, Shapiro demonstra que restrição de armas na população civil serve apenas para aumentar a violência. Para ficar apenas na realidade americana, basta comparar os números de Michigan (rígidas leis anti armas), com o Texas (poucas regulamentações). Se compararmos com o Brasil então, ficaria vexatória a situação. Mas, como é de hábito, as três primeiras coisas a desaparecer quando um desarmamentista começa a falar são os fatos, as estatísticas e a lógica.

Piers Morgan ainda questiona o fato de que, segundo uma pesquisa, parte da população americana se atém as suas armas por medo de um governo autoritário. Para uma pessoa vinda de um país com longa tradição democrática, como na sua Inglaterra, essa “paranoia” pode fazer pouco sentido. Os americanos pensam diferente, já que tiveram que pegar em armas para ser independentes. Talvez Piers pensasse de outra maneira, caso fosse brasileiro. Dos 100 anos do século XX, ficamos quase 40 sem poder eleger nosso presidente. Acreditar piamente nas boas intenções dos governantes (qualquer um) é o mesmo que acreditar que se pode evangelizar uma casa de tolerância.

No final, Piers Morgan ainda se diz a favor apenas da proibição de armas de assalto. Ou seja, um desarmamentista light. Mas, infelizmente, as coisas começam assim. Nada melhor para cozinhar uma rã sem ela perceber do que jogar numa panela fria e ir esquentando aos pouco. Essa é basicamente a tática de quem defende o desarmamento. Um dia, pedem a proibição de determinado tipo de arma, dizendo que vão parar ali. Como são bem sucedidos na empreitada, logo seguem, aos poucos, retirando o resto. Exatamente como fizeram conosco, aqui no Brasil.

Cabe a nós, defensores da defesa do indivíduo, demonstrar as falácias, erros, ausência de lógica e falsidades do discurso de quem defende o desarmamento, como Ben Shapiro fez na entrevista. Para isso, temos que conhecer os inimigos que nos cercam. E não são poucos.

Catraca Livre de armas

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

O Catraca Livre não gosta de armas. Até aí, nada demais. Ninguém é obrigado a gostar (ou desgostar) de alguma coisa. Eu, por exemplo, não gosto de um monte de coisas. Não gosto de pessoas que não gostam de armas, e querem desarmar os outros por causa disso, por exemplo. Pessoas com hoplofobia (medo irracional de armas de fogo) me irritam. Quando esse medo se mistura à ignorância então, sai de baixo. Felizmente, ainda somos livres para ter nossos gostos e desgostos. Nessa semana, o Catraca Livre sintomaticamente mostrou as suas preferências. Leia o artigo completo »

Estatuto do Desarmamento fraudando a democracia

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

Imagine que você vive em um país democrático. Estamos em um ano eleitoral, e o candidato que você apoia tem chances mínimas de ganhar. Seis meses antes da votação, ele não chega nem a 20% dos votos, contra mais de 80% do adversário, segundo as sempre insuspeitas pesquisas de opinião. Será uma lavada na certa. Para complicar, a imprensa é majoritariamente contrária ao seu candidato, atacando com as mais vis mentiras e parcialidades. O lado de lá conta com muito mais dinheiro e estrutura para a campanha. E apoios. Ah, os apoios… Uma verdadeira constelação de artistas, políticos e pessoas da grande mídia. É uma batalha perdida, na certa. Guerra do tostão contra o milhão. Uma jangada contra um porta-aviões nuclear. Favas contadas. Melhor nem votar, e usar o domingo de outubro pra algo mais proveitoso, como pegar um cinema, fazer um churrasco ou visitar a avó. Leia o artigo completo »

Armas e “minorias”

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

Nesse segundo texto, pretendia escrever sobre outro assunto, seguindo a linha de raciocínio da minha primeira contribuição ao Defesa.org, mas as comemorações de 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, fizeram com que eu antecipasse um tema que gostaria de tratar mais para frente nos meus escritos. A relação das nossas consideradas, “minorias” com as armas. Como a segurança de grupos “minoritários”, ou mais frágeis, que o resto da população, pode se beneficiar com a posse de armas de fogo. Nada melhor que dois casos reais para ilustrar isso. Nota: minorias entre aspas porque, apesar das mulheres serem a maioria da população, em muitos casos e segmentos da sociedade, elas são minoritárias. Inclusive na posse de armas de fogo.

Certa feita, um amigo contou uma história que tinha se passado com ele. Estava em um bar, sentado no balcão, tomando conta de sua vida, sem incomodar ninguém. Nisso, um grupo de valentões entrou no recinto, e começou a mexer com os que estavam por lá. Maioria dos clientes logo se apavorou, não respondendo às provocações, ou indo embora. Já que meu amigo continuou lá, como se nada estivesse acontecendo, o maior do grupo de baderneiros foi até ele, chamar para uma briga. Contou vantagem de seu tamanho físico e da superioridade numérica de seu bando. Nisso, ouviu o seguinte: “Olha, desde que um chinês de um metro de altura inventou a pólvora, 800 anos atrás, tamanho pouco importa. Cai do mesmo jeito.” Para bom entendedor, ponto é letra. Apenas a ameaça representada por uma pessoa que poderia estar armada, serviu para que os bárbaros de plantão se acalmassem e procurassem outro local desafortunado para incomodar. E, provavelmente, outra vítima desarmada.

Outro exemplo que gostaria de mostrar é um fato histórico, que muitos aqui já devem conhecer. Em 1938, a “Lei Nazista sobre as Armas” (Nazi Weapon Law), ao mesmo tempo em que flexibilizava em alguns pontos a antiga lei alemã sobre o tema, de 1928, aumentava o controle do Estado sobre o assunto. Passou a ser necessária permissão policial para a compra de uma arma de fogo, como revólveres e pistolas. Todas as armas de fogo, compradas antes da nova lei, deveriam ser registradas. Mas o ponto principal da nova lei era outro. Os nazistas lançaram também a “Regulação Contra a Posse de Armas por Judeus” (Regulations againts Jews’ possession of weapons). Assinada no dia 11 de novembro de 1938, essa nova lei previa que judeus estavam proibidos de possuir, carregar ou comprar armas de fogo, munições e armas brancas; armas encontradas com judeus seriam confiscadas e não seriam ressarcidas; quem violasse a lei estaria sujeito à multa e até cinco anos de prisão.

A data da entrada em vigor da nova legislação não poderia ter sido mais propícia para a tragédia. Entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938, houve na Alemanha o que ficou conhecido como Noite dos Cristais (Kristallnacht), devido às vidraças das lojas, oficinas, escolas, casas e hospitais de propriedade de judeus, que foram quebradas e destruídas, numa série de ataques coordenados entre as milícias nazistas (SA) e populares alemães contra judeus. Cerca de 90 judeus foram mortos nos ataques e perto de 30 mil foram presos e enviados a campos de concentração. Uma minoria perseguida, acuada e sem direito a defesa. O registro de armas só facilitou o trabalho das tropas da SS. Com os nomes de proprietários de armas de fogo, que eram judeus, em mãos, bastava aparecer na casa do indivíduo e requisitar a entrega da arma. Em alguns casos, não só a arma era levada pelos nazistas. O proprietário ia junto. Para nunca mais ser encontrado. Pode-se imaginar que os judeus poderiam criar uma resistência mais forte e efetiva ao terrível destino planejado pelos nazistas para eles, caso não estivessem completamente desarmados e indefesos. O Levante do Gueto de Varsóvia, em 1944, mostrou que a resistência armada judaica era plenamente possível.

Essas duas histórias que servem para ilustrar que uma minoria, ou um indivíduo mais fraco, e consciente de suas limitações, pode se defender de uma ameaça superior, se tiver as chances de possuir as ferramentas para isso. Quando isso lhe é retirado, o mais fraco vira alvo fácil, seja de um bandido, ou de um Estado autoritário. Isso serve para qualquer minoria. E a história é repleta de casos que só confirmam o que nós, que defendemos o direito à defesa e às armas falamos.

Ann Coulter, uma das minhas autoras favoritas, é veemente nisso. Segundo ela, para diminuir a violência contra as mulheres, melhor do que qualquer ação governamental, ou ação de grupos feministas, a posse de uma arma de fogo é essencial. E muito mais eficiente para afastar o risco de um ataque, especialmente os de natureza sexual. Entre uma mulher armada e uma desarmada, qual seria uma vítima mais fácil para um estuprador?

Isso serve também para outros casos. Aqui em São Paulo, na região central, são comuns ataques e violência contra homossexuais. A imprensa e organizações LGBT pedem mais ação governamental e leis esdrúxulas “anti-homofobia”, que apenas piorariam a situação para esse segmento da sociedade. A solução simples e eficiente, que é armar o cidadão, é solenemente ignorada. Talvez por render menos dividendos financeiros para ONGs que não sobrevivem sem o dinheiro público. Nunca se viu um gay armado ser vítima de uma lâmpada fluorescente na cabeça.

Finalizando, a Glock fez uma propaganda excepcional, alertando para os benefícios que uma arma pode trazer para a defesa pessoal, especialmente para mulheres. Uma propaganda que, infelizmente, jamais seria vista no Brasil. Mas serve muito bem para ilustrar o que foi dito. O indivíduo (bem) armado é capaz de se defender de maiores ameaças por conta própria. Retirar este direito é como colocar um alvo nas suas costas, e escrever VÍTIMA na sua testa.

Segue a belíssima propaganda:
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A imprensa e as armas

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

Volte no tempo, até 2005. Ano da votação do nefasto Referendo do Desarmamento. Lembra-se qual foi a posição amplamente majoritária da imprensa na época? Como era a formação de opiniões, através da nossa imprensa, que gosta de posar de isenta? Como eram transmitidas as supostas opiniões divergentes, como qualquer manual de bom jornalismo ensina a fazer? Qual era o espaço dado aos dois lados? Havia jornalismo, ou apenas propaganda panfletária para apenas um dos lados? E hoje, nove anos depois, alguma coisa mudou no tratamento que a imprensa nos dá?

Quase total apoio à causa desarmamentista. Organizações Globo na vanguarda, os mais fanáticos contra a posse de armas pelo cidadão comum. Rede Globo, jornal O Globo, rádio CBN, revista Época, todos na linha de frente pró desarmamento. Talvez o fato de João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo ser da diretoria do Movimento Viva Rio – um dos maiores entusiastas da causa – tenha ajudado no engajamento total. Nos intervalos comerciais dos programas da TV Globo, vinhetas que defendiam o desarmamento passavam e incentivavam a entrega das armas. O lado contrário não teve essa boa vontade da “Poderosa”.

Nos outros grandes meios de comunicação, a situação não era muito diferente. Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo assumiram uma posição que quem trabalha com comunicação conhece muito bem. Chamo de “isentismo com causa”. Da mesma forma que posam de isentos e equilibrados, sem assumir um dos lados da consulta, nas matérias e reportagens apoiavam veladamente o lado pró desarmamento.

Isso se dá de uma maneira muito simples e comum no jornalismo da Folha e do Estadão. Ao escrever uma matéria, o jornalista se utiliza de várias fontes, como entrevistas, dados, testemunhos, informações de assessoria de imprensa e tudo mais que conseguir apurar. Para fazer uma matéria tendenciosa, que não parece tendenciosa, basta entrevistar os dois lados. E dar mais espaço na versão final ao lado que você quer defender. Ou “ensanduichar” a opinião que você quer ver diminuída entre duas opiniões que você quer promover.

Qualificando o entrevistado é outra opção de demonstrar o seu “isentismo com causa”. Enquanto o que defende a posição pró desarmamento era apresentado com todas as loas acadêmicas que possuía, quase como um Einstein renascido, o pobre coitado que servia como fonte contrária, contra desarmamento, era mostrado pela imprensa como um sujeito muitas vezes tosco e pouco estudado. Que provavelmente receberia dinheiro das empresas de armas, e não agia por acreditar na causa que defendia. Ao mesmo tempo em que o financiamento de ONGs nacionais e estrangeiras, com os interesses mais diversos no desarmamento brasileiro, era quase sempre esquecido, visto apenas como um detalhe. Afinal, esse dinheiro entrava para “um bem maior”.

Existem outras maneiras de diminuir e enfraquecer a imagem de quem você quer atacar, menos sofisticadas e mais explícitas. Como fazer a caricatura daquele que discorda da opinião que seu jornal quer subliminarmente defender. Por exemplo, chamar o grupo de parlamentares que defende a posse de armas pelo cidadão de “Bancada da Bala” é uma forma. Nunca vi na imprensa, especialmente na Folha, Estadão ou Rede Globo, uma referência à “Bancada da Maconha”, “Bancada do Aborto” ou “Bancada da Censura à Mídia”. Transformar seu inimigo numa caricatura é a forma mais fácil de desmoralização perante a sociedade.

Mas, justiça seja feita, nem todos se portaram dessa maneira vergonhosa. A revista Veja se colocou uma posição contra o Estatuto do Desarmamento, mesmo que de uma maneira tímida. E a Rede Bandeirantes, através de suas emissoras de rádio e TV, se mostrou totalmente contrária ao que ocorria. Tiveram a coragem de remar contra a maré, e mostrar o engodo no qual boa parte da imprensa queria que o povo acreditasse.

E qual a razão de tamanho preconceito sobre o temas armas, desarmamento e defesa pessoal entre o meio jornalístico? Algumas teorias podem ser formuladas por quem conheceu a realidade dos bancos de uma faculdade de comunicação e de algumas redações. A primeira delas é a ignorância. Ao mesmo tempo em que no Brasil morrem mais de 50 mil pessoas assassinadas por ano, esse fato é pouco comentado e estudado nas faculdades de jornalismo. O jornalismo policial, onde o aluno teria um aprendizado maior sobre legislação, crimes, armas e contato com as forças policiais, é uma atividade praticamente esquecida e renegada nas aulas. No meu caso, tive a sorte de fazer parte de uma família de policiais para não precisar (e sentir falta), do que não me foi, e deveria, ter sido ensinado na faculdade.

Outra teoria que pode ser formulada é o do preconceito contra armas e assuntos relacionados. Comparativamente com alguns outros países, especialmente os EUA, temos pouco contato com armas de fogo. Não é incomum conhecer pessoas que jamais viram, ou tocaram em uma. E quando viram, foi numa situação de crime, na qual provavelmente foram vítimas. Isso é extremamente comum no meio jornalístico. E geralmente, aqueles com maior desconhecimento, são colocados para trabalhar no tema. Certa feita, quando trabalhava em uma rádio, uma colega veio me pedir ajuda. Precisava transmitir uma notícia sobre um assalto e sobre a arma apreendida. Ela achava que a informação estava com um erro. Afinal, não sabia o que era e o que significava o ponto (.40) na frente do tipo do calibre da arma. Situações como essas são corriqueiras em redações.

A batalha pela informação e conhecimento, inclusive na nossa imprensa, é fundamental para que as causas da defesa pessoal, da posse de armas e contra o desarmamento, sejam vitoriosas no nosso país. A ignorância é o pior dos nossos inimigos.

imprensa

“Quem não deve não teme” – A mentira dos assassinos

Quem não deve teme sim, e com razão Leia o artigo completo »