CACs: quem somos nós – uma autocrítica

Lucas Silveira
Presidente do Instituto DEFESA
Instrutor-chefe da Academia Brasileira de Armas

Um dos atos mais fabulosos que uma pessoa pode realizar em busca do crescimento pessoal é a autocrítica. Uma análise sincera, humilde e criteriosa do seu comportamento e características, em busca das suas fraquezas e defeitos, com o objetivo de contorná-los e evoluir.

O texto de hoje é ácido, desagradável e, infelizmente, sincero. É a minha autocrítica no que tange à minha posição como CAC na sociedade. Os CACs, pra quem não sabe, são os Colecionadores, Atiradores e Caçadores, uma “classe” de cidadãos cuidadosamente dividida do restante da sociedade, favorecendo, claro, àqueles que desejam conquistá-la.

Muitos de nós atiradores nos achamos especiais por termos acesso a uma série de objetos que deveriam ser direito de todos os cidadãos. Na realidade, somos grandes vilões dessa história. Muitos de nós trocamos a defesa de uma sociedade livre por um carinho no próprio ego. Como é bom ser especial, não é? Ao sermos completos imbecis e cumprirmos uma série infindável de obrigações desarrazoadas, algumas oriundas da Lei, outras das portarias do Exército, fortalecemos o desarmamento no Brasil.

Somos nós, CACs, os covardes relativizadores de direito a porte de arma. Muitos de nós acham que deve-se defender o porte para os CACs, e não para “qualquer cidadão”. Como se o processo burocrático idiota pelo qual passamos nos tornasse mais aptos a alguma coisa coisa. Não para por ai!  Relativizamos o próprio porte. Tem gente que até discute se pode sair do carro pra ir fazer uma necessidade fisiológica e diz que não pode nem dar uma desviadinha no trajeto – do jeito que a esquerda manda. Somos patéticos!

Somos nós, os CACs, quem muita vezes financiamos confederações desarmamentistas que vão até Brasília defender mais restrições, como a de competir e dar mais dinheiro para as confederações, que criam mais restrições, formando um infindável círculo vicioso de corrupção. Somos ridículos!

Somos nós, os CACs, que acreditamos estarmos aptos a alguma coisa enquanto os “demais cidadãos” não, como se nossa vida valesse mais que a de quem não lambeu as botas dos generais. Sim, nosso único diferencial é lamber bota de burocrata. Somos arrogantes!

Somos nós, CACS, que aceitamos que nossas armas não servem para defesa e só para o esporte, como qualquer ditador poderia sonhar. Que palhaços nós somos!

É triste me enxergar como um problema numa sociedade que sufoca pela falta de liberdade. Agora, contudo, já sei quais são meus defeitos e vou procurar contorná-los.

Não vou mais me achar especial e nem lutar por um privilégio para uma categoria específica. Entendi que a liberdade é um direito de todos e qualquer burocracia e divisão de classes deve ser combatida.

Unidos – e sem distinção de classes – somos invencíveis.


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8 comentários sobre “CACs: quem somos nós – uma autocrítica
  1. Marco disse:

    Parabéns. Penso o mesmo.

  2. Flávio Costa Silveira disse:

    Sou CAC e achei uma excelente reflexão, de fato não podemos e não devemos perder o foco de união e liberdade tão bem defendidos pelo Instituto Defesa. Quanto mais avançamos, mais aumenta nossa responsabilidade.
    Parabéns a coordenação do Instituto Defesa.

  3. Felipe Lima Pedrozo disse:
  4. RODRIGO DE SOUZA VILAÇA disse:

    PARABÉNS! Muita clareza e sensatez. Será ignorado por muitos cínicos e jamais entendido por milhões de idiotas. FAÇA MAIS LIVES, são ótimas. Aqui em Minas Gerais parece que só existem espertalhões pra cobrar cursos de tiro, 50 disparos, me dê a grana, passar bem. Apaporra!

  5. Eduardo disse:

    Essa alto crítica serve para o autor, pois não me classifico como idiota, sou favorável ao porte de arma, porém nesta sociedade criada pelo Pt muitos não tem condição psicológica de ter arma, isso se comprova em diversos comentários. Culpar os CAC pela manutenção da proibição do porte de arma é ser infantil, o porte está liberado meu senhor, basta o senhor ir na PF e solicitar, se vai ser atendido é outra história, Reflita e escreva outro artigo. Aliás eu sou culpado pela pobreza no Brasil, também sou culpado pelo roubo do Pt nestes 13 anos, assim como o senhor, sugiro ao senhor vender as suas armas e praticar outro esporte, abandone esse esporte de elite opressora.

  6. Anderson Rodrigues disse:

    Fato!

  7. Fernando marino disse:

    Temos q unir cada vez mais essa burrogracia e uma merda..parabéns meu amigo pelas sábias palavras

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