A premiação por arma apreendida é a indenização de armas maquiada

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA e Instrutor-chefe da Academia Brasileira de Armas

No início do desarmamento no Brasil, sob a égide do falacioso discurso de que “armas causam crimes”, houve uma enorme publicidade dos programas de entregas de armas, nos quais cidadãos probos – e ludibriados – entregavam suas armas em troca de algumas migalhas em reais, muitas vezes sequer recebidas. Não raramente, as armas “adquiridas” a preço de banana pelo Estado, eram vendidas a preço de mercado para o tráfico, invertendo a polarização da força, do cidadão, para o crime.

Desastre ocorrido, a população brasileira aprendeu de maneira dolorosa que não se combate o crime desarmando as vítimas e todo aquele discurso contra armas, defendido por várias matizes políticas de esquerda e de direita não se sustentava quando desafiado pelos dados históricos, científicos e estatísticos.

O programa de indenização de armas acabou. Como um político mal intencionado poderia usar a ignorância das massas para aumentar seu poder e perpetrar um Estado inflado que sobrepuja os cidadãos desta vez?
Eureka! Vamos premiar policiais que apreenderem armas irregulares! Afinal, quem vai se opor a prender uma arma irregular, não é?


É verdade, para as massas semiletradas as armas irregulares são aquelas nas mãos dos bandidos, portanto, elas são DO MAL. “Apreendam as armas! Armas causam crimes!” Não, peraí… Eu já vi esse filme antes.

A ponta da lança do desarmamento, e portanto, do superpoder dos políticos, são as polícias subremuneradas. O soldado da PM que passa dificuldade para pagar o aluguel – a não ser que tenha sido formado por uma família exemplarmente ética e bem instruída – não vai pensar duas vezes para aumentar alguns milhares de reais na sua renda, apreendendo armas do cidadão de bem que, por um descuido ou por falta de paciência com a odiosa burocracia, deixou um documento vencer, ou deu uma passeadinha fora da rota pra defender sua família. O argumento já está a´te escrito no CP: “Quer que eu prevarique?”. Nesse jogo, políticos autocratas sentados nas suas salas com ar condicionado, colocam polícias contra cidadãos, , enquanto fazem acordos com o crime organizado, que não hesitará para matar, indistintamente, os dois lados da peleja.

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