Uma seleção de hipocrisias

giaconi-smallLuiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

 

 

 

 

 

Parte 1 – Uma seleção de desarmamentistas

Ah, a Copa do Mundo… O maior evento esportivo do planeta. Época ansiosamente esperada a cada quatro anos por quem gosta de futebol, como este que vos escreve (inclusive peço desculpas pela ausência prolongada aqui do Defesa.org). Tivemos um evento realmente notável no Brasil, especialmente pela qualidade do futebol apresentado pela maioria das equipes. Infelizmente, a nossa seleção não esteve entre aquelas que engrandeceram a competição, principalmente nos dois jogos decisivos finais (derrota e humilhação total contra a seleção da Alemanha, no 7 a 1, completada com a goleada pelos holandeses por 3 a 0, na disputa pela terceira colocação).

Mas, você deve estar se perguntando o quê a seleção da CBF tem a ver com o tema do desarmamento? Basta relembrar da hipócrita faixa estendida pelos atletas antes dos jogos amistosos contra Panamá e Sérvia: “Por um mundo sem ARMAS, drogas e violência – Tema social da Copa do Mundo 2014”. Chega a ser quase poético, não? E a faixa não foi iniciativa da FIFA. Nenhuma partida da Copa teve algo similar, apenas a tradicional campanha contra o racismo.

seleção-desarmamento

Já no final de 2012, durante amistoso contra os argentinos, pelo superclássico das Américas, em Belém, uma faixa com dizeres semelhantes foi ostentada pela seleção. Na época foi uma parceria entre CBF,  o governo federal, incentivador mor do desarmamento da população civil, e ONG Viva Rio, talvez a mais fanática das organizações contra o direito a venda e ao porte de armas de fogo.

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Quem acompanhou de perto a movimentação da seleção brasileira pôde perceber que fazendo a segurança da equipe “felipônica” não faltavam homens fortemente armados, fossem do exército, polícia federal, polícias civis e militares dos estados por onde passamos na Copa e seguranças particulares. Como sempre vemos, é muito fácil defender o desarmamento civil quando você pode ser protegido por um exército de funcionários armados.

Responsabilidade dos atletas também, ao aceitar participar e tirar foto com a faixa. Caso alguém tente fazer o papel de advogado do diabo, afirmando que eles apenas cumpriam ordens superiores, basta lembrar que alguns dos envolvidos nas piores catástrofes da humanidade também só “cumpriam ordens”. É a desculpa fácil do jogador covarde ou ignorante, que não conhece a realidade do país natal.

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Alguns jogadores de futebol se posicionaram publicamente de maneira bastante diferente sobre o tema durante suas carreiras, inclusive fazendo o uso de armas publicamente. Mário Sérgio Pontes de Paiva, atualmente comentarista da Fox Sports e meia atacante com passagens vitoriosas por Flamengo, Fluminense, Botafogo, Internacional, Grêmio, São Paulo, Palmeiras e pela seleção, certa vez, num jogo no interior de São Paulo, teve que sacar o .38 que carregava e dar dois tiros para o alto, para afugentar torcedores do São Paulo que tentavam agredir os atletas da equipe após uma derrota em São José dos Campos.

Carlos Gamarra, zagueiro paraguaio com passagens pelo Corinthians, Internacional e Palmeiras, além de ter sido um dos melhores defensores da história do futebol sul-americano também era conhecido por ser um ávido colecionador de armas. Roberto Baggio, um dos mais talentosos jogadores da história do futebol italiano, é apaixonado por armas e por caçadas, sendo frequentador assíduo de reservas de caça na Argentina, para desespero de parte da crônica esportiva, que não se conforma com os hábitos do ex-atleta.

Talvez se o corpo diretivo da seleção brasileira, junto com os jogadores e comissão técnica se preocupassem mais em treinar, e armar uma equipe realmente competitiva dentro das suas conhecidas limitações, ao invés de fazer proselitismo político barato contra o que a ampla maioria da população brasileira deseja, que é a revogação do Estatuto do Desarmamento, o nosso resultado final não tivesse sido tão absurdamente humilhante.


 

Parte 2 – Honoráveis hipócritas

Dois parlamentares foram vítimas de crimes no último mês. O primeiro foi o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Paulo Melo (PMDB). Melo teve sua chácara invadida por marginais que trocaram tiros com os seus seguranças. Dois funcionários do deputado foram baleados no confronto, e Melo fraturou o pé quando tentava se proteger dos disparos.

Até aí, nada de novo. O deputado Paulo Melo é um cidadão como todos os outros, e esta sujeito à violência endêmica que temos como qualquer  um dos 200 milhões de brasileiros. A diferença é que o honorável deputado, na condição de presidente da Alerj, é conhecido militante pelo desarmamento civil, participando e organizando seminários na assembleia fluminense contra a venda de armas de fogo, em parceria com a ONU e com a inesgotável (em termos de bobagens desarmamentistas) ONG Viva Rio.

O Deputado Paulo Melo deveria abandonar a tática do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” e começar o desarmamento pelos seus funcionários. Seria menos hipócrita. E a bandidagem agradeceria, como ele quase descobriu. O Defesa.org deseja ao deputado pronta recuperação, para que ele possa voltar às suas atividades parlamentares o quanto antes. E para que continue defendendo o indefensável.

Outro parlamentar que enfrentou problemas com a criminalidade recentemente foi Fernando Francischini, deputado federal pelo Paraná (SDD). Ele teve a sua casa, em Curitiba, invadida por criminosos, que renderam sua família, e, entre outras coisas, levaram um carro e cinco armas. Delegado da Polícia Federal, Francischini apoia a inclusão de chips em armas de fogo, para supostamente melhorar o registro e rastreamento das mesmas.

O Defesa.org se solidariza ao deputado e a sua família nesse momento difícil. E, como delegado da PF, acreditamos que ele não tenha grandes dificuldades em comprar armas novas, caso não consiga recuperar as armas roubadas, ao contrário da ampla maioria da população que padece nas mãos da burocracia do Estado, na tentativa de se manter protegida da criminalidade.

 

 

 

 


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7 comentários sobre “Uma seleção de hipocrisias
  1. Eduardo disse:

    E ainda fazem cara feia quando digo que não torço por um bando de hipócritas que se sujeitam a segurar uma faixa dessas.

  2. Rocha Silva disse:

    Parabéns Luiz.
    Mas uma vez e mostrado nitidamente que estamos a mercê de uma hipocrisia sem limites, uma uma onda de humilhação ao povo brasileiro. ESTAMOS EM GUERRA. Guerra contra a hipocrisia, ao abandono do povo a violência, temos que nos armar sim! E lutar, lutar contra essa “ditadura” disfarçada. VAMOS A VITÓRIA através da guerra contra a IGNORÂNCIA como foi mostrado por Luiz, políticos defendidos por armas, e nos como a plebe abandonada. CHEGA!!! CAMPANHA DO ARMAMENTO(ARMAS), E DO ARMAMENTO MENTAL COM IDEIAS LÓGICAS E CRÍTICAS CONTRA A IGNORÂNCIA, O MAL DE TODOS!!!

    VAMOS A LUTA, ARMAMENTO SIM, ABAIXO A IGNORÂNCIA. ASSIM SEJA PELA AJUDA DE DEUS, AMÉM.

  3. Vagner disse:

    Depois não querem que que falem mal desse país de corruptos, de pessoas que se vendem para esse governo que rouba e manipula dizendo que está tudo bom e tudo bem. Nessa história de copa do mundo o que ainda foi proveitoso foi a vergonha e a humilhação da derrota do país do futebol.

  4. Rodolpho Villas Boas Neto disse:

    Bem Feito perderam de 7 a 1 para a Alemanha que não Restringe a Venda de Armas aos seus Cidadães Honestos e Respeitas os Direitos deles

  5. Rodolpho Villas Boas Neto disse:

    Bem Feito perderam de 7 a 1 para a Alemanha que não Restringe a Venda de Armas aos seus Cidadães Honestos e Respeitas os Direitos deles

  6. Nelson disse:

    Vamos mudar isso na eleição que se aproxima… e depois sair na rua e pedir Revogação desse Estatuto que eles perderam e não cumpriram…..

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