Sim, reaja!

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA

Não sei quem foi o primeiro a proferir a expressão “não reaja”, mas apostaria até meu último tostão que ele jamais teve noção das deletérias consequências de suas palavras. Dizem que não têm volta a flecha lançada, a oportunidade perdida e a palavra dita. Nesse caso, o sujeito conseguiu experimentar dois destes três pontos desastrosos: a palavra dita e a oportunidade de ficar quieto, perdida.

ovelha1

Seria apenas um caso de vergonha alheia a ser esquecido no tempo, se a expressão não fosse repetida incontáveis vezes desde então. Não apenas os menos privilegiados repetiram essa bobagem. Até mesmo aqueles que deveriam ter uma noção elementar de defesa pessoal e combate armado, como policiais e alguns pseudoespecialistas em segurança, passaram a bradar o tal “não reaja” em frente as câmeras, sem nunca ter feito algum esforço para aprender algo a respeito.

Alguns policiais desprestigiam toda a polícia e todo o desenvolvimento de séculos das técnicas que chegaram até eles, quando insistem em dizer para as pessoas não reagirem. Eu morro de vergonha e a esmagadora maioria dos policiais – aqueles que realmente trabalham em prol da sociedade – também. Mais do que ninguém, os bons policiais sabem da importância da reação armada.

lobovelha

Pois bem. Se Maomé não vai até a montanha, vamos levar a montanha até Maomé. Enfiemos “guela abaixo” na cabeça destes patetas algumas verdades sobre a reação armada que eles ignoram ou fazem questão de censurar. Vamos lá:

1) Mais de 6.500 pessoas diariamente nos Estados Unidos usam uma arma para se defender e, em algum grau – mais ou menos grave – , reagir a uma situação de perigo. Aproximadamente uma reação a cada 13 segundos.  (1)

2) Anualmente, armas de fogo são usadas em reações contra invasões domiciliares 498 mil vezes, apenas nos Estados Unidos. Em 83% desses casos, o agressor ameaçou ou usou a força antes da quem reagiu. (2)

3) Para cada acidente, suicídio ou homicídio com armas de fogo nos Estados Unidos, 13 vidas são salvas por reações armadas. (3) (4)

4) É mais provável que você sobreviva a um ataque violento caso reaja com o uso de uma arma de fogo. (5)

5) Quando a mulher está armada, apenas 3% das tentativas de estupro são consumadas. (6)

6) Uma mulher tem 2,5 mais chances de sair ilesa se reagir a uma agressão com uma arma de fogo. (7)

7) 74% dos criminosos desistiriam de cometer um crime contra uma vítima, se soubessem que ela estava armada. (8)

 

Só o item 5 isoladamente já deveria ser suficiente para encerrar qualquer debate. Todavia, vamos mais longe. Vamos supor que todos os itens, de 1 a 7, acima elencados, estivessem errados, e que a verdade fosse exatamente o oposto. Imaginemos que as reações armadas realmente fossem mais perigosas que as omissões desarmadas. Ainda assim, caberiam algumas análises:

  •  Há quem diga que prefere morrer a ter que atirar contra alguém ou machucar outra pessoa. Existem pessoas que simplesmente não querem se defender, em nome da paz mundial. Ok, é uma opção pessoal. Mas e quando esta agressão é contra alguém que você tem o dever de proteger, como seus filhos? Será que a melhor opção é realmente se omitir e deixar que os bandidos façam com eles o que quiserem?
  • E quando a morte da vítima é certa? Será que não vale a pena que tentar reagir, mesmo com pouca chance de sucesso? 1% é melhor que 0%, nesse caso, não é?
  • A vida não é o seu bem mais precioso. Existem muitos valores que estão muito acima dela, a exemplo da liberdade. E se você quiser defendê-los?

É evidente que os falsos policiais, jornalistas e “ongueiros” que disputam o microfone para recomendar a covardia como estilo de vida não têm compromisso com a realidade e com o ceticismo. A intenção parece estar mais próxima de lavar suas mãos ou posar de bons moços.

As estatísticas e a História são claras no sentido de que a reação armada deve ser encorajada, especialmente quando a vítima tem o necessário treinamento para a ação. Todavia, mesmo quando totalmente despreparados e, muitas vezes desarmados, temos muitos exemplos de cidadãos que foram bem sucedidos em suas ações contra o crime.

Confira a seção de reações armadas (ou não) do defesa.org.

É claro que o Instituto DEFESA não recomenda o suicídio por meio de reações insensatas, desesperadas. Quanto mais preparado o cidadão está para defender a sua vida, sua liberdade, sua propriedade ou quaisquer outros bens que lhe forem caros, melhor. O oposto, contudo, o suicídio por meio da omissão, é muito mais grave, tão grave que fez o Brasil o país mais violento do mundo.

O Instituto DEFESA acredita que todo o cidadão tem o direito e até mesmo a obrigação moral de se defender. Acreditamos que a responsabilidade da própria segurança é de cada um de nós e temos, portanto, o dever de zelar pelos nossos bens, pelas nossas vidas e por tudo o que prezamos.

Quando a presa está armada, o predador dorme com fome.

girafa1

 


 

Referências

(1) Journal of Criminal Law and Criminology, Kleck and Gertz, Fall 1995

(2) Estimating intruder-related firearm retrievals in U.S. households, 1994. Robin M. Ikeda , Violence and
Victims, Winter 1997

(3) Unintentional Firearm Deaths, 2001, U.S. Centers for Disease Control and Prevention, National Center
for Injury Prevention and Control

(4)  Targeting Guns, Gary Kleck, Aldine de Gruyter, 1997

(5) The Value of Civilian Handgun Possession as a Deterrent to Crime or a Defense Against Crime, Don B.
Kates, 1991 American Journal of Criminal Law

(6) Law Enforcement Assistance Administration, Rape Victimization in 26 American Cities, U.S.
Department of Justice, 1979

(7) National Crime Victimization Survey, Department of Justice

(8) VIEIRA, Anderson P. A INEFICÁCIA DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO NA REDUÇÃO DA
CRIMINALIDADE. 2012. Monografia. Faculdade de Direito de Francisco Beltrão

 

 


Publicado em Artigos
18 comentários sobre “Sim, reaja!
  1. Márcio disse:

    Na minha opinião, um dos melhores artigos aqui exposto. Ja passou da hora de alguém tentar colocar na cabeça das pessoas que não somos ovelhas amarradas (por que ate elas se defendem). É como diz Humberto Wendling, policial federal e defensor do direito de defesa:
    “E enquanto a sensação de segurança é apenas um sentimento falso, A DEFESA É UMA AÇÃO MUITO MAIS EFICAZ CONTRA O CRIME E A VIOLÊNCIA. Portanto, resista ao estatuto do desarmamento; tenha uma arma, treine com ela e viva em paz!”
    É esse conselho que eu sigo!

    • Rodrigo disse:

      Concordo com tudo, agora dizer:
      “Treine com ela”
      Não sei como, não se permite transportar nem para treino a arma registrada no SINARM.
      Indo contra o que exigem.
      Este estatuto simplesmente enoja qualquer um.

      • Márcio disse:

        Como eu tinha escrito acima, “resista ao estatuto do desarmamento”. Se a lei não me deixa treinar com uma arma registrada pelo sinarm, burlo a lei, e treino com ela do mesmo jeito. Pois a minha vida irá sentir falta desse treinamento algum dia!

  2. Márcio disse:

    Na minha opinião, um dos melhores artigos aqui exposto. Ja passou da hora de alguém tentar colocar na cabeça das pessoas que não somos ovelhas amarradas (por que ate elas se defendem). É como diz Humberto Wendling, policial federal, instrutor de tiro e defensor do direito de defesa:
    “E enquanto a sensação de segurança é apenas um sentimento falso, A DEFESA É UMA AÇÃO MUITO MAIS EFICAZ CONTRA O CRIME E A VIOLÊNCIA. Portanto, resista ao estatuto do desarmamento; tenha uma arma, treine com ela e viva em paz!”
    É esse conselho que eu sigo!

  3. Flavio disse:

    SIM, REAJA A TODA E QUALQUER OPRESSÃO…. é por falta de REAÇÃO que HOJE o nosso país se encontra nas atuais circunstancias, com LOBOS vestidos em pele de cordeiros. Por esta FALTA DE REAÇÃO, todos pagaremos um alto preço durante um longo tempo, até conseguirmos estabilizar esta nação novamente, SE CONSEGUIRMOS…Toda uma geração vai sentir esta carga que foi gerada… SI VIS PACEM, PARA BELLUM

  4. Gustavo Campos disse:

    Treine seu corpo e sua mente , condicione-se , a maior enganação de todas é dizer que o policial pode reagir porque sendo policial é treinado , a grande maioria nao sabe nem o nome e modelo da arma que carrega , muitos nao conseguem correr 100 metros. Portanto se voce se condicionar fisica e mentalmente estará mais preparado do que grande parte dos nossos policiais ( os que nao se condicionam ) e assim voce saberá o momento certo e tará condiçoes de reagir e obter sucesso .

  5. Isnard Vieira Factum disse:

    Com certeza meus amigos não reagir é ser uma presa fácil ao agressor/criminoso.

    Muito bom esse artigo!

  6. SAMUEL TEIXEIRA disse:

    MEUS PARABÉNS PELO ARTIGO…INFELIZMENTE POUCOS TEM A CORAGEM DE MANIFESTAR A OPINIÃO POR RECEIO DA REAÇÃO DE OUTROS… MEU MAIOR MEDO É NÃO PODER ME DEFENDER EM UMA SITUAÇÃO DE AGRESSÃO. SEMPRE QUE EU JULGAR OPORTUNO, VOU REAGIR…MESMO!!!! E aconselho aqueles que se julgarem capazes, REAJAM,ou morram como ovelhas. “PREFIRO MORRER DE PÉ E LUTANDO DO QUE DE JOELHOS E HUMILHADO”

  7. robson disse:

    CÓDIGO PENAL BRASILEIRO DO BANDITISMO E DA VAGABUNDAGEM.
    art. 1 NÃO REAJA
    Nenhuma vítima de crime deverá reajir, deverá sim, entregar tudo que o bandido ou vagabundo exigir.
    Não deverá olhar para o bandido ou vagabundo, não poderá abrir a boca ou fazer cara de brabo.
    A vítima que reajir legitimará qualquer ação por parte do bandido ou vagabundo incluindo estupro, agressão física, agressão moral ou psicológica e até mesmo a morte.
    I – Toda autoridade de segurança pública ou orgão de imprensa deverá, sempre que possível, alertar os cidadãos de bem sobre esse procedimento.
    II – No caso do bandido ou vagabundo for menor de idade, tanto a vítima quanto as autoridades públicas e imprensa deverão chamá-lo de “infrator” para não traumatizar o mesmo.
    III – Em caso de reação bem sucedida da vítima as autoridades públicas e imprensa deverão esconder o caso, ressaltando sempre os casos mau sucedidos onde a vítima levar a pior.

  8. Gustavo disse:

    REAJA! mas com inteligência, do modo como o artigo foi descrito a impressão que se passa é de que devemos reagir em qualquer situação de modo espontâneo, porém isso pode e certamente vai, custar sua vida.

    SITUAÇÕES EM QUE EU NÃO REAGIRIA:

    – Em um assalto a mão armada, estando desarmado e o meliante acompanhado, desculpem-me mas reagir a isto é suicídio;

    – Abordagem com arma de fogo pelas costas, estando desarmado, também não há muito o que ser feito.

    SITUAÇÕES EM QUE EU REAGIRIA:

    – Tentativas de invasão de minha propriedade, respondendo com todo poder de fogo disponível;

    – Agressões diretas a mim ou a pessoas de minha família e/ou responsabilidade;

    – JÁ REAGI em uma tentativa de assalto em SP com minha caminhonete, o marginal fez sinal pra eu encostar próximo a rodovia BR 381 e eu o joguei pra fora da pista, antes dele cair 2 tiros foram disparados, um acertou a caçamba e outro a porta traseira, nenhum atravessou;

    – Em caso de assalto com o meliante desarmado (trombadinha).

    E para constar: sinceramente sentiria um enorme prazer em tirar a vida de um ser (se é que pode ser chamado de humano), que escolheu matar e oprimir quem ganha a vida honestamente, treino incansavelmente minha pontaria e habilidade de combate, montei um stand profissional em meu sítio e nos últimos 60 dias gastei pelo menos, 8 mil reais com aquisição de armamento e munições, com os quais ensino minha família e amigos a atirar. Posso ser um pouco exagerado, mas sou fascinado pela ideia de ser capaz de me defender e ajudar as pessoas que são queridas para mim com uma condição mais segura.

    Um civil de bem armado e treinado é capaz de responder às ofensivas dos “manos” com sucesso, vale a pena investir na longevidade de quem amamos, esteja sempre alerta, armado e sempre que possível, REAJA!

  9. Lucas Crepaldi disse:

    A melhor defesa é o ataque.

  10. Adryan Marcel disse:

    Caros amigos, vejo que a frase : “não reaja” é posta na mídia todos os dias martelando a cabeça das pessoas…. a historia prova que pessoas e povos que não reagiram se F……. Você tem a obrigação moral de reagir a uma ameaça em igual ou maior força… é absurdo ver que somos ovelhas e os bandidos lobos…

  11. Rodrigo disse:

    Excelente artigo! Um dos melhores que já li.Na minha opinião é uma questão de bom censo e de treinamento. Cada um tem que saber em que condições se encontra na hora, analisar o oponente, o ambiente, e a vida ou coisa alheia. Depende de cada situação.

  12. Conrado disse:

    Concordo com o artigo e digo mais, é bala na agulha e dedo no gatilho…se vier, vai sair com chumbo até a tampa da cabeça!

  13. PAULO disse:

    TODO CIDADÃO TEM O DIREITO DE TER UMA ARMA,PENA QUE NEM TODOS SABEM DISSO!!

  14. João Constantino disse:

    Um dos melhores artigos que já li sobre o assunto. Parabéns a equipe pela iniciativa! Muito bom mesmo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*