O preparo físico para o tiro

Lucas Silveira
Presidente do Instituto DEFESA
Instrutor-chefe da Academia Brasileira de Armas

Houve um tempo em que os atiradores acreditavam que a forma física não era importante para a sua prática. Com a facilidade de difusão de informação pelos meios telemáticos modernos, a única justificativa para os que não possuem capacidades físicas mínimas para o tiro esportivo, defensivo, policial ou militar é a própria preguiça.

É verdade, existem algumas modalidades de tiro nas quais a relevância da resistência muscular localizada, da força, da flexibilidade ou da potência é proporcionalmente menor, se comparada, por exemplo, com o tiro tático. Ainda assim, existem benefícios que não podem ser negligenciados mesmo, por exemplo, para praticantes de tiro estacionário.

Tradicionalmente os testes de aptidão física (TAF) policiais e militares são centrados na capacidade aeróbia deixando outras características físicas, a exemplo da velocidade, em segundo plano. Faz sentido, se você imaginar que o objetivo de determinado grupo é marchar por dezenas de quilômetros carregando mochilas pesadas. Mas e pra você, que lê este texto agora, qual será a capacidade física mais provável de ser solicitada em um cenário extremo?

Treinamento de Private Military Contractors

A não ser que o seu objetivo seja uma modalidade esportiva específica, é preciso admitir que é muito difícil prever a realidade do combate que você vai enfrentar.

Desse modo, é razoável aceitar que o programa de treinamento voltado ao tiro deva compreender o desenvolvimento de capacidades físicas proporcionalmente, notadamente a velocidade e agilidade, a força, e a capacidade aeróbia.

Existem várias formas de desenvolver estas capacidades, como artes marciais de contato ou o cada vez mais divulgado “cross fit“, todavia, nada substitui o programa desenvolvido respeitando a individualidade do praticante.

Além disso, qualquer atividade física deve ser acompanhada pelo cuidado nutricional, principal responsável pela manutenção de níveis mínimos de gordura corporal bem como pelo fornecimento dos nutrientes necessários para o desenvolvimento das

Treinamento básico de Center Axis Relock, pela Academia Brasileira de Armas

capacidades supracitadas.

Portanto, se você porta uma arma para defender a si ou a terceiros, ou ainda se você pratica o tiro esportivo, treine não apenas suas habilidades com a arma, mas também o principal responsável por operar o seu equipamento: seu corpo.

Se você consegue acertar um plate em menos de 1 segundo a 30 metros, mas não consegue atirar de decúbito ventral ou levantar-se da posição deitada sem apoiar as mãos, é uma boa hora para rever seu compromisso com o seu objetivo.

Da mesma forma, se você consegue correr 100m em 11 segundos, consegue fazer um El Presidente abaixo de 5 segundos, mas sai de casa com a cabeça baixa ou acessando o whatsapp ao invés de ler o ambiente em ciclos, provavelmente a sua prioridade de capacitação deveria ser outra.

Ou você está sempre preparado, ou nunca esteve.

Preparação para o combate


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2 comentários sobre “O preparo físico para o tiro
  1. Ulisses disse:

    Excelente matéria.

    Porém, poderia por favor, explicar o que é El Presidente?
    “fazer um El Presidente abaixo de 5 segundos”.

    Abraços

  2. Antonildo Souza disse:

    Um programa de treinamento elaborado de forma gradual seguindo cada valência trabalhada nessa ordem resistência anaeróbia, força e explosão e integrada à trabalhos de circuito com estações que repreduzissem cenários de combate. Mas compreendo a dificuldade de termos espaço para esse tipo de preparação nos grandes centros.

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