O mito do Stopping Power

O que realmente importa nos confrontos armados.

Por Fábio Ferreira

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Muita gente acredita puramente na eficiência da munição como uma forma de conforto pessoal. É preciso saber diferenciar o mito da realidade. O que vale para caça, estranhamente não vale para munições de defesa. É comum ver relatos de caçadores que feriram mortalmente o animal, que continuava correndo por muitos metros.

Especialistas em medicina legal afirmam que há, no cérebro, sangue suficiente para mais de 10 segundos de reação voluntária, após o coração ser destruído. Ou seja, aceitamos que um animal demore para tombar, mas acreditamos que um tiro de arma curta vá derrubar por mágica, um bandido.

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O que ocorre na maioria das vezes, é o simples desmaio da vítima, não havendo uma relação muito forte com o tamanho do ferimento e a incapacitação com armas curtas. A discussão no Brasil, ainda está no que se falava na década de 80, ignorando o fato dos autores: Evan P. Marshall & Edwin J. Sanow ainda manterem um diálogo aberto sobre o tema em fórum próprio e  – acreditem ou não – serem os maiores críticos de seus próprios textos.

Isso não quer dizer que se deva andar com uma 22, pois teria o mesmo efeito de uma 45. Mas é preciso saber que muito mais importante do que o calibre, é a barricada, a atenção à ameaça, a fuga, se necessário, e a confiança no equipamento, que deve ser capaz de atirar rapidamente com precisão.

No mundo da caça, a penetração conta mais do que a expansão. Se você usa uma pistola com munição 380, um projétil que penetra pouco e expande muito é pior do que o contrário. Simples pedaços de pano podem impedir que pontas ocas penetrem o suficiente em qualquer calibre.

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Um outro grande detalhe é que corpos humanos não são feitos de frutas, argila e nem mesmo de gelatina balística. O que se faz são testes comparativos, muitas vezes levando em conta apenas as cavidades temporárias. Nossos tecidos são elásticos e não explodem.

Qualquer vídeo da polícia americana mostra que eles atiram no bandido até ele cair, e as vezes até depois. Com qual calibre? Sei lá. Que ponta? Sei lá. O criminoso realmente não se importa.

Temos uma imposição do calibre 40 em armas grandes sem levar em conta que uma 9mm ou mesmo uma 380, pode efetuar disparos mais rápidos e mais precisos, pelo tamanho reduzido do recuo.

Não se esqueçam que há mulheres também nas forças de segurança. Lembre-se que a primeira regra de um tiroteio é não ser baleado. Proteja-se, pois a reação do seu alvo pode não ser a esperada. Garantia de queda instantânea com armas curtas, só em algumas regiões da cabeça ou coluna. Mesmo assim, só saia da cobertura quando estiver seguro.


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25 comentários sobre “O mito do Stopping Power
  1. Paulo Sergio Ramos Cezar disse:

    Excelente esclarecimento!

  2. Douglas Aranda disse:

    É aquilo que eu digo (pelo menos sobre carros, mas pode ser aplicado nesse caso): Potência não é nada sem controle!

  3. alexandre disse:

    Excelente texto.

  4. Carlos Augusto disse:

    Por isso é muito importante ir ao estande de tiro treinar o “Double Tap”, ou seja, dois disparos consecutivos, partindo desde o saque, destravamento da arma, mirar e atirar “no susto”, pois, o elemento surpresa é o que pode diferenciar entre você ser vítima ou não… Com dois disparos consecutivos, acertados no tórax, mesmo que distantes um do outro, é provável que o alvo seja neutralizado devido ao choque hidrostático causados pelos ferimentos…

    Grande abraço!

    • Diego González disse:

      Refuto a teoria do Double Tap, não por ser ineficaz, mas o grande problema é que se em um confronto armado súbito, você se habituar a efetuar o Double Tap, você o fará independente do resultado, o ideal seria efetuar disparos até ter a certeza de ter cessado aquela ameaça a sua vida.

      • Carlos Augusto disse:

        Concordo, Diego. Temos que nos proteger, porém, com base em algumas leituras efetuadas e vídeos assistidos, há o entendimento de que um Double Tap provoca a parada imediata do agente. Além disso, com a Lei falha em nosso País, a qual protege os vagabundos, um tiro a mais pode lhe jogar em cana por tentativa ou homicídio doloso… Mas enfim, são questões de opiniões e é claro que eu nunca estive e nem pretendo estar em meio à uma troca de tiros, porém, se necessário, instintivamente eu defenderei minha família a qualquer custo, isso eu não tenho dúvida! Grande abraço e obrigado por compartilhar a opinião.
        :)

      • Richars disse:

        O problema sao as Leis que protegem os vagabundos, tem casos de tiro na cabeça, 6 tiros, e o vgaabundo ainda parte pra cima, ai o “agente” comete excesso, tentativa, enfim..Nada que os senhores ja nao saibam.

  5. Giancarlo Fortes disse:

    A muito tempo que nao uso munição ponta oca, porque, pois nao creio na teoria do deslocamento de energia pra gerar cavidade temporaria com pontas ocas como regra para cessar a ação de um individuo armado muito menos com o tal Double Tap que é uma “fralde”, como me disse um Instrutor de tiro Espanhol se dois ( Douple Tap) e bom porq nao 3, ou entao 4 ,,,

    • Marcelo disse:

      Giancarlo. Pergunta de LEIGO. isto não pode mudar de acordo com o objetivo dos disparos. quero dizer, objetivo letal ou apenas de “tirar de combate o agressor?”

  6. abner disse:

    Moçambique Drill e fim de papo!

  7. Ubauer Motté disse:

    Não sei o que este colunista quis dizer com “mito”do Stopping Power ou poder de parara, o que acontece é que o Stopping Power ele é um estudo que se faz para que o operador pare o seu agressor com o mínimo de disparos e sem tirar-lhe a vida, princípio da dignidade da pessoa humana, paralelo a isto, se faz o estudo do tiro de letalidade, aonde se estuda pontos vitais de um ser humano ou animal selvagem, a letalidade pode acontecer até mesmo com uma espingarda ou pistola 5.5(famoso chumbinho), uma pessoa pode ser alvejada e morrer dias depois, dependendo da necessidade do atirador, (isso acontece muito em guerras, um soldado ferido, dois homens carregando, três fora de combate), isto é tiro de letalidade, técnicas de combate, progressão, saturação de inimigo e etc, são outro mecanismos de estudos. O Stopping Power ou poder de parada foi um avanço muito grande na área policial, pois fez com que o policial levasse o cidadão em conflito com a lei preso, e não o destinou ao cemitério.

    • Richars disse:

      Infelizmente, vagabundo leva na cabeca e nao morre, fica na cadeia dando trabalho e despesa, um pai de familia, policial ou nao, leva no dedo e morre.

  8. Celso Nabeto Júnior disse:

    Excelente Lucas, nem imagina as histórias que meus amigos policiais contam…

    Eu falo mas como é possível que ao se defender com essa ou aquela munição o infeliz ainda conseguiu reagir…

    Existem “N” fatores…

    É COMPLICADO…

  9. gustavo disse:

    Excelente post, muito esclarecedor. Obrigado por te lo escrito.

  10. ramon disse:

    É SÓ TESTAR EM UMA CARNE DE BOI ,AI AGENTE VAI SABER O QUANTO PENETRA

  11. júlio disse:

    Bem simples, quer deixar o indivíduo no “cavaco”? Usa munição knock down calibre 12. Garanto!! kkkkk

  12. Kleber disse:

    Esse assunto sobre stopping power sempre rendeu calorosas discussões no meu ambiente de trabalho policial. Há uma crença de que calibres maiores(.40 ) e expansivos ponta-oca causam ferimentos maiores porque ocorre a expansão do projétil e que não transfixa o corpo alvo, e que calibres menores (380+p e 9mm) não expansivos não causariam ferimentos maiores porque percorrerem uma distância maior nesse corpo e até mesmo por transfixá-lo não causando uma força de parada. Nesse artigo vejo que não é bem assim, acredito que tal crença seja pelo fato de os fabricantes associarem a venda de seus produtos (munições) ao mito do “stopping power”. Queria só saber se existe ou poderia ter um projétil .40 expansivo ponta-oca que percorresse uma distância maior de 5″ polegadas pelo simples fato de ter maior grains de polvora no cartucho? Gostei muito do artigo!

  13. Kleber disse:

    Corrigindo o comentário anterior o trecho: “que calibres menores (380+p e 9mm) não expansivos não causariam ferimentos (menores) “maiores” porque percorrerem uma distância maior nesse corpo e até mesmo por transfixá-lo não causando uma força de parada.
    Seria causariam ferimentos menores.

  14. Kleber disse:

    desconsire o comentário anterior pois escrevi na negativa e me confundi.

  15. paulo disse:

    Em minha PT 838, só muniçäo nova e de qualidade, tipo Remingtom gold saber, 120 grains

  16. huan disse:

    Quando se fala em stopping power de armas de porte o que vale realmente é a cavidade permanente , ou seja, não existe nada que comprove que a cavidade temporária causada por um double tap irá tirar um agressor de combate. Ainda assim, para que isso aconteça, vai depender de fatores psicológicos e da disposição do agressor em permanecer no combate. Excelente artigo!!!

  17. Fernando disse:

    Destravar? Você anda com a pistola travada? Já começa errando.

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