Moriori. A tribo neozelandesa que acreditava na paz sem lutar.

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

Os Moriori são um povo indígena de Rēkohu (Ilha Chatham) e Rangihaute (Ilha Pitt), duas grandes ilhas ao Sudeste da Nova Zelândia. São duas ilhas isoladas, com uma história peculiar em diversos aspectos.

Neste texto, será dada ênfase a História da Lei de Nunuku.

Nunuku era um chefe de tribo reconhecido. Após se cansar das guerras com os navegantes estrangeiros e entre as tribos internas, proclamou a todos os guerreiros Moriori que a matança deveria parar. Proibiu o homicídio e o canibalismo, sob a pena de uma maldição:

“Que suas vísceras apodreçam no dia em que vocês desobedecerem”.

Assim, de acordo com o a Enciclopédia oficial do Governo da Nova Zelândia, os Moriori viveram sem guerras por 600 anos., chegando a uma população de 2.000 indivíduos, divididos em nove tribos:  Hamata, Wheteina, Eitara, Etiao, Harua, Makao, Matanga, Poutama e Rauru.

Em 1791, contudo, a História começou a mudar. Um navio Inglês denominado Chatham saiu do curso e acabou chegando às ilhas. O Tenente William Broughton cravou lá uma bandeira inglesa e reivindicou o território ao Rei George III.

Tamakaroro, um habitante local não se sentiu confortável com os novos visitantes e suas reivindicações. Foi morto pelos ingleses.

Os Moriori, em sua cultura de não reação culparam o próprio Tamakaroro por ter sido assassinado.

A partir de 1800 os baleeiros começaram a se tornar cada vez mais comuns nas agora intituladas Ilhas Chatham. Não demorou para que a existência das ilhas desguarnecidas chegasse até a ilha principal da Nova Zelândia, especialmente ao povo Maori.

Em 1835, 24 gerações após a outorga da Lei Nunuku, os Moriori receberam cordialmente 900 Maori. Devido a longa viagem, os navegantes chegaram muito doentes, e foram acolhidos e tratados pelos Moriori.

Tão logo se recuperaram, os visitantes Maori começaram a revelar suas intenções. Um reino de terror havia sido iniciado.

Sem acreditar no que estava acontecendo, e sem nenhum preparo para se defender, os Moriori imediatamente reuniram um conselho de 1.000 homens. Os jovens alertaram que estariam prontos para lutar, que os Maori não viam uma guerra há séculos, e que eles – os Moriori – eram um povo forte. Além disso, havia três vezes mais Moriori que Maori nas ilhas.

Os anciãos da tribo, contudo, foram claros. Lembraram que a Lei de Nunuku era um pacto com os deuses que não poderia ser desfeito. E decidiram que a cultura da paz sem luta seria a melhor forma de lidar com os invasores.

Moriori em 1877. Foto do Governo da Nova Zelândia.

Moriori em 1877. Foto do Governo da Nova Zelândia. ————————– Hirawanu Tapu (second left, standing), Rohana (second left, sitting) and Tatua (second right, standing) were adolescents at the time, and endured over two decades of slavery. Descendants of survivors include Wari Tutaki (left), Teretiu Rehe (third left, standing), Rangitapua Horomona Rehe (fourth left, standing), Piripi (far right), Ngakikingi (middle, sitting) and Te Tene Rehe (next right).

Estima-se que quase 1.600 dos 2.000 Moriori foram mortos entre 1835 e 1863. Alguns dos restantes foram escravizados e outros tantos se suicidaram.

Em 1862 havia apenas 100 Moriori. Em 1933 tem se o registro da morte do último deles.

Hoje existe cerca de 725.000 Maoris espalhados em todo o mundo.

 


 

Literatura Consultada:

http://en.wikipedia.org/wiki/Moriori_people

http://www.teara.govt.nz/en/moriori/page-4

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maoris


Publicado em História
4 comentários sobre “Moriori. A tribo neozelandesa que acreditava na paz sem lutar.
  1. toninho disse:

    É a velha história do “pato sentado esperando um tiro na lagoa”;
    aqui no Brasil os desarmamentistas pensam dessa forma mas andam com seguranças armados demagogia.
    Por falar nisso lançaram nos EUA a munição 0.22TCM para ser superior ao FN 5.7×28; será que vão lançar uma nova portaria proibindo esse?
    Falo isso pela incapacidade de nossos legisladores de entenderem alguma coisa, são assessorados por amadores ou por interesses escusos.

  2. Gabriel Arruda disse:

    Tá aí o resultado da “cultura de paz” a guerra é uma coisa ás vezes inevitável e a humanidade é uma raça guerreira nós somos guerreiros não santos.

  3. PRANCHIE disse:

    Muito interessante essa historia. Muito a ver com a dominação, escravização e exterminio em massa dos judeus pelos nazistas. Assim como de outras nações pacifistas.
    SI VIS PACEM PARABELLUM!!!! TRADUZINDO: SE QUERES A PAZ, PREPARA-TE PARA A GUERRA.

  4. Lucas Parrini disse:

    Aprenderam que o preço da paz é a eterna vigilância da pior maneira possível.

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