Já ouviu falar em “Pocket Pistols”? Saiba um pouco sobre elas.

Servidor público, entusiasta de história militar e Atirador

A temática de auto defesa armada sempre traz consigo paixões e um pouco da personalidade de cada indivíduo. Sendo por vezes o atirador muito afeito a um determinado calibre, armamento, tática, regulamento (tem gosto pra tudo, até pra isso não é mesmo?). Clubes mundo a fora em homenagem (sinceras, reconheço) seja a 1911, ao calibre 45, entre outros. Seja por seu peso histórico, seja por seu uso prático diário, seja por fama midiática, sempre serão exaltados os principais produtos das linhas das principais fabricantes de armamento.

Porém, à bem da verdade e da justiça, e rendendo iguais deferências, o uso das chamadas pocket pistols (algo como pistolas de bolso em português) tem um passado com uma fama um pouco rasteira, mas com o passar do tempo se provam companheiras fiéis de seus portadores.

Como não lembrar da pistola Derringer (1), famosa por ser a “arma do trapaceiro” nos filmes Western, ou da necessidade de eliminar o perigo nazista com as pistolas monotiro .45 ACP Liberator (2), que eram enviadas aos lotes para a resistência na Europa. Nos anos 70, com a deterioração da segurança nos EUA, houve um aumento da aquisição de Pockets principalmente por mulheres para evitar estupros e roubos, eram as Lady Guns, por vezes em calibre .25 ou .32.

Na Europa elas foram bastante populares no pós guerra justamente pela fama construída durante as ações dos partisans, lembrando que não importando o tamanho, apenas o resultado, fábricas como a ASTRA (3) na Espanha, Beretta (4), entre outras menores tiveram sobrevida com cópias e desenhos próprios baseados nessa proposta/conceito.

No Brasil, as pistolas 6,35 também obtiveram algum sucesso, principalmente por intermédio da Beretta, entre os anos 70-80, outros tempos, outras cabeças.

Com o advento, no Brasil, do Estatuto do Desarmamento, essas armas ficaram em animação suspensa, por vez ou outra um colecionador conseguia importar, mas seu uso como “sidearm” ficou inviável.

Até que nos fins anos 2000, início dos 2010 a Taurus apresentou a série 700, resgatando um pouco o público carente de uma arma pequena, de relativa baixa potência, mas pra ser a última linha de defesa. No Brasil está presente em sua versão 738 (5) e 738 pink , uma lady gun. Nos EUA há possibilidade em 9mm, .40 e .45.

A despeito de alguns problemas de execução de montagem, a Taurus demonstrou interesse em prover um armamento com foco no mercado civil, de porte pequeno e velado, que uma vez a nossa legislação vigente fosse outra, seria uma porta reaberta ao pleno armamento.

A filosofia de uso de uma pocket pistol é a mais visceral de todas, é ela que vai decidir se você vai efetivamente viver ou não, ou pelo menos lhe dar tempo pra reagir enquanto pensa na melhor forma de sair de uma enrascada.

Fotos:

1 – Derringer

2 – Liberator

3 – Astracub

4 – Beretta Bobcat

5 – Taurus 738

Colaborador do Instituto DEFESA e curioso em criminologia e assuntos relacionados a combate e segurança.


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