Estatuto do Desarmamento fraudando a democracia

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.

Imagine que você vive em um país democrático. Estamos em um ano eleitoral, e o candidato que você apoia tem chances mínimas de ganhar. Seis meses antes da votação, ele não chega nem a 20% dos votos, contra mais de 80% do adversário, segundo as sempre insuspeitas pesquisas de opinião. Será uma lavada na certa. Para complicar, a imprensa é majoritariamente contrária ao seu candidato, atacando com as mais vis mentiras e parcialidades. O lado de lá conta com muito mais dinheiro e estrutura para a campanha. E apoios. Ah, os apoios… Uma verdadeira constelação de artistas, políticos e pessoas da grande mídia. É uma batalha perdida, na certa. Guerra do tostão contra o milhão. Uma jangada contra um porta-aviões nuclear. Favas contadas. Melhor nem votar, e usar o domingo de outubro pra algo mais proveitoso, como pegar um cinema, fazer um churrasco ou visitar a avó.

Mas… Aos poucos, mesmo com tudo (e quase todos) contra, seu candidato vai acertando o passo. E o tom da campanha. Pouco a pouco, a maré começa a mudar. Mudanças sutis, que só são percebidas através das pesquisas qualitativas, realizadas pelas campanhas para consumo interno e ajuste de rumos. Como o lado opositor tem mais recursos para realizar essas pesquisas, eles percebem antes que algo está acontecendo. E, com medo, sobem o tom contra o seu candidato. Começam a usar um tom melodramático, mexendo com emoções básicas do eleitorado e inventando as histórias mais absurdas.

Com o tempo passando e o seu candidato subindo nas pesquisas, fazendo uma campanha simples, boa e correta, sem contar mentiras, apelando apenas ao bom senso do eleitor, o lado opositor se desespera cada vez mais. São cada vez mais frequentes os ataques da imprensa simpática ao outro lado, usando sempre “especialistas”. Como bem definiu Rodrigo Constantino, são os “sociólogos de entrevista”. Estudiosos da área de humanas, com uma agenda ideológica semelhante ao veículo de comunicação que conduz a entrevista, sempre prontos para dar uma opinião tida como especializada (que geralmente contradiz a lógica básica), não-isenta e na maioria das vezes, completamente equivocada.

Seu lado, com todas as dificuldades iniciais, chega no dia da eleição surfando a onda do bom humor e da esperança. A vitória, que no começo era um delírio, vira algo real. O outro lado, que era tido como vencedor na largada, vive no desespero e no jogo baixo. E as urnas refletem isso. O resultado é consagrador. Seu candidato dá uma verdadeira surra. Ganha de 65% a 35%. Praticamente dois terços dos votos, mais do que qualquer presidente antes ou depois dele. Vitória, tudo resolvido, afinal, é assim que a democracia funciona, não?

voto1

É, não muito… Apesar dos números da vitória eleitoral, quase nove anos depois, nada que o seu candidato propôs, ou quis evitar, entrou em vigor. Aliás, aparentemente ele nem assumiu. Vivemos como se os vencedores fossem o lado contrário. E quase ninguém reclama. Não há um barulho sequer na imprensa, essa entidade que sempre se coloca como defensora intransigente da democracia. Nada, nenhum protesto, nenhum editorial raivoso. Como você se sentiria se fosse com você? Como você se sentiria ao se ver enganado? Ou ver a democracia, tão valorizada, ser sumariamente desprezada e insultada? Ao ver a legítima vontade popular não valer absolutamente nada? Posso falar por mim. Me sentiria traído e revoltado, para não utilizar temos mais fortes.

Aparentemente, tudo isso é uma história de ficção, já que começou com uma pergunta hipotética que fiz no começo do texto.

Mas, infelizmente, não é. Tudo isso se passou (e vem passando) conosco, desde 2005, com a votação do nefasto Estatuto do Desarmamento. Contra uma gigantesca bancada suprapartidária, dinheiro de ONGs nacionais e estrangeiras, astros da mídia, imprensa em sua maioria contra, e uma das campanhas mais baixas que se tem notícia, apelando ao sentimentalismo barato e na desinformação, nós ganhamos. Com quase o dobro de votos que o outro lado. O NÃO derrotou o sim.

No filme Recontagem (Recount, de Jay Roach, 2008), que trata da batalha jurídica pelos votos da Flórida na eleição presidencial dos EUA, em 2000, uma cena é bastante significativa. Os personagens Ron Klain (Kevin Spacey) e Michael Whouley (Daniel Leary), ambos funcionários da campanha do democrata Al Gore, estão em um bar, tarde de noite, reclamando da situação de indefinição. Chega uma hora em que, depois de todo o imbróglio jurídico e situações criadas, Klain grita para todo o bar ouvir: “Eu apenas gostaria de saber quem realmente ganhou a eleição, só isso”.

Aqui, no nosso caso, não podemos reclamar nem disso. Nós sabemos quem ganhou. Nós ganhamos. Eu repito: O NÃO GANHOU.

Faz quase nove anos que vivemos em uma enganação, onde nosso voto contra o desarmamento não é respeitado. Nos desmobilizamos e nos desorganizamos. Somos responsáveis por ter deitado no berço esplêndido da vitória. Não seguimos a máxima de que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Não continuamos pressionando pela manutenção dos nossos direitos. Nossa liberdade de ter e portar armas de fogo segue mais ameaçada do que em 2005. Por isso, precisamos nos organizar com ainda mais força e vontade do que nove anos atrás. Agora, temos certeza de que o lado de lá não respeitará as decisões democráticas da maioria nas novas tentativas de nos desarmar. Agirão sorrateiramente, na calada da noite, como costumam fazer. Afinal, a democracia para o lado de lá, só vale quando eles ganham.


Publicado em Artigos
17 comentários sobre “Estatuto do Desarmamento fraudando a democracia
  1. WILLIAN SANCHEZ disse:

    Sem dizer que esse referendo poderia ser feito juntamente com as eleições que seria realizada no mesmo ano e que poderia ser economizado milhões dos cofre públicos. Isso realmente foi um golpe do governo, pois como a matéria ja diz o NÃO venceu, más para não dar o braço a torcer inventaram um monte de restrições, para que o cidadão possa adquirir e portar uma arma…. outra coisa, qual é besteira de restringir os calibres de armas, vamos ver.. “aquele calibre mata mais que aquele outro”….gente “ARMAS NÃO MATAM PESSOAS…. AS PESSOAS MATAM PESSOAS”..

  2. ednel pedro da silva disse:

    estojunto no armamento sim é um direito nosso .vagabundo anda armado pai de família não pode fora desarmamento .

  3. Leopoldo Butkiewicz disse:

    Vejo que pelo meio legal/administrativo não teremos êxito…então o que nos resta?

  4. Romulo Bittencourt disse:

    Desarmaram fraudosamente a população. Mais os bandidos continuam armados

  5. Bruce Allan disse:

    Prezados,
    é extremamente inaceitável tamanha insensatez por parte de todos os acomodados.
    A Constituição Federal é a carta máxima aos interesses nas relações humanas e foi criado para garantir que nenhuma LEI fosse capaz de ferir os direitos básicos de cidadãos e instituições, a democracia plena e verdadeira se embasa na constituição, e se permitirmos que a constituição seja deixada de lado pelo interesse de poderosos políticos isso é um golpe devastador a nossa democracia, que uma vez não respeitada garante o caos e a ditadura!
    A legitima defesa é um direito seu e meu igualmente, garantido por constituição, só o ato de contestar isso é criminoso e perigoso contra o ato democrático, é com o levantar a questão se todo cidadão tem ou não direito a alimentação, se o cidadão tem direito a trabalhar, ou direito a receber do estado estrutura de saúde, nada disso é questionável, assim como o direito a legítima defesa não é também, entenda que nenhum estado é obrigado a evitar o crime de acontecer, mas sim de punir o autor, por tanto o único que pode evitar, e tem isso garantido pela constituição, é a vítima, que estando armada em casa ou trabalho ou em seu carro ou com sua arma na cintura poderá proteger a si mesmo e aos outros.
    Em uma sociedade com direito ao armamento do cidadão fica -se certo a diminuição da impunidade e da violência.
    O mal feitor o ladrão ou o assassino evita suas práticas em locais onde certamente tenham resistência, quantas vezes se noticiou assalto ao banco central de qualquer pais? Ou assalto a instituições fortemente armadas?
    olha, isso não é discutível, é nosso direito constitucional.
    tudo que temos de fazer é exigi-lo.
    Nós da rede de Franquias Legítima Defesa, estamos prontos para que você cidadão comum realize o seu processo de aquisição de sua arma de fogo legalmente, seja para defesa seja para CAC e qualquer PJ que deseje comercializar produtos controlados também atendemos.
    venham conhecer e se torne um franqueado ou seja nosso cliente.

  6. antonio geist disse:

    Temos que se unir nao somos mais donos nem de nossos lares …da nossa vida que democracia e esta?eu digo nao ao desarmamento quero viver ,e quero meu direito de defesa

  7. Ildo Silva Mendonça disse:

    Dizer que não preciso estar armado pois a Policia me protegerá é o mesmo que dizer que não preciso de extintor de incêndio em minha loja porque o Bombeiro estará sempre lá à minha disposição.
    .
    Eu quero exercer o meu Direito Inalienável de me defender contra qualquer ataque à minha vida e ao meu patrimônio.

  8. emerson hegen disse:

    eu quero os meus direitos de defesa pessoal ja porque enquanto estou desarmado preso em minha propria casa bandidos andan de fuzil em punho livremente nas ruas . deverian estar dando curços de como manusiar uma arma a quem nao sabe ao inves de tiralas das pessoas (depender da nossa policia e uma piada)

  9. Daniel Ribeiro disse:

    Realmente é lamentável. Ganhamos, mas não levamos a vitória para casa. País de merda.

    Mas a hora deles está chegando…

    • Johann Bartz disse:

      O que é de se esperar de um governo que, na sua maioria, é bandida?! O desarmamento do cidadão de bem…aí eles podem deitar e rolar.

  10. Direito democratico ja disse:

    Temos que nos mobilizar, planejar e agir. Vamos a luta de nossos direitos, nao podemos ficar parados. Mas eu não sei o que fazer vamos pensar juntos, se mobilizar, conscientizar a população e depois agir com grande peso.

  11. jose aparecido da sllva disse:

    E SOU A FAVOR DO PORTE DE ARMA PARA SEGURANÇA PRIVADA

  12. jesus henrique gomes filho disse:

    CONCORDO PLENAMENTO COM ESSES COMENTARIOS O BRASIL ESTA CHEIO DE IPOCRISIA PARA NAO FALAR EM OUTRAS PALAVRAS COMO PODE GANHAMOS E NAO LEVAMOS TENHO ARMA REGISTRADA DESDE A DECADA DE 90 ATE HOJE COM ESSE DESARMAMENTO QUE DEJARMOU SO CIDADAO DE BEM NAO PODEMOS TER NOSSO DIREITO DE PORTAR UMA ARMA DE FOGO E EU AJUDEI NA CAPANHA DO DESARMAMENTO ELES SABEM DISTO ENTREGANDO E NAO FORAO SO DUAS E NEM TRES E OQUE QUE DEU SE EU FOSSE BANDIDO TERIA VENDIDO E COM AS MINHAS REGITRADAS LEGALMENTE NAO POSSO PORTALAS!!!! MAS A BANDIDAGEM ESTA AI O EXEMPLO TIRANDO VIDAS DE PAIS DE FAMILIAS HIDONEAS INCLUSIVE DOS PROPRIOS POLICIAIS QUE PERDEN SUAS VIDAS E NEM DELAS OS GOVERNANTES SE PREOCUPAO PORQUE SEGURANCA ARMADA 24 HORAS PARA OS DEFENDELOS AS CUSTAS DE NOSSOS IMPOSTOS QUE NAO SAO POUCOS SE NAO TIVERMOS HOMENS COMO FERNANDO COLLOR DISSE DE SACO ROXO PARA NOS DEFENDER QUEM O FARA DILMA NAO E MACHISMO E APENAS UMA EXPRESSAO VALEU O ESPACO PARA O DEJEJO DE UM BRASIL MELHOR JUNTOS SOMOS MAIS FORTE !!!!!

  13. leandro disse:

    o que vcs acham,enquanto o pobre anda de onibus os filhos deles (congressistas)andam de carro brindado,ve se passa no noticiario algum tipo de atentado contra os vereadores e deputados,atentado só contra o pobre ,colocar fogo no onibus com os coitados dentro,roubo em cemaforos de seus veiculos pagos a suor em 72 vezes,pra que armar gente de bem que tem direito a propria defesa não é a mãe deles qe esta a chorar com os filhos mortos por bandidos armados que matam inocentes como se fossem insetos, fala sério pais de merda impunidade,cada dia me da mais nojo de toda essa merda como seria bom se nossos colonos tivessem sido os ingleses e americanos ao invés de portugueses,com certeza nossa cabeça sobre leis seria outra compenas de morte e afins.

  14. felipe disse:

    Bandidos estão batendo palmas Para Estatuto do desarmamento !!!!!!1

  15. Silvano Viturino dos Santos disse:

    Considero isso uma sacanagem e deveria ser questionado na Justiça.

    • TIAGO DALMOLIN disse:

      Nesse pais quem tem a vez são os vagabundos que compram armas ilegais que entram por nossas fronteiras sem controle. E os mesmos vagabundos e crápulas políticos que se dizem representantes do povo são coniventes com toda essa bandalheira, ferindo assim o direito do cidadão a legítima defesa. No dia 05 de outubro vou rasgar meu titulo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*