Como tratar um desarmamentista

Luiz Giaconi é empresário, escritor e jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero; Pós-Graduado em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP.
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Para quem ainda não viu, assista o vídeo acima. Do lado que defende o direito à posse e ao porte de armas, temos Ben Shapiro, advogado, consultor de mídia e editor dos excelentes sites Breitbart News e TruthRevolt. Do outro lado, representando o desarmamento, Piers Morgan. Para quem não conhece, Morgan substituiu Larry King no programas de entrevistas noturno da CNN. Antes disso, ele foi diretor de diversos tabloides na sua Inglaterra natal. Ainda esteve envolvido no esquema de escutas ilegais, que jornalistas ingleses utilizavam, como fonte de matérias, segundo apontou o relatório Levenson. Perdeu os cargos que ocupava, e foi para os Estados Unidos. Defender o desarmamento.

Piers Morgan já teve outros debates com defensores de armas, como Larry Pratt e Alex Jones, mas nesse com Shapiro podemos ver (e desmontar) boa parte dos argumentos do outro lado.

Ele começa mencionando um acidente lamentável, no qual um garoto matou a irmã. A culpa, segundo ele, seria da empresa, que anuncia produtos que “não são apropriados para crianças”. Só se esquece da responsabilidade dos pais, de deixar uma arma ao alcance de uma criança. E não ensinar que crianças JAMAIS devem mexer em armas (ou remédios, ou produtos de limpeza, ou fogo, ou até mesmo a internet) sem a estrita supervisão de um adulto responsável. Acidentes por acidentes, janelas e piscinas são responsáveis proporcionalmente por mais mortes de crianças do que armas de fogo. E até hoje não vi um movimento anti piscina.

Para Piers Morgan, a uma saída para isso é uma nova lei, regulamentando ou banindo as propagandas de armas. Como jornalista, sou obrigado a dar um conselho a todos que me leem: sempre desconfie quando alguém da imprensa diz “deveria ter uma lei para…”. A sanha legalista e regulamentadora da mídia em geral costuma superar, e muito, a da maioria da população. Como se leis cheias de “lindas” intenções muitas vezes não criassem consequências desastrosas. Vide nosso Estatuto do Desarmamento. Na intenção de nos salvar de nós mesmos, nosso governo nos desarma, não faz absolutamente nada sobre a criminalidade e ainda nos pune quando tentamos nos defender. Com apoio quase que total dos Piers Morgans daqui.

Ben Shapiro logo toca num ponto crucial do discurso dos desarmamentistas: eles se esquecem (ou evitam) sempre que podem, falar sobre experiências desastradas de desarmamento. Ao mencionar Chicago, uma das cidades americanas com leis mais restritivas para a compra e posse de armas, em comparação com outras cidades de lá, Shapiro demonstra que restrição de armas na população civil serve apenas para aumentar a violência. Para ficar apenas na realidade americana, basta comparar os números de Michigan (rígidas leis anti armas), com o Texas (poucas regulamentações). Se compararmos com o Brasil então, ficaria vexatória a situação. Mas, como é de hábito, as três primeiras coisas a desaparecer quando um desarmamentista começa a falar são os fatos, as estatísticas e a lógica.

Piers Morgan ainda questiona o fato de que, segundo uma pesquisa, parte da população americana se atém as suas armas por medo de um governo autoritário. Para uma pessoa vinda de um país com longa tradição democrática, como na sua Inglaterra, essa “paranoia” pode fazer pouco sentido. Os americanos pensam diferente, já que tiveram que pegar em armas para ser independentes. Talvez Piers pensasse de outra maneira, caso fosse brasileiro. Dos 100 anos do século XX, ficamos quase 40 sem poder eleger nosso presidente. Acreditar piamente nas boas intenções dos governantes (qualquer um) é o mesmo que acreditar que se pode evangelizar uma casa de tolerância.

No final, Piers Morgan ainda se diz a favor apenas da proibição de armas de assalto. Ou seja, um desarmamentista light. Mas, infelizmente, as coisas começam assim. Nada melhor para cozinhar uma rã sem ela perceber do que jogar numa panela fria e ir esquentando aos pouco. Essa é basicamente a tática de quem defende o desarmamento. Um dia, pedem a proibição de determinado tipo de arma, dizendo que vão parar ali. Como são bem sucedidos na empreitada, logo seguem, aos poucos, retirando o resto. Exatamente como fizeram conosco, aqui no Brasil.

Cabe a nós, defensores da defesa do indivíduo, demonstrar as falácias, erros, ausência de lógica e falsidades do discurso de quem defende o desarmamento, como Ben Shapiro fez na entrevista. Para isso, temos que conhecer os inimigos que nos cercam. E não são poucos.


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7 comentários sobre “Como tratar um desarmamentista
  1. Daniel Ribeiro disse:

    Excelente artigo, Luiz. É realmente triste ver que quem defende o desarmamento esteja disposto a argumentar de forma tão primitiva e ofensiva. Cada vez mais me convenço de que é simplesmente impossível argumentar com alguém convicto de que o desarmamento é uma coisa boa.

    Felizmente, muita gente ainda tem humildade para ver os indicadores, os dados estatísticos e os argumentos pautados na lógica, e acaba mudando de opinião.

    Sobre o Piers Morgan… Já foi tarde!

  2. Artur disse:

    Belo Vídeo. Shapiro demonstra que não devemos abrir mãos nem do direito de portar armas de assalto. Os americanos jamais conseguiriam sua independência com facas e garruchas. A garantia da Liberdade passa por cidadãos armados em sua própria cognição de necessidade, que incluí, o mesmo nível de armamento individual que um infante oficial porta. A história está repleta de governos tiranos, vez ou outra, é preciso regar a liberdade com o sangue de ditadores.

  3. Rafael Leitão disse:

    A desonestidade intelectual do desarmamentista foi horrenda. A Opinião dele é claramente contrária a todo e qualquer tipo de porte de armas, porém ele insiste em tentar passar a imagem falsa de um desarmamentista light.

  4. Gilter disse:

    Desarmamentista sempre tem em comum a aptidão irracional de defender suas pseudo verdades com argumentos sem fundamentos que na verdade nem podem ser chamados de argumentos e são dignos de pena, pois, são o típico manifesto da própria ignorância.
    Ótimo, direito de qualquer um gostar ou não de um objeto, mas tirar o direito dos outros não é humano… ainda mais quando este direito é amparado universalmente (artigo 3 declaração dos direitos universais do homem)e nossa constituição de 1988 artigo 5°… sei que só falo isso mas é bom para os egoístas desarmamentistas refletirem.
    Infelizmente não vivemos mais em uma democracia.

  5. Jonatan Gewehr disse:

    O maior interessado em ver o povo desarmado é um governo corrupto que tem medo de seu povo educado. Nunca foi para combater a criminalidade.

  6. Carlos Gressler Filho disse:

    Baita texto,
    Mas acho que um ponto poderia ser incluso nessa história:
    Assim como no caso dos americanos que já tiveram que pegar em armas para se revoltar contra um governo, este acontecimento também aconteceu em determinados pontos do pais, como no Sul, com a guerra dos farrapos.
    Percebem que o nacionalismo americano se parece bastante com o bairrismo gaúcho?
    Não sou gaúcho mas sou filho de, e conheço muito de perto a estrutura dessa cultura, e posso afirmar que em minha experiência fica claro que onde já se sofreu é mais forte a vontade de não esquecer disso para não sofrer novamente.

    Além disto, outra coisa interessante é que o ponto nevrálgico que é citado no vídeo é a 2ª emenda da constituição americana, mas esquecem de falar que o mais importante do que o povo estar armado é seu governo saber disso, e saber que seu poder vem do povo que o escolheu, assim ele pensará duas vezes antes de encarar regimes autorirários…

  7. toshitaka disse:

    para os japoneses foram bom o desarmamento porque a maioria
    pensa em ganhar algo com o seu trabalho são poucas pessoas que
    que pensa em roubar ou assaltar e o principal e que as drogas como a maconha cocaína não e permitida de forma algum não importa a quantidade são presos igual no brasil que estão vendendo craque nas ruas

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