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O que é MOA (Minute of Angle)?

Lucas Silveira
Presidente do Instituto DEFESA
Instrutor-chefe da Academia Brasileira de Armas

Entre os assuntos mais repletos de mitos e desinformações, sem dúvida figura a balística. O tiro, em especial o tiro de precisão, é terreno fértil para os pseudo-especialistas, para guerreiros de teclado e para toda espécie de palpiteiros que acreditam que entendam muito mais do que de fato entendem.

Bem, eu sou um desses arrogantes, e vou me atrever a compartilhar com vocês hoje alguns conceitos que eu acredito dominar. O que é esse tal de MOA? Pra que serve? Como funciona?

Vamos lá!

MOA é uma abreviatura para “Minute of Angle”, ou minuto de ângulo. Voltemos então às aulas da Tia Maricota lá na escolinha. Temos que um circulo se divide em 360°, e como você já deve saber, se você estiver olhando pra frente e consideraá-la como 0°, e imaginar um circulo ao seu redor, às suas esquerda e direita estarão os ângulos de 90° e 270°, e à sua retaguarda o ângulo de 180°.

Cada um desses 360° pode ser dividido em 60 partes iguais, chamadas de Minuto de Ângulo ou arco-minuto.  Esta é a escala que se trabalha no tiro de precisão.  Vamos entender melhor como.

As lunetas costumam ter suas clicagens medidas em partes de minuto de ângulo, como 1/4 ou 1/2, por exemplo. Assim, se você clica 1/2 de MOA na sua luneta, significa que a parte mais distante dela se afasta do cano do seu rifle em meio minuto de ângulo.

Quanto isso mede em centímetros ou em polegadas lá no alvo?

Depende prioritariamente da distância que o alvo está de você.

Tradicionalmente essas medidas são feitas em jardas e em polegadas, portanto, vá se acostumando:

1 Jarda (yd) = 0,9144 Metro (m)

1 Polegada (in) = 2,54 Centímetros (cm)

A 100 jardas, 1 MOA equivale a aproximadamente 1 polegada, a 200 jardas, a 2 polegadas, e assim sucessivamente, conforme tabela abaixo.

100 yds 200 yds 300 yds 400 yds 500 yds 600 yds 700 yds 800 yds
1″ 2″ 3″ 4″ 5″ 6″ 7″ 8″

Mais uma vez voltamos às aulas de trigonometria da Tia Maricota. Sabe aquele Teorema de Pitágoras que você passou a adolescência reclamando de não usar pra nada (Perdoem-me o pessoal das exatas)? Chegou a hora.

 O quadrado da hipotenusa é soma dos quadrados dos catetos. Ou, se preferir, a² = b² + c².

Na prática, significa dizer que quanto maior forem seus cateto adjacente e hipotenusa, maior será também o seu cateto oposto. Ou, mais na prática ainda, quanto mais longe o alvo e quanto mais vai refletir a sua clicagem na luneta.

Entender o MOA é fundamental para compreender a precisão dos fuzis. Vamos a um exemplo prático. IMBEL AGLC .308 win. O fabricante informa que este fuzil tem a precisão de “1 MOA”.

Em outras palavras, significa que se todo o ambiente for perfeito, desde o atirador, a munição, o vento, a temperatura e etc, a uma distância de 100 Jardas, este fuzil sempre acertará aproximadamente um alvo do tamanho de 1″, ou 2,54 cm. Todo erro maior que isso é falha do atirador ou de outro fator externo. Todo erro menor que isso pode ser atribuído à arma.

A uma distância de 1000 Jardas ou 914 metros, esse erro aumenta em 10 vezes, ou seja não é possível prever, em um circulo de aproximadamente 25,4 cm de diâmetro, onde o impacto acontecerá. Todo erro maior que isso decorre de fatores externos, todo erro menor que isso pode ser atribuído à arma.

Também é fundamental que se compreenda o conceito de MOA para se ajustar o fuzil para disparos a longa distância. Lembre-se de que a gravidade é uma força constante que começa a puxar o projétil para o solo imediatamente após ele sair do cano, de maneira que toda a trajetória é uma parábola.

Assim como um jogador de futebol que bate uma falta  por cima  da barreira que cai exatamente no ângulo do gol, o atirador precisa compensar o disparo, alinhando o cano acima do alvo, para que o projétil tenha o impacto no local desejado. Não se engane: projétil não “sobe” a não ser que você dispare pra cima. Projétil não acelera depois que sai do cano.

Vamos compreender como é feito esse cálculo nos próximos artigos do portal do DEFESA.


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Recargas em Pistolas – Administrativa, Tática e Emergencial

Treinamento de TCCC reúne entidades de diversos estados

São José dos Pinhais/PR, 8 de Junho de 2015.

Nos dias 05, 06 e 07 de Junho, o 17º Batalhão da Polícia Militar do Paraná abriu as portas para receber brasileiros de diversas partes do país.

Um evento organizado pela International Security Training Center (ISTS) referente ao Atendimento Pré-Hospitalar Tático (Tactical Combat Casuality Care) reuniu Policiais Militares, Policiais Civis, Bombeiros, e setores da sociedade em busca de aprimoramento técnico para suas operações.

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O treinamento capacitou os operadores a agir com habilidade para extricação de feridos em zonas quentes. Participaram do evento membros das seguintes unidades:

  • Corpo de Bombeiro Militar de Araguari/SC
  • 2 Pel/3Cia/9BBM – Bombeiros/MG
  • 1º BPM 2ªCIA Itajaí/SC
  • Polícia Civil do Paraná – Núcleo de Inteligência e Operações da CGPC
  • 17º Batalhão da Polícia Militar do Paraná
  • Bombeiros do Aeródromo do Aeroporto Internacional de Navegantes/SC
  • 20º Batalhão da Polícia Militar do Paraná – ROTAM
  • Polícia Civil de Santa Catarina – Setor de Invesigação da Delegacia de Polícia de Rio do Sul
  • Departamento de Inteligência do Estado do Paraná – DIEP/SESP
  • Grupo de Ações Especiais da SUSEPE/RS
  • Instituto DEFESA

O curso também contou com a importante colaboração do GRAER (Grupamento Aeropolicial – Resgate Aéreo da Polícia Militar do Paraná).

O Instituto DEFESA agradece a oportunidade de participar lado a lado com os verdadeiros heróis de diversas regiões do país e parabeniza a impagável receptividade da Polícia Militar do Paraná, notadamente do 17º BPM ao acolher o treinamento e os seus respectivos integrantes em suas instalações.

UNIDOS SOMOS INVENCÍVEIS.

O preparo psicológico para o combate – Introdução

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

 

Não é necessário ser um grande observador para notar a influência do preparo psicológico nos resultados de quaisquer atividades que exijam rápidas tomadas de decisão sob pressão, a exemplo dos esportes, da política e, obviamente, do combate.

Há algumas décadas Jeff Cooper idealizou a chamada “Tríade do Combate“, na qual ele elencava os três pilares do combate:

 

Tríade do Combate

Cooper elencou com igual importância as habilidades de tiro, as técnicas de manuseio da arma propriamente ditas e o preparo psicológico.

É evidente, portanto, que não se pode subestimar a necessidade do treinamento psicológico para uma situação extrema.

Helmuth von Moltke, Marechal prussiano do século XIX, afirmou:

“Nenhum plano de batalha sobrevive ao contato com o inimigo.”

O que o notório comandante queria dizer, é que as adversidades inerentes ao combate real são imprevisíveis e exigem do combatente a capacidade de rápida adaptação .

Isso não significa que não se deva fazer planos. O planejamento é um dos pontos principais do preparo psicológico. Quanto mais variáveis você consegue prever, mais fácil fica o seu combate.

O planejamento não é restrito a escala militar. O planejamento de defesa pessoal evita que decisões sejam tomadas sob alto nível de estresse.

Experimente responder a estas perguntas:

  1. Você reagiria a um assalto?
  2. Você reagiria a uma tentativa de homicídio?
  3. Você reagiria a uma tentativa de sequestro?
  4. Se você estivesse em um ambiente público, e um desconhecido estivesse sendo injustamente atacado, o que você faria?
  5. Dentro do seu carro, alguém coloca uma arma na cabeça do seu passageiro (mãe, filho, esposa). Qual vai ser a sua reação?
  6. Você está dormindo e ouve um barulho na cozinha da sua casa. Você vai de encontro ao som ou espera em um local protegido?
  7. Em um sequestro, se o criminoso pedir que você vá até o exterior do cativeiro e, caso não volte, os demais sequestrados serão mortos. Você volta ou foge?
  8. Você está com a arma na mão, apontada para um sujeito que ameaça sacar um revólver. Onde você efetua o disparo?
  9. Alguém aponta uma arma para você na frente da sua casa e manda você entrar junto com ele. Você entra ou reage?
  10. Em um combate armado, você é acertado e está sangrando. Você continua o combate ou foge para cuidar do ferimento?

 

Não são respostas fáceis, são?

Resposta de luta, fuga ou congelamento. Três reações possíveis a uma situação de perigo.

Resposta de luta, fuga ou congelamento. Três reações possíveis a uma situação de perigo.

Se você se encontrasse inadvertidamente com o pet acima, automaticamente seu corpo o prepararia, mediante uma rápida estimulação do sistema nervoso simpático, para o combate ou para a fuga.  Isso significa que sua frequência cardíaca estaria aumentada, você estaria pálido, seu sistema digestório estaria momentaneamente  trabalhando mais devagar, haveria a constrição de vasos em várias partes do seu corpo, que disponibilizaria glicogênio aos montes, para te dar energia para a ação.  Suas glândulas lacrimais param de funcionar, assim como as salivares; sua pupila dilata. Há a chamada exclusão de auditório, a perda da capacidade de ouvir e também a visão de túnel, a perda da visão periférica. Você ainda pode tremer e enrijecer, involuntariamente seus músculos. Você está preparado?

Existe também uma terceira opção, além das já citadas luta ou fuga: o congelamento, a pior delas. No congelamento o nível de estresse é tão alto, e o despreparo tão absoluto que a “vítima” não consegue esboçar qualquer reação, tornando-se praticamente imóvel.

Não há método milagroso ou definitivo para a preparação psicológica para o combate, mas é verdade que não se aprender a nadar sem pular na água.

O treinamento deve ser planejado para exigir o máximo não apenas técnica ou taticamente, mas também na reação sob estresse. E as formas de provocar o estresse em uma sessão de treinamento são infinitas, basta a criatividade do treinador:

  • Frio extremo
  • Calor extremo
  • Exercício físico extenuante
  • Desidratação
  • Privação de sono
  • Privação de alimentos
  • Dor em suas muitas variáveis
  • Confusão sonora e visual
  • Resultado contra o tempo
  • etc.

Uma coisa é você passar por uma pista de tiro enquanto toma refrigerante geladinho antes e depois da ação. Outra coisa bem distinta é fazer isso a 40°C, depois de correr 30 min e imediatamente após fazer 50 flexões de braço com o instrutor gritando na sua orelha.

Além disso, a antecipação de situações prováveis mediante planejamento é uma condição indispensável. Pense antes que a situação aconteça. Previna-se. Crie estratégias, mapas mentais. A que tipo de ameaças você está mais propenso? O que você efetivamente fará se ela se concretizar?

Se você se vir em uma luta justa, significa que sua tática está muito errada.

 

 

Inspeção preventiva visual de câmara – Pistola

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

Pronto para sair de casa? Pegou sua carteira, chaves, celular, faca, lanterna e pistola?

  • Tem dinheiro na carteira?
  • Tem bateria no celular?
  • A bateria da lanterna está carregada?
  • E a pistola? Está carregada?

Melhor conferir ante de sair. Leia o artigo completo »

Introdução ao Combate Armado em Baixa Luminosidade – Parte 1

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

INTRODUÇÃO

O combate armado envolve precisão, intensidade e velocidade. Envolve também a premeditação, a leitura da arena, a identificação positiva de alvos, a perfeita técnica de manuseio do equipamento, e incontáveis outros fatores.

Em um ambiente com a luminosidade comprometida, sua lanterna torna-se tão importante quanto a sua arma.N ão importa qual cenário você esteja analisando, nem sob quais critérios ou contextos. Tudo ficará mais fácil se estiver bem iluminado.

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Porte americano, europeu e africano

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

A bandoleira é o coldre da sua arma longa. Saber utilizá-la adequadamente lhe dá vantagens táticas, de conforto e de segurança, auxilia na operação do armamento e até na precisão dos disparos.

Assim, se você pretende portar uma arma longa ou utilizá-la para a sua defesa, para caça ou mesmo para seu entretenimento, não subestime o treinamento do próprio uso da bandoleira, que fará diferença no final das contas. Leia o artigo completo »

Como NÃO usar uma Karambit

Entre em contato com o cuteleiro para saber mais sobre as melhores karambits do mundo feitas no Brasil: jean@callega.com

Alimentar, Municiar e Carregar. Saiba a diferença entre os termos.

Lucas Silveira é presidente do Instituto DEFESA.

Li uma matéria essa semana que falava que havia uma espingarda carregada com 5 cartuchos. Se você realmente sabe o significado da palavra “carregar”, quando se refere a uma arma de fogo, entende que isto é impossível enquanto se utilizar a munição adequada para a arma.
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O Código de Cores de Cooper

Faça uma imagem mental de tudo o que você sabe sobre tiro com armas curtas. Posso assegurar que a maioria do que você visualizou teve influência de Jeff Cooper. Considerado um dos maiores experts em armas de fogo do mundo, o ex-marine John Dean “Jeff” Cooper deixou legados incomensuráveis ao tiro. Ele foi fundador do IPSC, diretor da NRA e introdutor da técnica moderna de pistola em todo o globo. Leia o artigo completo »