As armas de Hitler

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Pistola Walther PPK 7.65 mm (.32 ACP) chapada em ouro com cabo de marfim, presente de Karl Walther a Hitler pelo seu 50 aniversario.

 

Breve biografia de Adolf Hitler.
Adolf Hitler nasceu em Braunau am Inn, Áustria no dia 20 de Abril de 1889, seus pais Alois¹ e Klara tiveram 4 filhos dos quais só Adolf e Paula sobreviveram. Adolf Hitler tinha um meio irmão: Alois e uma meia irmã Ángela, os dois de um matrimonio anterior de seu pai. Quando criança era quieto, poderia se dizer que não tinha nada extraordinário nele, seus professores o consideravam como “comum” nos seus anos no colégio.
Durante sua adolescência Adolf Hitler sonhava em ser artista. Tentou em duas ocasiões entrar na Academia de Artes de Viena, Áustria, embora fosse rejeitado em ambas, se especula que pela sua falta de talento e/ou sua condição social, embora seja incerto.

Em 1908 a mãe de Hitler, Klara, morre de câncer e Adolf fica destroçado. Percorreu as ruas de Viena roubando o que podia, pintava um pouco, embora não exista mais que seu próprio relato a respeito. Antes da chegada da primeira guerra mundial Hitler se mudou para Munique, se supõe que tinha a ver com a sua relutância a prestar serviço no exército austríaco, mas se fosse assim ele não teria se alistado no exército alemão. Quando a guerra estourou em 1914 Hitler participou e sobreviveu a quatro anos de combate².

Em 1919 o clima político na Alemanha era tempestuoso, a falta de bens de consumo, a irregularidade dos serviços básicos e o desemprego tinham gerado um descontento na população em geral. Poucos meses atrás, Novembro 1918, o Kaiser Wilhelm II tinha abdicado da coroa e fugido para a Holanda, deixando um vazio no poder que militares como Ludendorf e Hindemburg tentaram preencher e que de fato já tinham ocupado.

Se exploravam opções  para levantar a  frágil nação da  Alemanha, duramente punida pelo tratado de Versalles como instigadores da guerra mundial. Neste clima incerto apareciam partidos políticos de todos os lados com propostas ideológicas dispersas que reclamavam diferentes agravos de diferentes setores, porém nenhum deles tinha o tom nacionalista e orgulhoso que Hitler imporia no seu.

Hitler uniu-se ao partido socialista dos trabalhadores em 1919. Era o membro numero 55. As reuniões do partido teriam sido como as de todos os demais até a aparição de Adolf Hitler. Ele era um orador nato, um artista no palanque com uma retorica poderosa e convincente. Seu discurso nacionalista não reclamava a um grupo, mas a uma nação: “…Alemanha tinha sido traída pelos seus lideres …”. Ao final dos seguintes meses, Hitler ia assumir o controle do partido dos trabalhadores, trocaria o nome dele ³ e estabeleceria sua ideologia politica como a única a valer para o partido.

Durante os seguintes anos Hitler fez discursos, ganhou adeptos e o partido ganhou terreno. Em 1923 Hitler acreditava ter poder suficiente para derrubar o governo. Assim, com a ajuda dos oficiais do exército e de grupos de pressão organizou o “putsch” (golpe de estado). O plano teria tido êxito se não fosse pelas duvidas de Ludendorf e outros simpatizantes no partido. Perante o fracasso da tentativa de golpe de estado, Hitler foi preso, julgado e condenado a cinco anos de prisão.

Durante esse tempo na prisão Hitler escreveu “Mein Kampf” (minha luta). O livro recolhia anedotas, historias e visões de Hitler a respeito da supremacia aria e a traição que tinha permitido que a Alemanha perdesse seu “lugar na historia.”. Depois de apenas 9 meses na prisão Hitler foi liberado, estava determinado a atingir o poder, mais do que nunca ele via a si mesmo como o único guia para a Alemanha, mas desta vez o conseguiria através das urnas.

Durante os seguintes 8 anos Hitler incrementou seu capital político, ao ponto de contar com a maioria no  “congresso” o parlamento de Alemanha. Ao mesmo tempo Erich Rohm dirigia as S. A. ou tropas de assalto (camisas marrons), um grupo de pressão que executava atos vandálicos que complementavam a plataforma de Hitler. Em 1932 Hitler se nacionalizava como alemão. Estava pronto para assumir um cargo de importância e disputou com Hindemburg a presidência nas eleições. Perdeu por pouco.
Em Janeiro de 1933, depois de que o partido Nazista arrasara nas urnas (julho 1932), como mínimo na eleição de deputados, Hitler tinha perdido a eleição para Chanceler contra Hindemburg e Von Pappien. Não contente, pressionou Hindemburg, que ocupava a presidência, para que o substituísse por Von Pappien, quem até esse momento teria sido Chanceler. Hindemburg, um militar altamente condecorado, homem esperto e bom estrategista sabia que se Hitler alcançasse a chancelaria esta seria mais um degrau na procura do poder presidencial.

Perante a pressão social organizada pelas S.A. de Hitler, os grupos civis e o recentemente adquirido poder do partido Nazista no Reichstag (congresso) Hindemburg cedeu. Karl Von Pappien se demitiu do seu cargo e passou o poder para Hitler. No começo do ano Adolf Hitler ia se converter no segundo homem mais poderoso do país, tecnicamente pela via democrática.

Um ano mais tarde Hindemburg morreria, de idade avançada, deixando Hitler como presidente, chanceler e chefe supremo do exército. Faria com que o exército jurasse lealdade a sua pessoa, quer dizer, a ele mesmo, não a Alemanha, iniciando o uso do termo “führer” (líder). Um título criado pelo próprio Hitler para se distinguir dos seus antecessores e estabelecer uma mística ao redor da sua pessoa.

Entre 1934 e 1939 Hitler ia preparar o cenário para sua grande guerra, a guerra que daria para ele o “Reich” de mil anos com que ele sonhava. Antes do inicio da guerra, Hitler se enfiou nos assuntos nacionais, preparando o caminho para a aceitação “inquestionável” do povo alemão. Estabeleceu rituais nazistas que mudariam o Nacional Socialismo numa forma de religião do estado.

Em 1939 deu começo a segunda guerra mundial com o ataque a Polônia. A segunda guerra mundial iria envolver 104 países seja como participantes ou como afetados e custaria a vida de mais de 60 milhões de pessoas. A intolerância racial, a xenofobia e o ódio a todos aqueles que não aceitassem o Nazismo levaria a um dos capítulos mais escuros da historia da humanidade: os campos de extermínio.

A pistola do destino.
Foi descoberta em maio de 1945 durante a ocupação aliada de Munique ao final da Segunda Guerra Mundial. Estados Unidos tinha liberado a parte oeste da Alemanha e a URSS a parte leste. As duas nações ocuparam a Alemanha durante os seguintes anos.

Durante os anos 30 Hitler tinha estabelecido a sua residência no numero 16 da rua Prinzregentenstrasse. A mansão tinha sediado, não oficialmente, o partido Nazista um par de anos antes de Hitler assumir a chancelaria. Hitler nunca se desfez da propriedade nem permitiu que ninguém mudasse o interior ou o exterior dela durante a década seguinte.

Em 1945 o imóvel se achava praticamente intacto, diferente da grande parte das demais construções afetadas pelos bombardeios dos aliados (1942-1945). Um pequeno esquadrão de reconhecimento (os thunderbirds da 179 divisão aerotransportada) chegou na cidade pela tarde, a cidade era perigosa porque ainda funcionavam nela pequenos grupos da resistência “sem ligação” com o governo provisorio.

O grupo de apenas uma dúzia de homens ocupou o lugar as 18:45 horas. O Sub Tenente Andrew Sivi (private first class Sivi) encontrou Frau Winter, a mulher encarregada da propriedade tremendo na entrada. Perguntou pelos moradores da casa, Frau Winter respondeu que não tinha ninguém e Sivi solicitou ocupar o imóvel.

Frau Winter deu hospedagem na casa, um pouco a força e com certeza muito assustada. Cada um dos soldados achou onde ficar em um quarto diferente. O Sub Tenente Sivi encontrou um quarto grande com um escritório magnificamente decorado, na mesa achou elementos de papelaria com o monograma “AH”, de acordo com a historia de Sivi, ele perguntou a Frau Winter quem era “AH”, a resposta seria inacreditável: “Adolf Hitler”.

Na mesa do escritório Sivi encontrou porta lápis, livros, fotografias e um revolver calibre .22 L.R., Smith and Wesson chamado “lady Smith” de seis tiros com o numero de serie 709; era o revólver que Hitler tinha usado depois da primeira guerra mundial, o mesmo que levou escondido muito anos, o mesmo revolver com que Geli, a sobrinha de Hitler, tinha se suicidado em 1931.

Hitler tinha deixado a casa, o escritório e suas lembranças intactos durante o resto da sua vida, seus tesouros, encontrados pelo Sub Tenente Sivi seriam levados aos EE.UU. como “suvenires”. Sivi recebeu várias ofertas pelo revolver, inclusive antes de chegar a casa, mas devido a importância histórica do artefato não o vendeu. O exército fez com que ela ficasse inoperante antes de devolvê-la a seu dono.

A arma tem sido parte de uma ou outra coleção privada desde então e tem ficado emprestada para varias academias militares e museus.

 

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Revólver Smith and Wesson modelo “lady smith” Calibre .22 L.R. propriedade de Hitler com o número 709

 

Controvérsia sobre o revólver do destino.
A controvérsia apareceu quando foi recuperado o cartão de identificação de Adolf Hitler que sugere que em 1921 solicitou e obteve permissão para portar armas, presumivelmente o revólver Smith 709. Quando Hitler vai parar na prisão depois do “putsch” o revólver some da historia e volta a aparecer para matar Geli em 1931.

O pequeno revólver S&W .22 L.R. foi chamado de  “pistola do destino”, pela mudança de atitude de Hitler depois da morte de Geli. Hitler ficou ,mergulhado numa depressão absoluta, parou de comer e de se importar com os assuntos do partido por vários meses, inclusive vários homens do partido cuidaram dele dia e noite todo esse tempo, já que temiam que ele tirasse a própria vida.

Vários especialistas no assunto concordam em que a morte de Geli foi uma divisória das aguas na vida de Adolf Hitler. Geli era o único laço de Adolf com o mundo e com a dimensão humana e ao perde-la virou um ser ainda mais implacável, focado e frio na procura dos seus objetivos.

 

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Pistola Walther Especial de ouro modelo 8 calibre 6.35 mm (.25 ACP) presente de Karl Walther

 

A outra pistola do destino: “A alternativa”.
No final dos anos noventa Kevin Cherry apareceu com uma pistola Walther especial modelo 8 calibre 6.35 mm (.25 ACP) presumivelmente a arma com a que Gelli tinha tirado a sua vida em 1931. Embora Hitler possuísse uma arma assim, não existe razão para pensar que Geli tivesse tirado a própria vida com outra arma que não fosse a S&W .22 L.R. numero 709.

 

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Fotografia de Angelika Raubal “Geli” y Adolf Hitler “Adi” (1928)

 

Adi e Geli.
Angelika Raubal, também conhecida como Geli era filha de Leo Raubal e Ángela Hitler (irmã adotiva de Adolf). Era uma garota do interior, de complexão forte embora atraente, com um caráter dócil, alegre e simples. Viveu em Linz (província rural) até a morte de seu pai em 1924, quando ela e sua mãe se mudaram para Austria.

No verão de 1925 Hitler era liberado da prisão. Tinha optado por se afastar da vida publica por uns tempos e escolheu a região da Baviera, ao sul da Alemanha para esse retiro. Adolf convidou a Ángela e sua filha para trabalhar com ele, como empregadas do lar.

Pouco tempo despois da chegada de Ángela e Geli Hitler desenvolveu uma fascinação incomum pela sua sobrinha com quem desfrutava ao passar grande parte do seu tempo livre. Para os historiadores Geli foi o grande amor de Adolf Hitler, um amor pouco convencional de natureza incerta já que não se sabe se Adolf teve uma relação de natureza sexual com Geli ou se seu “amor” por ela era do tipo paternal.

Ela tinha só 17 anos quando se mudou para Baviera, ele era 19 anos mais velho, mas a relação que aos olhos do publico era de mentor e pupila floresceu. Ele a levava a todos os lugares e a enchia ela de presentes. Era tenro e brincalhão com ela, pelo menos no começo. Na medida em que passavam os anos Adolf tornou-se obsessivamente protetor de Geli, ao ponto de afasta-la do mundo.

No entanto a carreira de Hitler decolava, ele passava menos e menos tempo com Geli. A moça era confinada no apartamento de Hitler em Munique até que ele tivesse tempo de vê-la. Geli e Adolf brigavam muito no final de sua relação, ele estava cada vez mais atento a sua carreira politica e ela se sentia afastada, tinha manifestado varias vezes que queria estudar arte em Viena, Adolf não permitiria isso, segundo ele mesmo: “… nada a corromperia ela enquanto ele estivesse vivo…”.

Em 18 de setembro de 1931, Adolf e Geli tomaram café da manha juntos, ela tinha tentado provocar ciúmes no Adolf com seu guarda costas e chofer Emil Maurice, a quem Hitler conhecia desde o Putsch. Alguns historiadores estabelecem uma relação amorosa seria entre Geli e Emil, inclusive o historiador Wener Maser acredita que Geli estava grávida no momento de sua morte.

Adolf e Geli brigaram. Adolf teria uma reunião na sede do partido nesse dia, um almoço e uma aparição em publico a tarde.Ao que parece o assunto na discussão teria sido o mesmo: Geli queria estudar fora e Adolf não permitia isso. O pessoal de serviço da casa teria relatado uma gritaria, coisa comum naquele tempo e uma porta sendo batida, com certeza pelo próprio Adolf ao sair as presas, dando ponto final na discussão, mas essa tarde seria diferente.

Depois de algumas horas Geli pediu para o pessoal de serviço da casa que ninguém a incomodasse, caminhava taciturna com um canarinho morto entre suas mãos. Alguns minutos depois se escutou um barulho forte e depois silencio. Um disparo? Emil correu ate o apartamento e encontrou Geli sem vida. Ninguém teve coragem de mexer com nada ate que Adolf Hitler inspecionara o lugar pessoalmente.

 

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Imagem institucional do partido Nazista

 

Controvérsia intima.
A relação que Hitler tinha com sua sobrinha Geli é uma questão que tem despertado o interesse e a curiosidade. É sabido que dormiam em quartos separados, porém moravam sozinhos no mesmo apartamento.  Adolf era muito protetor com ela, era carinhoso. Quando chegou a ser questionado diretamente a respeito da relação com Geli por membros do partido Hitler sempre teve uma reação violenta e furiosa que acabava com a afirmação de que Geli era só a sua sobrinha.

Em 1929 Adolf Hitler começou uma relação com uma moça de 19 anos pertencente as juventudes nazistas, Eva Braun. Alguns historiadores afirmam que a relação com Eva era apenas uma cortina de fumaça para evitar a pressão dos questionamentos a respeito da sua relação com Geli, quem morava com Adolf naquele momento.

Peritos psicólogos, psiquiatras e terapeutas tem especulado por anos a respeito da orientação sexual de Adolf Hitler. Alguns o colocam como uma pessoa que sofre de transtornos bipolares, manias depressivas, comportamentos obsessivo compulsivos, etc. Outros acreditam que Hitler era homossexual ou bissexual, outros, não menos audazes, acreditam que Hitler era um “fetichista” de apetites “peculiares”.

Embora se sabe muito a respeito dos costumes  dos homens fortes do nazismo como Goering, Borman e Himmler, nada se sabe de Hitler. Talvez porque ocultou isso tão bem que não existem testemunhas, participantes ou registros ou talvez porque Adolf Hitler não tinha apetites tão fortes que tivesse que saciâ-los. Temos que lembrar que Hitler orgulhava-se de ser “anti materialista”, ele não colecionava, guardava ou possuía mais objetos dos que se podiam guardar numa mala. Por outro lado era vegetariano, obsessivo, e acabou padecendo de pelo menos uma doença mental crônica documentada na sua vida. Julgue você mesmo.

As Walther do Hitler.
Em 20 de abril de 1939 Adolf Hitler fez 50 anos. O homem mais poderoso da Alemanha, o líder de um povo, o homem que, ate esse momento, tinha ganhado o coração dos alemães, cumpria meio século e a festa seria espetacular. O recentemente acabado prédio da chancelaria desenhado pelo famoso arquiteto Albert Speer seria o lugar onde o grande evento aconteceria.

No lobby da entrada se estabeleceu uma fila interminável para entregar pessoalmente os presentes do führer. Segundo Matheus: “…alguns fizeram fila ate por três horas para apresentar ao führer seu presente…”.

Um dos mais emblemáticos foi uma pistola automática Walther PPK calibre 7.65 mm (.32 ACP). Não se tratava de qualquer arma, era um dos modelos favoritos de Hitler “…um triunfo da engenharia aria…”, chapada em ouro de 24 quilates, com finas gravuras feitas a mão e empunhadura de marfim com incrustações de ouro que formavam o monograma “AH”, supostamente montada por Carl Walther pessoalmente (o que constitui um dado muito duvidoso).

Hitler sempre tinha manifestado sua fascinação pelas armas. Curiosamente não parecia ter grande afinidade por disparar com elas tanto quanto com o conceito das armas. Se sabe que Hitler sempre levava uma arma oculta com ele. Segundo Matheus levava uma Walther PPK 7.65 mm em um bolso oculto da calça e sempre tinha uma arma carregada e perto dele no seu quarto, escritório e banheiro.

 

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Materia de revista sobre la Walther de Hitler

 

Walther de ouro.
Em 29 de Abril de 1945 o soldado Ira Palm liderou um pequeno grupo de reconhecimento dentro de Munique. Com a ajuda de soldados alemães que tinham se revoltado contra o exército alemão, conseguiram  chegar ao apartamento oficial de Hitler perto da Chancelaria. Palm teria sido o primeiro a entrar, ele fez a revista do escritório de Hitler e encontrou a Walther de oro.

Em setembro de 1945 Palm retornou a América. Palm teve a arma em propriedade por vários meses ate que a deu de presente para seu amigo o pastor Charles Woodbridge. Ele manteve a arma em seu poder por quase dois anos. Woodbridge sempre estava se gabando perante conhecidos e desconhecidos da arma como a “maquina do diabo” ate que foi vitima de um roubo em 1947. A arma sumiria da historia pelos anos seguintes.

A Walther de ouro apareceu em 1950, em uma fotografia que fazia parte de um catalogo de artigos a ser leiloados. A policia de Kansas fez pesquisas e a arma foi retirada do leilão e sumiu novamente. Em 1966 a arma reapareceu em leilão no Cleveland. Rapidamente foi comprada por Andrew Wright, que foi seu proprietário pelos seguintes vinte ou mais anos.

Em 1987 a arma foi a venda mais uma vez em leilão, só que nesta ocasião existia mais informação a respeito da sua existência. Além da confirmação da Walther e testemunhas de sua existência, uma equipe de cientistas autenticou a arma. Uma analise revelou rastros de sangue entre a empunhadura e o corpo da arma, especularam com que fosse a arma com a qual Adolf Hitler tivesse se suicidado, o qual é absurdo se considerado que Palm a achou dias antes do suicídio de Hitler.

Contudo, a pistola foi vendida para um colecionador privado por U$S 114.000,00, a quantidade mais alta para uma pistola do seu tipo, também da arma de “guerra” mais valiosa vendida em leilão. Atualmente se calcula que deveria custar mais de 4 milhões de dólares.

 

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A Walther que Hitler poderia ter utilizado para se matar.

 

A Walther do fim.
O primeiro exército a livrar Munique foi o exército russo a mando do General Shukov. Foram os primeiros a entrar no bunker do prédio da chancelaria onde Hitler tinha morado nos seus últimos dias. As ordens eram claras: “…tragam o traíra de Hitler, vivo ou morto…”.

Os supostos fatos acontecidos nesse  30 de Abril de 1945 tem sido amplamente debatidos. Os detalhes mudam segundo a versão resgatada. Nós faremos um resumo onde coincidem a maioria das fontes:

Sabemos que Hitler tomou café da manha com seu staff mais próximo, suas secretarias, alguns militares e a família Goebbles. Nesta época tinha se eliminado ou flexibilizado o protocolo. Hitler retirou-se para seu quarto ou ao banheiro com um oficial e observou a reação do seu cachorro pastor alemão “Goldie” depois de ingerir arsênico. Aparentemente o führer queria ver de primeira mão os efeitos do veneno antes de ingeri-lo.

Hitler estava planejando sua própria morte. Ordenou a um jovem tenente Heinz Linge que procurara duas latas de gasolina, sem mencionar o proposito disto. Casou se com Eva Braun numa pequena cerimonia para quatro pessoas. Todos comeram pastel menos Hitler que nem tocou nele. Vinte minutos depois agradeceu a cada um dos assistentes, se despediu e se retirou com Eva a seu quarto.

Especula-se que primeiro deu para Eva o veneno, depois atirou nela para que não existisse nem uma duvida. Teria feito a mesma coisa com ele mesmo, ingerido uma capsula de veneno e disparado na sua têmpora. Não ficou claro quem foi o primeiro a entrar depois de produzir-se os disparos, talvez Otto Günsche, Heinz Linge ou Martin Borman. Foi Günsche quem deu a noticia no bunker e umas horas mais tarde começaria a negociar-se um armistício.

Hitler poderia ter usado uma Walther PPK calibre .32 ou calibre.380 ACP, que supostamente levava com ele todo o tempo. Embora outras fontes confirmam que o jovem tenente Linge teria dado a Hitler sua arma pessoal, uma PPK .380 ACP. Existe só uma fotografia do sofá onde Hitler e Eva Braun cometeram suicídio. Na fotografia pode se ver uma arma no fundo, que segundo especialistas coincide com as dimensões de uma PPK.

Alguém pegou a Walther PPK e a levou e sua localização é desconhecida. Existe uma lenda que coloca um jovem soldado russo em posse da arma, e que ele teria entregado ao General Shukov, mas, se tivesse acontecido isso Shukov teria feito alguma menção nas suas memorias publicadas anos mais tarde.

O tenente  Linge junto com outro ou outros soldados levaram os cadáveres de Adolf e Eva para a os fundos da chancelaria onde tinham feito uma pequena cova e ali atearam fogo depois de ter tirado toda identificação dos corpos, segundo as instruções de Hitler.

As especulações, lendas e teorias conspirativas.
As relações entre Rússia e o resto dos aliados, especialmente os EE.UU. não foram fáceis antes de acabar a guerra e teriam ficado impossíveis ao finalizar a mesma. Do lado da URSS se pensava que todos os demais eram “porcos capitalistas” e os aliados enxergavam a URSS como um risco para seus países e sua forma de vida. Todas as conferencias aliadas pareciam confirmar a desconfiança que sentiam os dois bandos um do outro.

Não é uma surpresa que uma vez derrotada a Alemanha tinha se iniciado um conflito aparente (a guerra fria) entre a URSS e ocidente que duraria os seguintes 40 anos. Faço menção do anterior porque os russos não tinham a mais mínima intenção de compartilhar nada  com os demais aliados e vice versa.

Quando os russos  encontraram Hitler e Eva Braun calcinados, atrás do prédio da Chancelaria, recolheram todos os restos, empacotaram e enviaram a Moscou do jeito mais eficiente e sigiloso que conseguiram fazer. Quando os aliados perguntaram pelo cadáver de Hitler, por anos a única resposta foi: “…Adolf Hitler morreu…”.

Um grupo de soldados tirou uma fotografia de um homem morto com um tiro de misericórdia na frente, era claramente uma montagem, o homem na fotografia só tinha uma leve semelhança com Hitler. No entanto foi a versão que foi dada aos aliados respeito a morte de Hitler por anos.

 

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Fotografia difundida por anos mostrando Hitler morto com um tiro

 

O fato de ter tido fontes tão ambíguas de informação a respeito da morte de Hitler deu espaço para a especulação e as lendas folclóricas de uma fuga milagrosa de Adolf Hitler para América do Sul onde supostamente fez um clone dele mesmo e viveu fazendo experimentos os seguintes trinta ou mais anos em seres humanos. Nada poderia ser mais absurdo.

Em documentos desclassificados da OSS se afirma que existia um plano para recuperar os ossos de Hitler por parte dos aliados no final da década de quarenta, coisa que nunca aconteceu devido a grande tensão entre os blocos ocidental e socialista.

Finalmente nos anos noventa o Kremlin decidiu compartilhar a informação da investigação da morte de Adolf Hitler dando fim a controvérsia.

 

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Mandos Soviéticos fora da Chancelaria do Terceiro Reich examinam os corpos de Hitler e Eva Braun

 

Ponto de vista do autor.
Em países como o nosso a segunda guerra mundial é uma abstração, tenho tido alunos e pais de família que me perguntam se na realidade aconteceu “isso dos judeus assassinados”. A historia não e simples, esta historia não é nada simples. Se requer, eu acho, de uma analise multifatorial para entender a guerra, seus personagens, os acontecimentos e como se chegou a solução final ou aos campos de extermínio.

Hitler foi uma das engrenagens do massacre de um povo. Com certeza é um dos responsáveis diretos  da guerra, porém, a historia tem tendência a esquecer os seguidores que no esforço para lisonjear a seu Füher criaram as deportações, os campos de concentração e a solução final. Centenas de milhares de pessoas que seguiram as ordens ou maquinando-as foram responsáveis dos mais horrendos crimes do século XX.

Hitler é o epítome da obsessão e a má adaptação social, foi um homem equivocado com uma visão do mundo que ficava longe da humanidade. Nunca foi um brilhante estrategista de guerra nem um mestre da administração ou um estatista genial, foi um orador e politico esperto cuja retorica unificou um povo vexado por um tratado injusto (Versalles 1918) em uma era de incertezas e confusão.

Muitas vezes se deixa de lado as contribuições de personagens “mornos” e pusilânimes como Phillipe Petain*, Charles Lindberg**, Karl Von Seekt***, Neville Chamberlain****, Franklin D. Rosevelt*****, por mencionar alguns. Que por ação ou inação facilitaram aos alemães se apropriar da Europa.

Hitler era um ator no cenário da politica ao qual tem se dado mais importância e mais faculdades das que realmente teve, porém é inegável que dirigiu os destinos de milhões de pessoas por mais de uma década e sua influencia na cultura e o dano que causou ainda ressoam no tempo mais de meio século depois de sua morte… o resto… é historia.

 

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Hitler sem a parafernália (1941)

 

Notas para entender a historia.
¹Alois Hitler tinha 51 anos quando nasceu Adolf. Tinha estado casado em duas ocasiões antes de se casar com Klara. Adolf se lembrava dele como um homem estrito, limpo e ordenado. Tinha sido militar e funcionário publico. Morreu quando Adolf tinha 13 anos.

²Hitler foi condecorado com a cruz de ferro por sua coragem. Seria o símbolo que usaria no seu uniforme oficial pelo resto da sua vida. Foi ferido em duas ocasiões, a primeira em outubro de 1916 por fragmentos de granada e a segunda em 1918, quase no final da guerra pelo gás mostarda que o deixou temporariamente cego.

³O partido mudou para o NASDAP, partido nacional socialista. Hitler criou uma plataforma política de 25 pontos e inventou os símbolos e rituais do partido.

* Phillipe Petain era o chefe de estado na França durante a invasão alemã de 1940, rendeu a França depois de umas semanas em combate em troca de manter certa independência, a republica de Vichy, quando França poderia e deveria ter resistido muito mais tempo a ocupação alemã.

**Charles Lindberg foi um piloto e aventureiro dos EE.UU., o primeiro homem em atravessar em solidão o oceano Atlântico. Deu um informe ao departamento de Estado dos EE.UU. respeito as condições e armamento da “Luftwaffe” (força aérea militar alemã) antes da guerra que obrigou a reconsiderar aos mandos americanos sua posição perante as invasões nazistas de 1937, 38 e 39.

***Karl Von Seekt foi um dos criadores da reconstrução do exército alemão antes que Hitler chegasse ao poder. Seekt organizou os colégios militares e a acumulação e desenvolvimento de armamento nos anos entre guerras (1922-1935), depois sumiu de cena.

****Neville Chamberlain foi o primeiro ministro da Inglaterra durante a ultima parte da década dos anos 30, sua atuação sempre “morna” e tolerante permitiu que Hitler crescesse e crescesse. Chamberlain tinha grande peso na liga das nações, entidade previa a ONU formada pelos vencedores da primeira guerra mundial. Poderiam ter detido a Hitler depois do Anschluss (unificação de Áustria y Alemanha em 1937) mas prefiriram “negociar” com Hitler e deixar ele se apropriar dos Balcãs (1938).

*****Franklin Delano Rosevelt foi o presidente dos EE.UU. de 1932 a 1945, durante os primeiros anos das invasões alemãs se manteve a margem do conflito europeu só enviando “apetrechos não militares” para Inglaterra. Nunca passou a iniciativa ao congresso para no perder seu lugar na presidência já que o povo americano não queria se ver envolvido na guerra. Finalmente se envolveu em 1942 depois do ataque a Pearl Harbour.

Autor: Kuno

Tradução: Luiz Carlos Silva e Ana Paula Leite


Publicado em Artigos, História
10 comentários sobre “As armas de Hitler
  1. Elton Soares disse:

    Boa matéria

  2. Klaus R. D. disse:

    Uma correção: a penúltima foto não mostra os corpos de Hitler e Eva Braun, mas sim da família de Joseph Goebbels

  3. Samuel Vinícius disse:

    Parabéns pela matéria. Conteúdo bem completo e com os mínimos detalhes.

  4. Nicole disse:

    Legal, mas falam como se a Alemanha não tivesse razão nenhuma em sua movimentação pré-guerra. A Áustria foi anexada após um plebiscito, o povo dos Sudetos vinha sendo maltratado pelos tchecos, era etnicamente alemão e vinha sofrendo graves represálias por isso e Dantzig dividiu a Alemanha em duas partes, quando a Alemanha fez uma proposta de construir uma ferrovia para interligar as duas metades, a Inglaterra sequer deu ouvidos, e se preparou para declarar a guerra. Fora que o rearmamento alemão não ocorreu antes do francês. Os franceses se rearmaram e pressionavam as fronteiras alemãs, de forma que se os alemães não se rearmassem seriam invariavelmente invadidos.

    Não defendendo a Alemanha, muito menos o Hitler, mas não se pode dizer que ele não tivesse nenhuma razão no que estava fazendo, muito menos que a intransigência dos ingleses, dos poloneses e dos franceses tenha sido adequada.

  5. guto tb disse:

    Só walthers na coleção.
    E as lugers?
    Ele não utilizava o 9×19?

  6. Ottavio Brunno disse:

    Uma observação: a pistola da primeira imagem é uma Walther PP (pistole polizei), a Walther PPk (pistole polizei kurz) era mais curta e não tinha aquela protuberância que aumenta seu tamanho no focinho, pra ser mais direto é a pistola de James Bond nos filmes antigos.

  7. Fernando Dantas Amorim disse:

    Um amigo colecionador tem uma Pistola Luger (Parabellum) modelo 1906, adotada pelo Exército Alemão em 1908, em calibre 9mmX19

    Gostaria de tirar uma duvida, como identificar se foi uma das pistolas utilizadas por Hitler.

    Sendo assim gostaria de saber se estiver sido utilizada qual o valor em media, e se não estiver sido utilizada qual sera o valor.

    Pós pelo que sei foram compradas apenas 500 armas neste modelo.

  8. João antônio disse:

    Entre a 1ª e 2ª Guerra, pode-se falar que houve um ARMISTÍCIO, com essa situação humilhante à Alemanha; esperava-se torna-la INERTE aos outros participes da primeira Guerra… Entrementes, fatores diversos, a citar o próprio Hitler, que com essas condições tanto interna como externa, sendo um grande orador aduziu a si mesmo certos pormenores que aos olhos do povo alemão lhes pareceram adequado para lhes privar da penúria imposta pelos Aliados. Quanto aos “desmandos” de guerra; digam qual guerra foi feita com ética, educação, formalidades… Contudo, algo morto em torno de cento dez milhões… Se não havido tal fato, hoje seriam algo próximo a um bilhão de seres.Seria bom? Teriam como manter-se…? Certamente estaríamos mas próximos duma conflagração Nuclearizada, sabe-se que ocorrendo tal fato; a próxima digladiação será com paus e pedras!

  9. Andress Herdernnandes disse:

    Quero o programa do General Two Upper Adolf Hitler o Geren de Ouro…rsrs

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