Argentina: Crise política e econômica x Armamento, defesa do patrimônio e da honra

Por Marina Vergili Perez
Historiadora e Socióloga

A Argentina vêm se afundando numa crise econômica desde a instauração do “Corralito” em 2001, pelo então presidente Fernando de La Rua. Essa política econômica, foi algo semelhante ao que o Collor fez no Brasil com as poupanças, o bloqueio e confisco do dinheiro depositado. Depois desse anúncio, o caos se instaurou por algum tempo. Muitas coisas aconteceram por lá nesse período, suicídios aumentaram, os saques se tornaram rotina, o surgimento de moedas paralelas ao peso (exemplo: patacones) e também os “cacerolassos” (manifestações onde o povo batia panelas para fazer barulho e protestar). Esse é o bojo da atual crise argentina.

A atual presidente da Argentina é alinhada com o “chavismo”, isto é com a esquerda latino-americana. Que tem como principal política a adoção de medidas populistas e programas assistencialistas. Mas um outro fator que vêm desde a crise de 2001, é a inflação. Um fator comum para os países que possuem essa linha esquerdista na América Latina, e há também por parte desses governos a negação da existência da mesma. O governo argentino também por sua vez, perdeu o apoio do sindicato mais poderoso da Argentina, o sindicato dos caminhoneiros.

Com toda essa tensão social, os policiais da província de Córdoba entraram em greve exigindo melhores salários. Com as ruas desprovidas da segurança do estado, saqueadores resolveram invadir não apenas os comércios, mas também residências familiares. Com essa situação instaurada e sem o apoio de forças policiais federais, comerciantes e trabalhadores pegaram em armas para defender a sua honra e também o seu patrimônio.

A legislação para posse e porte de armas na Argentina é simples e data de 1973, permitindo ao cidadão maior de idade adquirir armas para a sua defesa e para a prática esportiva, com uma burocracia muito mais simples e ágil que no Brasil. Com isto a população dessa província, se armou para defender seus comércios e suas residências. Notou-se por meio das imagens divulgadas na internet, que os saques não era de comida por conta de uma população faminta. Não muito pelo contrário, os saques eram de aparelhos eletrônicos, motos, carros, roupas.

Vale lembrar que em outros governos anteriores à crise de 2001 na Argentina, a população por vezes já tivera que organizar patrulhas civis para vigiar os bairros, devido aos saques. Há relatos de que na atual situação dos saques, as armas têm sido o que têm afastado os saqueadores de comércios onde se encontram essa resistência. A tensão social está instaurada, está sendo noticiado de que depois de toda essa confusão o governo federal enviou tropas da “gendarmeria” para garantir a ordem.

Fica a reflexão, perante um caos (colapso) social e econômico será que o governo consegue prover para a população a devida segurança da propriedade privada e também da honra do cidadão.


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Um comentário sobre “Argentina: Crise política e econômica x Armamento, defesa do patrimônio e da honra
  1. Cassandra disse:

    “perante um caos (colapso) social e econômico será que o governo consegue prover para a população a devida segurança da propriedade privada e também da honra do cidadão.”
    Não, não consegue. Vemos isso claramente no Brasil, onde, embora a estrutura social esteja razoavelmente estável, basta olharmos os noticiários para vermos que não há mais segurança sequer para os policiais! Neste fim de semana no Rio de Janeiro (dias 21 e 22) quatro policiais foram mortos por bandidos. Bandidos fecharam uma rodovia por cerca de três horas para protestarem… Enfim, as coisas caminham em uma direção assustadora no Brasil!

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