A falência da segurança pública no Brasil (Parte II)

Paulo Albuquerque é Analista de sistemas, jornalista, empresário.  Fundador da organização Kombato, um laboratório dinâmico que pesquisa e testa técnicas, e filosofia de segurança, que trabalha em prol da segurança e autodefesa dos cidadãos.

Paulo Albuquerque é Analista de sistemas, jornalista, empresário.
Fundador da organização Kombato, um laboratório dinâmico que pesquisa e testa técnicas, e filosofia de segurança, que trabalha em prol da segurança e autodefesa dos cidadãos.

Aqui no Defesa.org eu continuo discorrendo sobre o assustador quadro de segurança pública no Brasil, mais e mais profundamente e minuciosamente, e no final teremos um quadro tão assustador, no qual, eu reafirmo que o estado, o “Leviathan”, deixará de ser apenas um monstro lendário e alheio à nossa segurança, para ser nosso inimigo. É o Leviathan contra cada um de nós. E é por isso que cada um deve fazer o seu trabalho, o de defender a família por si mesmo.

Continuando, ainda sobre treinamento.

Quando algum especialista em TI (Tecnologia de Informação) está aprendendo seu cargo, ele aprende técnicas modernas, dentro da necessidade da empresa, e, evidentemente, usa computadores modernos. É impensável se usar ou aprender a furar cartão (como eu fiz), de forma paleolítica, para aprender uma linguagem moderna. Simplesmente não faz sentido.

Só que a segurança pública, de uma forma geral, usa manuais escritos há meio século, ensinando técnicas, que nem ao menos foram criadas para defesa pessoal ou segurança, de mais de 100 anos (e não foram atualizadas). Em muitos casos, se aprende uma arte marcial que utiliza GI (popularmente conhecido como “kimono”), e tem que se aprender nomes de golpes em uma lingua estrangeira. Ou pior, lhe ensinam que se deve imobilizar o cidadão, mas utilizam uma arte marcial que só tem chutes e socos no treinamento, ou seja, é precisamente o oposto do que se pretende. Querem que você faça uma prova de matemática, mas lhe ensinam a lingua hindu para resolver as questões. É como assistir uma comédia non-sense do “Monty Python”.

Isso acontece por diversas razões, sendo a mais provável, um “lobby”de federações esportivas, que querem empurrar um pacote de esporte para uso real, o que envolve, como sempre, quantias vultosas e regulares de dinheiro. Os leitores deste blog sabem, por exemplo, que tiro esportivo de precisão, tem pouca relação com tiro de combate. É exatamente isso o que acontece entre artes marciais esportivas e autodefesa e segurança.

Vamos supor que o melhor lutador do mundo esportivo, esteja andando na rua com seus filhos. Inesperadamente, um bandido coloca uma faca no pescoço de uma das crianças, nesse momento, o atleta se da conta que, em 30 anos de arte marcial, ele nunca fez uma só aula de negociação, que seria a mais provável saída para este cenário. Artes marciais e defesa pessoal tem elementos em comum, mas não se misturam. Assim como água e óleo não se misturam, porém ambos são líquidos.

Um outro erro, é usar um “saco de técnicas”, como chamamos na minha empresa (a Kombato Ltda): um cidadão intitulado instrutor de defesa pessoal vê uns videos no youtube, mistura tudo e diz que é defesa pessoal. Isso pode ser ainda pior que a primeira opção. Cada corporação cria, “do chapéu”, uma solução toda remendada. Imagine um livro de história escrito por diversos autores, cada um querendo puxar o ponto de vista, e cada um vindo de um local diferente do mundo. É um livro rico ou um livro confuso? Imagine um código de programação, feito por diversos programadores sem documentação inicial. Imagine uma constituição, na qual nenhum dos autores leu o que o outro escreveu?

Soube de um caso, acontecido no interior de São Paulo, no qual o instrutor de Tonfa, nunca havia feito, sequer, uma aula de tonfa, e nem de arte marcial, defesa pessoal, ou nada parecido. Mas foi colocado, como instrutor, em um centro de instrução, sem sua anuência. Para sua sorte e dos seus alunos, foi socorrido por um dos membros da minha equipe, que é altamente qualificado. Eu mesmo conheci um instrutor de defesa pessoal, que a maior graduação que ele possuía, em toda a sua vida, era apenas uma única faixa-amarela. É sério, não é uma piada.

No primeiro artigo, eu falei sobre a quantidade do treinamento ser claramente insuficiente. Neste artigo, eu falo sobre o porquê que o treinamento oferecido, mesmo que fosse suficiente, traria péssimos resultados.

E isso tudo acontece sob um aspecto, qual seja, a sociedade ainda não se decidiu sobre o que esperar da polícia. Isso será falado na parte três desta série.


Publicado em Artigos
5 comentários sobre “A falência da segurança pública no Brasil (Parte II)
  1. logan tomazini disse:

    Prezados, concordo com tudo, temos essa dificuldade de ter uma preparação realista, eficaz. Em sua maioria gostam de dinheiro e muito, AINKIDO, KRAV MAGA, mas esse kombato é uma comédia de anos. poucas lutas realmente trabalham com a realidade do dia dia, treinei kung-fu e vi alguns movimentos que espelhavam, determinados tipos de agressões, e depois de anos de LUTA-LIVRE E JIU-JITSU, imobilizar é uma boa, mas se aparecem uns 3 elementos, vou precisar de um cabo de vassoura, uma faca, ou spray de pimenta. Precisaremos virar um ninja moderno, ou correr com todos sob os ombros

    • Carlos disse:

      Iogan. O correto é “Aikido”! E você está equivocado! Eu treino Aikido há muitos anos e, na minha federação, não se dá valor ao dinheiro e sim, para a filosofia da arte marcial! Também, o Aikido me deu condições de me defender (se for preciso) contra dois ou mais oponentes tendo a certeza que conseguirei me desvencilhar deles.

      • logan tomazini disse:

        Prezado Carlos,
        Concordo o Aikido é demais vi técnicas perfeitas, mas onde me escondo em Guaratiba no RJ, me deixou longe da academia, na época Era em Botafogo, onde era academia do KRAV MAGA.

        Escrevi correndo no CEl, e saiu errado o Aikido, concordo que de todas as técnicas que vi treinando e praticando o AIKIDO É BEM COMPLETO, e Depois dele para combate urbano vou dar valor ao KRAV MAGA, EMBORA NÃO TENHA TREINADO DE FORMA DIRETA.

        ABCS,

    • Rodrigo disse:

      Também sou praticante de Aikido. Treino a pouco tempo e já pratiquei outros tipos de luta (Karatê e Muay Thai) e percebo, na minha ótica, que o Aikido seria a arte marcial mais copmleta para se utilizar como Defesa Pessoal.
      E o principal indicador disso é que NÃO EXISTE competição de Aikido – dentro do Dojo, dissemina-se uma cultura e uma filosofia de respeito, humildade e igualdade. O Aikidoíta busca o crescimento espiritual, o equilíbrio de corpo e mente, ao invés de buscar ser o melhor, o mais forte, o mais rápido.
      O Krav Maga é outra arte marcial MUITO BOA, porém o objetivo dela é imobilizar o oponente, a qualquer custo, e usando qualquer meio para isso (golpes baixos, pontos vitais, armas, etc). Ele é mais “violento” que o Aikido, além da questão física ser bastante importante também.

      Para quem busca uma defesa pessoal apenas, eu recomendo o Krav Maga. Agora, para quem busca, além da defesa pessoal, uma filosofia de vida, crescimento espiritual, harmonia, eu recomendo o Aikido.

      Ah…. outro detalhe: o krav maga é mais “rápido”(em 6 meses vc já tem boas noções de defesa pessoal). Já no Aikido, leva-se mais tempo, pois envolve mais técnica, e o aprendizado depende de cada um.

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