A falência da segurança pública no Brasil (Parte I)

Paulo Albuquerque é Analista de sistemas, jornalista, empresário.  Fundador da organização Kombato, um laboratório dinâmico que pesquisa e testa técnicas, e filosofia de segurança, que trabalha em prol da segurança e autodefesa dos cidadãos.

Paulo Albuquerque é Analista de sistemas, jornalista, empresário.
Fundador da organização Kombato, um laboratório dinâmico que pesquisa e testa técnicas, e filosofia de segurança, que trabalha em prol da segurança e autodefesa dos cidadãos.

Eu tenho a sorte de ter muitos alunos policiais e de possuir uma empresa que dá treinamento em vários níveis, para o civil, para organizações militares, para diversos ramos da segurança privada. Estou, portanto, no “olho do furacão”. Nos últimos 16 anos tenho visto tudo rodar ao meu redor e posso fazer conclusões minuciosas sobre essa falência.

Em cada parte deste artigo, falarei sobre um aspecto dessa falência. Hoje falarei sobre o treinamento policial. Tanto civil, quanto militar. No final, darei sugestões para os profissionais de segurança e os civis.

Vamos começar com um conceito básico. Por melhor que seja um treinamento e por melhor que sejam os alunos, existem duas coisas que são necessárias:

  1. Treinamento inicial de qualidade.
  2. Reciclagens constantes.

Quantas horas são necessárias para aprender a jogar futebol? Será que 13 partidas, ou seja, mais ou menos 20 horas bastariam? Claro que a resposta é “não”. E xadrez? Para ser um bom jogador, que tal 20 horas? Impossível se aprender a jogar bem em 20 horas. Sinuca? Direito? Marketing? Ping-pong? Na verdade existem poucas coisas, além do conhecido jogo da velha, ou usar o controle remoto da tv, que sejam possíveis dar habilidade a alguém em 20 horas.

Pois é, isso é um ponto pacífico. Todos concordam com essa premissa. Em 20 horas não se aprende nada.

Alguém sabe me dizer quantas horas um policial civil treina autodefesa em sua admissão? 20 horas. E só. Por melhor que seja o instrutor, em 20 horas nada se aprende.

Bem, então ele deve ter muitas reciclagens, certo?

Não, absolutamente nenhuma.

Assim, se ele não é bem treinado em defesa pessoal, a única saída é apelar para a arma de fogo o tempo todo. O que não seria o ideal. Mas então é claro que ele treina bastante tiro, certo?

Não. Só treina um dia, cerca de 100 tiros quando a escola de polícia permite isso, mas é mais comum darem 25 tiros. E também não tem reciclagem.

Então como ele aprende a usar o fuzil, etc?

Ele paga do próprio bolso e faz cursos externos. E quando ele quer aprender autodefesa? Ele mesmo vai se especializar em aulas, como Kombato, por exemplo.

Corporações militares tem mais constância no treinamento, mas geralmente de artes marciais tradicionais, tendo que aprender os nomes em linguas orientais, e raramente trazendo as situações aprendidas, para os cenários reais que vão enfrentar. E sim, muitos polciiais militares vão para as ruas sem dar um só tiro de fuzil, porém com estel na bandoleira, pendurado no ombro.

Como se pode exigir qualidade no trabalho de um policial se não o qualificam da forma adequada?

Na parte 2 falarei sobre os absurdos do treinamento.

Paulo Albuquerque
mestre.kombato@gmail.com


Publicado em Artigos
7 comentários sobre “A falência da segurança pública no Brasil (Parte I)
  1. felipe nascimento disse:

    simplesmente divino

  2. Geraldo Alves disse:

    Muito bom texto.
    E quanto ao próprio policial pagar do próprio bolso o treinamento, ainda conheço casos de que este solicita ao superior dispensa para realizar cursos de grupos especializados como BOPE, COT etc e não é liberado e a resposta é de que não há necessidade para isto.
    Um policial por lei tem direito a compra de 600 munições por ano para seu treinamento caso queira e a única coisa que ele precisa para isto é a autorização do comando pois utilizam munições de calibre restrito (outra idiotice desse nosso governo mas ainda não é esta a questão) e os comandos não permitem que um soldado deles compre munição para seu treinamento.
    Realmente, como exigir de um soldado que se quer melhorar por conta os comandos não permitem e o estado não faz nada?!

  3. Felipe disse:

    Sou CAC e dou proximadamente 100-150 tiros por mês, e mesmo assim me sinto inseguro em enfrentar uma situação real de perigo como esses policiais enfrentam todos os dias!

    Meu Deus!

  4. Fernando Carrera Pompêo de Camargo disse:

    Muito bom o texto, parabéns!
    Isso tudo sem contar que nossos policiais, muitas vezes, vão para as ruas e não conseguem ter munição para levar ao menos um carregador completo… aí, fica difícil…
    Procurei a parte II, mas não encontrei… ela ainda não está disponível?!
    Obrigado!
    Abração e muita luz!!!

  5. Ricardo Lacourt Moreira disse:

    Parabéns pelo texto. Essa ideologia “de esquerda” que infesta o País há mais de 20 anos, confunde propositalmente combate ao crime com truculência policial. Desmoraliza invariavelmente qualquer ação de respeito à segurança da população que trabalha e paga uma das maiores cargas de impostos do mundo, simulando estar defendendo os direitos humanos de traficantes, assassinos e meliantes em geral.
    O resultado desse trabalho sistemático de desmonte da segurança pública é o que agora assistimos: bandidos mais bem armados e mais bem preparados do que policiais.
    É lamentável.

  6. Paulo disse:

    Prezados senhores, acompanho os acontecimentos no Brasil atentamente e já tentei entender a lei em vigor e a R105 e como o sistema funciona, tanto administrado pelo EB e ou pela PF.

    Vejo que nós últimos 20 anos o país deu passos largos para tras, tudo que é ruim e perniciosos em uma sociedade e democracia e pratica comum no nosso país.

    Nosso país está minado, grande parte das intuições estão contaminadas por pessoas que só visam o enriquecimento e não se preocupam com nada e com ninguém, até serem presos, estão acima das leis e da ordem que infelizmente são frouxas e tem preço!

    Os que são presos não são 10 % dos bandidos seja no legislativo executivo, uduciario e ou empresários, bandidos, ladrões, assassinos, etc

    Falar em políticas de segurança pública então é piada, se nem as leis prestam pois o restante se torna letra morta!

    É óbvio que o estado quer o povo ignorante e desarmado.

    Ninguém tem interesse nesta pauta, ela anda pela força é garra do próprio povo Brasileiro.

    O que fazer! Bom se continuarmos pensando e agindo de acordo com a legislação nada vai mudar, precisamos expor estas pessoas que são contras, portanto proponho indentifucar todos o deputados e organizações que são contra e investigá-las ao máximo e expô-las na mídia para que todo a família que tiver um ente querido assassinado saber quem foram as pessoas que ajudaram o bandido a puxar o gatilho ou enfiar a faca, etc.

    Precisamos traçar um plano de ações reais para eliminar os ladrões, bandidos e assassinos da nossa sociedade.

    Esteja onde eles estiverem!

    Att: Paulo A

  7. Sérgio Magalhães disse:

    Pois é, vergonha nacional completa!
    E nós pagamos um dos impostos mais caros do mundo apenas para ter lixo no lugar de serviços públicos!

    Para que isso? Para essa corja de políticos corruptos embolsarem todo nosso dinheiro!

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